segunda-feira, 12 de outubro de 2026

“As ideias da extrema direita não representam o verdadeiro cristianismo”

 


Às vésperas do 1º turno das eleições no Brasil, Papa Leão XIV disse de maneira muito clara que “as ideias da extrema direita não representam o verdadeiro cristianismo” e - acrescento eu - nem o verdadeiro humanismo. Na realidade, o cristianismo é um humanismo radical.

É um absurdo e uma falta total de ética votar em pessoas que defendem para o Brasil (e outros Países também) um sistema capitalista perverso, iniquo, injusto e que - para alcançar seus objetivos - estão dispostas, se for necessário, a implantar um regime ditatorial. É o pecado social ou estrutural da nossa sociedade atual.

Infelizmente, no Brasil vivemos hoje numa situação humana, que é de uma maldade diabólica alarmante. Precisamos nos unir e nos organizar ou reorganizar para que - ao lado dos pobres, excluídos e descartados da sociedade e, junto com eles e elas - possamos combater esse “sistema econômico iniquo” (Documento de Aparecida, 385) com todos os meios possíveis.

Queremos caminhar rumo a um Projeto Social Popular (PSP), onde todos e todas tenham condições de vida digna. “Eu vim para que todos/as tenham vida, e a tenham em abundância!” (Jo 10, 10).

(Por “social” entendo socioeconômico-político-ecológico-cultural-religioso).

Como ser humano e como cristão faço um sincero e caloroso apelo aos companheiros/as e irmãos/ãs dos Movimentos Sociais Populares, dos Sindicatos de Trabalhadores e Trabalhadoras, das Organizações de Mulheres, das Entidades de Jovens Estudantes e de todas as Organizações Populares.

As palavras de Bento XIV - acima citadas - nos mostram que, no segundo turno das eleições presidenciais no Brasil (25 de outubro próximo), só tem um caminho para mudar a sociedade e evitar uma catástrofe social. É o caminho dos Movimentos Sociais Populares, dos Sindicatos dos Trabalhadores/as e de todos aqueles/as que estão do lado dos pobres, excluídos e descartados.

Unidos/as e organizados/as vamos seguir esse caminho: é o único que realmente pode mudar a sociedade. Todos e todas somos chamados/as a entrar nesse caminho, inclusive os ricos. Ninguém é excluído. É o caminho do Evangelho. É o caminho de Jesus, hoje.

À época de Jesus, Zaqueu - que era um homem rico - se converteu, devolveu quatro vezes aquilo que tinha roubado (ah, se os ricos de hoje devolvessem quatro vezes aquilo que roubaram, ninguém passaria fome), partilhou seus bens com os pobres e entrou no caminho de Jesus.

O jovem rico - muito apegado aos seus bens - não teve coragem (ao menos naquele momento) de entrar nesse caminho e foi embora triste.

Como cristão e como irmão - para não cometer um pecado de omissão - sinto a necessidade de fazer uma crítica construtiva à CNBB, que representa oficialmente a Igreja Católica no Brasil.

Antes da crítica, reconheço que a CNBB em sua Nota “Mensagem da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil” (17/06/26) reafirma valores humanos e cristãos (radicalmente humanos) fundamentais. Fazer isso periodicamente é positivo, é importante, mas não basta.

A CNBB deve cumprir sua missão profética, escutando os sinais dos tempos (os acontecimentos históricos) e interpretando-os à luz do Evangelho.

A Igreja, “para desempenhar sua missão, a todo momento (reparem: a todo momento), tem o dever de escutar (perscrutar) os Sinais dos Tempos e interpretá-los à luz do Evangelho (ou seja, desde os pobres, na ótica dos pobres), de tal modo que possa responder, de maneira adaptada a cada geração, às interrogações eternas sobre os significados da Vida presente e futura e de suas relações mútuas”.

Por conseguinte, é necessário conhecer e entender o Mundo no qual vivemos, suas esperanças, suas aspirações e sua índole frequentemente dramática" (Con. Vat. II - GS 4).

E ainda: “Como Discípulos e Discípulas de Jesus Cristo, sentimo-nos desafiados/as a discernir os 'Sinais dos Tempos' à luz do Espírito Santo, para nos colocar a serviço do Reino, anunciado por Jesus, que veio ‘para que todos e todas tenham vida e para que a tenham em plenitude' (Jo 10,10)" (Documento de Aparecida - DA 33).

No Brasil, a CNBB (que representa oficialmente a Igreja Católica) periodicamente reafirma princípios e valores humanos e cristãos, mas não escuta os sinais dos tempos à luz do Evangelho, pronuciando-se sobre fatos históricos concretos, como, por exemplo, as eleições políticas para presidente. Agindo dessa forma, comete um pecado de omissão, que tem conseguências sociais gravissimas, sobretudo para os pobres.

Como cristão, faço agora - à luz do Evangelho - a leitura crítica (análise e iterpretação) de um dos sinais dos tempos: o segundo turno das eleições para presidente do Brasil: dia 25 deste mês de outubro.

Dois fatos: LULA, candidato a reeleição para presidente com sua equipe e FLÁVIO BOLSONARO, também candidato à presidente com sua equipe.

Para a nossa escuta dos sinais dos tempos e o nosso discernimento, cito dois exemplos: um do passado e um do presente,

Do passado: entre muitos, lembro Santo Ambrósio de Milão. Ele fechou a porta da Catedral ao Imperador Teodósio I (também conhecido como Teodósio, o Grande) no ano de 390. O bispo barrou a entrada do governante e o excomungou temporariamente após o imperador ordenar o brutal Massacre de Tessalônica, que resultou na morte de milhares de cidadãos inocentes em uma represália militar. Ambrósio exigiu que o homem mais poderoso do Império Romano fizesse uma humilhante penitência pública. Teodósio aceitou a punição, despojou-se de suas vestes imperiais, vestiu trajes de penitente e pediu perdão publicamente antes de ser readmitido na Igreja. E nós - diante das injustiças - temos a coragem de Santo Ambrósio? Meditemos!

Do presente: Lembro as palavras do Papa Leão XIV (já citadas) quando - fazendo a leitura de fatos políticos concretos atuais diz: “as idéias da extrema direita não representam o verdadeiro cristanismo”.

Concordo totalmente com Leão XIV e afirmo: “As idéias da extrema direita de Frávio Bolsonaro e seu grupo político (inclusive, os responsáveis pela trama golpista) não representam o verdadeiro cristanismo”. Quem é cristão/ã, por coerência de vida, não vota nesse grupo político.

POR ISSO, COMO CRISTÃO, EU VOTO NO LULA E SEU GRUPO POLÍTICO E VOCÊ? ACOMPANHE-ME! CRISTÃOS E CRISTÃS, VAMOS SALVAR O BRASIL. NÃO COMETAMOS UM PECADO DE OMISSÃO.

 

Marcos Sassatelli, Frade dominicano
Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP) - Professor aposentado de Filosofia da UFG
E-mail: mpsassatelli@uol.com.br - Cel. e WA: (62) 9 9979 2282 - https://freimarcos.blogspot.com/ - Goiânia, 11 de outubro de 2026







quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Eleições Gerais político-partidárias no Brasil 04 de outubro: primeiro turno

 


Domingo, dia 4 de outubro - das 8h às 17h - acontecerá no Brasil o primeiro turno das Eleições Gerais de 2026. Nesta data, os eleitores/as brasileiros/as vão às urnas para escolher representantes para seis vagas e cinco cargos diferentes:

·         Presidente da República (2 dígitos),

  • Governador (2 dígitos),
  • Senadores (duas vagas por estado) (3 dígitos cada um),
  • Deputado Federal (4 dígitos) e
  • Deputado Estadual (ou distrital, no DF) (5 dígitos).

Trata-se de um acontecimento histórico fundamental. Participar conscientemente das Eleições político-partidárias é uma das formas fundamentais de exercer conscientemente a nossa responsabilidade a respeito da Política, que é a ciência do bem comum, ou seja, do bem de todos e de todas a partir dos Pobres Excluídos/as e daqueles/as que caminham com eles/elas, na diversidade dos dons e serviços.

Na Política, além da prática dos participantes e militantes dos Partidos, temos também outras ferramentas como a prática dos participantes e militantes dos Sindicados de Trabalhadores/as; dos Movimentos Populares e de muitas outras Organizações Populares, como, por exemplo, Associações de Mulheres Trabalhadoras e Organizações de Estudantes.

Os Partidos Políticos, Movimentos e Organizações Populares buscam em sua prática um Novo - sempre mais Novo - Projeto de Sociedade e de Mundo. Todos e todas nós somos Pessoas políticas, ou por ação ou por omissão. Pergunto: Qual é o nosso Projeto de Sociedade e de Mundo? Meditemos!

Na prática política partidária popular, como em todas as outras práticas populares - que têm sempre uma dimensão política - precisamos nos colocar duas questões fundamentais:

Primeira: qual é o Projeto de Sociedade e de Mundo que nós queremos construir?

É realmente um Projeto Social Popular (PSP) igualitário, comunitário, de irmãos e irmãs (mesmo com as diferenças e as diversidades, que valorizam o Projeto) ou é um Projeto Social Classista, onde uma minoria vive no luxo e a grande maioria, em condições sub-humanas, como acontece no Projeto Capitalista Neoliberal?

Segunda: se defendemos um Projeto Social Popular (PSP) igualitário e comunitário (que seria o Socialismo no verdadeiro sentido da palavra), quais os passos históricos concretos que hoje podemos dar para que esse novo Projeto de Sociedade e de Mundo se torne uma realidade concreta? Antes de votar, meditemos...

A palavra “Aliança” - palavra bíblica - significa “Comunhão de Projetos” e não pode ser banalizada como muitas vezes acontece hoje na Prática Política entre Partidos que defendem Projetos Políticos opostos. Entre esses Partidos, não há a possibilidade de Aliança. No máximo, o que pode haver são somente alguns Acordos pontuais para resolver ou amenizar situações emergenciais. Por exemplo: entre Projeto Capitalista Neoliberal e Projeto Social Popular (comunitário, de irmãos e irmãs: socialista no verdadeiro sentido da palavra) não dá para ter Aliança.

Como nos lembra o Teólogo Hans Kung, ser cristãos/ãs significa ser radicalmente Seres humanos, ou seja, viver esse Projeto Social Popular de maneira radical.

Pergunto: Existe uma pessoa mais radical que Jesus de Nazaré, o Filho de Deus, o Libertador e Salvador do Ser humano e do mundo?

Companheiros e Companheiras, Irmãos e Irmãs de caminhada, muito cuidado com os falsos Jesus que são apresentados, sobretudo em épocas especiais, como em época de Eleições político-partidárias. Não nos deixemos enganar. Para os cristãos/ãs e - podemos dizer - para todos os seres humanos, a vida e a missão de Jesus de Nazaré são uma referência fundamental.

Concluo com as palavras do saudoso Papa Francisco

“Soube que são muitos na Igreja aqueles e aquelas que se sentem mais próximos dos Movimentos Populares. Muito me alegro por isso! Ver a Igreja com as portas abertas a todos vocês, que se envolve, acompanha e consegue sistematizar em cada Diocese, em cada Comissão ‘Justiça e Paz’, uma colaboração real, permanente e comprometida com os Movimentos Populares (2º Encontro Mundial dos Movimentos Populares. Santa Cruz de la Sierra - Bolívia, 09/07/2015).

Por fim, desejo a todos e todas nós uma votação consciente! A caminhada continua!





Marcos Sassatelli, Frade dominicano
Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP)
Professor aposentado de Filosofia da UFG
E-mail: mpsassatelli@uol.com.br - Cel. e WA: (62) 9 9979 2282

Goiânia, 27 de setembro de 2026



segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Ética estrutural e pessoal nas próximas eleições

 


Nem UDR na Presidência,
nem Operação Triunfo em Goiás
e nem candidatos/as de sua Cia. Ltda.
em outros Estados  

Jesus nos ensina: “Digam apenas ‘sim’, quando é ‘sim’; e ‘não’, quando é ‘não’. O que vocês disserem além disso, vem do Maligno” (Mt. 5,37). E ainda: “Conhecerão a verdade, e a verdade libertará vocês” (Jo 8,32).

Se nas próximas eleições - à luz dessas palavras de Jesus - queremos ser coerentes do ponto de vista humano, cristão (radicalmente humano) e ético (estrutural e pessoal) não devemos votar:

- nem no Ronaldo Caiado da União Democrática Ruralista (UDR), candidato à presidência do Brasil;

- nem no Daniel Vilela - seu aliado e apoiador - candidato ao governo do Estado de Goiás e

- nem no Marconi Perillo, novamente candidato ao governo do Estado de Goiás, responsável (até hoje   

  impune) da diabólica “Operação Triunfo”, no despejo de cerca 14.000 pessoas da Ocupação “Sonho

  Real” no Parque Oeste Industrial, no dia 16 de fevereiro de 2005.

O desrespeito desses políticos, e de muitos outros, para com o povo - trabalhadores e trabalhadoras - é de uma hipocrisia e iniquidade acintosas. São políticos que, por não terem nenhuma vergonha na cara, tratam o povo como se fosse um bando de idiotas.

Daniel Vilela - apesar de ser um candidato ainda jovem - fez uma opção política que é totalmente condenável. Antes de tudo, traiu seu pai Maguito, que historicamente nunca fez aliança com políticos de Organizações criminosas como UDR e outras semelhantes, mas construiu sua trajetória política nas bases tradicionais do MDB e no trabalhismo moderado. 

Em seguida, o candidato adotou uma postura político-partidária totalmente alinhada ao campo mais conservador e contrária aos interesses dos trabalhadores e das trabalhadoras. Trata-se de uma postura de submissão serviçal aos interesses dos poderosos: uma aliança que dá nojo em qualquer pessoa com um mínimo de dignidade humana.

“Continuidade e segurança dão o tom em convenção da base” (O Popular, 6 de agosto de 2026. Manchete, pág. 4). Que pena!

“Ao lançar o slogan ‘futuro seguro’ em evento, Daniel Vilela promete ser o ‘mais fiel e obstinado defensor’ do legado de Caiado; ato evidenciou fissuras no grupo após definição da chapa” (ib.).

Que bajulação vergonhosa! Que falta de dignidade! Com certeza, o pai de Maguito Vilela seria o primeiro a repudiar esse comportamento.

Para presidente do Brasil, governador do Estado de Goiás e dos outros Estados do Brasil, precisamos eleger candidatos e candidatas que estejam realmente do lado do Povo (trabalhadores e trabalhadoras) e lutem para mudar o sistema capitalista, estruturalmente desumano, injusto, antiético e anticristão.

Precisamos construir um Projeto estruturalmente novo de sociedade: um Projeto Social Popular (PSP). Por social entendemos sempre: socioeconômico-político-cultural-religioso popular.  

“Sem amor isto não se compreende”. “Se o amor é eliminado como categoria teológica, categoria ética, econômica e política, perde-se o rumo”. Por isso, “a justiça social - e a ecologia integral - só podem ser compreendidas por meio do amor”, porque “sem amor não somos nada”. E este amor deve ser vivido na vida cotidiana e em cada espaço comunitário: nas relações familiares, socioambientais, políticas, econômicas, culturais e religiosas.

Na ganância do individualismo, prepondera a "lei do mais forte" que justifica primeiro a “indiferença”, depois a “crueldade” e, finalmente, o “extermínio”. Tudo isto “vem do Maligno”.

Papa Francisco destaca, pois, as muitas formas de criminalidade organizada que “crescem nas terras aradas pela pobreza e pela exclusão”: “tráfico de drogas, prostituição infantil, tráfico de Seres humanos e violência brutal dos bairros”.

Este drama deve ser enfrentado: "Sei que vocês - diz Francisco aos Movimentos Sociais Populares - não são polícias, sei que não podem enfrentar diretamente os grupos criminosos", mas "continuem a combater a economia criminosa com a economia popular.  Não desistam...”

(Fonte: https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2024-09/papa-movimentos-populares-sao-calisto-justica-social-amor.html). 



Marcos Sassatelli, frade dominicano
Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP)
Professor aposentado de Filosofia da UFG
E-mail: mpsassatelli@uol.com.br - Cel. e WA: (62) 9 9979 2282

Goiânia, 18 de agosto de 2026


segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Nem União Democrática Ruralista na Presidência e nem Operação Triunfo em Goiás

 


O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou, no dia 2 de março de 2026, a Resolução nº. 23.760, que estabelece o calendário oficial das Eleições de 2026.

Elas ocorrerão no dia 4 de outubro deste ano (1º turno). Serão pessoas eleitas para os cargos de presidente da República, governadores, senadores e deputados federais, estaduais e distritais. Nos casos em que houver necessidade de 2º turno, a votação ocorrerá no dia 25 do mesmo mês.

Votar é - para todos e todas nós - uma grande responsabilidade sociopolítica, humana, ética e cristã.

Em consciência, não podemos votar em candidatos e candidatas que - teórica e praticamente – já provaram que são contra mudanças sociopolíticas estruturais que levem à superação do Sistema

Capitalista Neoliberal: um “sistema econômico iníquo” (Documentos de Aparecida, 385).

Ronaldo Caiado, pré-candidato à presidência, foi um dos fundadores da União Democrática Ruralista (UDR), que teve uma atuação marcante na defesa da propriedade privada e na oposição aos Movimentos Populares. A UDR foi criada em 1985 no contexto de redemocratização e discussões sobre a Reforma Agrária na Constituinte. É uma entidade criminosa que sempre foi contra a Reforma Agrária. Assassinou impunemente muitos trabalhadores/as rurais e seus companheiros/as de militância pelo direito à terra: o direito de viver, morar e trabalhar dignamente.

Ronaldo Caiado, enquanto presidente da UDR, de 1986 a 1989, liderou proprietários de terras contra a Reforma Agrária na Assembleia Constituinte antes de se licenciar para concorrer à Presidência da República. Ele foi responsável por diversos conflitos agrários e episódios de violência no campo contra Movimentos Populares: o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e outros.

Um dos casos mais emblemáticos, ligado diretamente à Presidência da UDR foi o assassinato do trabalhador rural sem-terra Sebastião Camargo de 65 anos, morto com um tiro na cabeça em 7 de fevereiro de 1998 durante uma ação de despejo num acampamento da Fazenda Boa Sorte, no município de Marilena, no noroeste do Paraná.

Marcos Menezes Prochet, ex-presidente da UDR no Paraná, foi acusado de envolvimento na execução do trabalhador. Depois de muitas tramitações e anulações durante décadas, Prochet foi absolvido pelo Tribunal do Júri de Curitiba em maio de 2026. Mais um crime - como muitos outros - até hoje impune.

Entre os companheiros/as de militância dos trabalhadores/as rurais que poderiam ser lembrados, cito o caso do Pe. Josimo Tavares.

Nascido em Marabá (PA) no ano de 1953, Josimo Morais Tavares - devido a uma grande enchente em 1957 - mudou-se com a família para o município de Xambioá (GO). Com 11 anos de idade, ingressou no Seminário Menor Leão XIII, na cidade de Tocantinópolis (TO). Ele também estudou Filosofia em São Paulo e Teologia em Petrópolis.

Retornou ao então norte goiano como padre e, posteriormente, assumiu a coordenação da CPT-TO.

O mártir foi assassinado em Imperatriz (MA), no dia 10 de maio de 1986, a mando de latifundiários da região do Bico do Papagaio, no Tocantins (cf. https://cptnacional.org.br/martir/padre-josimo-tavares-martir-da-terra/).

Padre Josimo Tavares nos deixou o seguinte testemunho: “Nem o medo me detém. É a hora de assumir. Morro por uma justa causa. Agora quero que vocês entendam o seguinte: tudo isto que está acontecendo é uma consequência lógica resultante do meu trabalho, na luta pelos Pobres, em prol do Evangelho que me levou a assumir até as últimas consequências” (ib.).

Relatórios de Entidades de Direitos Humanos e da Comissão Pastoral da Terra apontam que o período de intensas disputas de terra na década de 1990 e início dos anos 2000 registrou dezenas de mortes de trabalhadores rurais em muitos Estados. Os altos índices de impunidade nas investigações envolviam e envolvem até hoje grandes proprietários de terra. Entre muitos outros pré-candidatos nos quais - se confirmados - ninguém deve votar, lembro mais um: o pré-candidato à reeleição para governador do Estado de Goiás, que em 16 de fevereiro de 2005 (então governador) foi o responsável pelo despejo - numa hora e meia - de cerca 14.000 pessoas (4 mil famílias) da Ocupação Sonho Real no Parque Oeste Industrial em Goiânia (GO) da forma mais perversa possível.

O diabólico despejo foi cinicamente chamado “Operação Triunfo”, precedida da chamada “Operação Inquietação”, durante a qual - por uma semana inteira - de meia-noite às 6 horas, a Polícia Militar jogava contra a população naquela Ocupação bombas chamadas de efeito moral (o certo seria dizer, de efeito imoral), assustando as pessoas e traumatizando as crianças.

A operação militar produziu duas vítimas fatais (Pedro e Vagner), 16 feridos à bala, tornando-se um desses paraplégico (Marcelo Henrique) e 800 pessoas detidas (suspeita-se com razão que o número de mortos e feridos tenha sido bem maior).

Marconi Perillo é o principal responsável por esse crime diabólico até hoje impune. E ainda, tem a cara-de-pau de se apresentar novamente como pré-candidato a governador. Dá para entender? Por fim, diante desse quadro de assassinatos e de impunidade - no campo e na cidade – peço que - se confirmados - ninguém vote nos pré-candidatos acima citados e Cia. Ltda. Seria um crime contra os trabalhadores/as rurais e seus companheiros/as, clamando a Deus por justiça.


           
                                                             Foto: Arquivo CPT Nacional 



Marcos Sassatelli, frade dominicano
Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP)
Professor aposentado de Filosofia da UFG
E-mail: mpsassatelli@uol.com.br - Cel. e WA: (62) 9 9979 2282

Goiânia, 03 de agosto de 2026

sexta-feira, 17 de julho de 2026

O deboche de Parlamentares na cara do Povo continua

 


No dia 3 de junho escrevi o artigo “Parlamentares debochando na cara do Povo” (https://freimarcos.blogspot.com/2026/06/parlamentares-debochando-na-cara-do-povo.html).

Infelizmente, o deboche de Parlamentares na cara do Povo continua: na esfera municipal (Vereadores das Câmaras Municipais), na esfera estadual (Deputados das Assembleias Legislativas) e na esfera federal (Deputados Federais e Senadores do Congresso Nacional: Câmara Federal e Senado).

Nesse artigo (continuando o anterior sobre o mesmo assunto) refiro-me aos Deputados/as da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (ALEGO) e aos Vereadores/as da Câmara Municipal de Goiânia, com louváveis exceções.

A respeito da Assembleia Legislativa dos Deputados do Estado de Goiás (ALEGO)

“Caturaí, Simolândia, Santa Rita do Araguaia, Britânia e Fazenda Nova. Sabe o que essas cidades apresentam em comum? Todas elas têm população menor que os 6 mil comissionados (ocupantes de cargos em comissão) da ALEGO” (O Popular, 25/06/26. Manchete da 1ª. página).

Atualmente, “o número de comissionados da ALEGO é maior que a população de 109 municípios goianos” (ib. p. 4). Em maio deste ano, a ALEGO tinha “146 funcionários por parlamentar. Mais de mil foram contratados este ano” (ib. p.1 e 4). É uma farra de uma imoralidade pública - legalizada e institucionalizada - inacreditável. Que vergonha!

Aos deputados e deputadas que estão do lado do Povo faço um pedido: denunciem pública e corajosamente essa farra com dinheiro público desumana, injusta e antiética. Não aceitem participar dela.

A respeito da Câmara dos Vereadores de Goiânia

“Câmara demite servidores e recontrata logo depois. Gastos só este ano chegaram a R$ 2,2 milhões com 237 rescisões de comissionados. Em várias situações, os funcionários voltam em seguida em cargo diferente ou no mesmo” (O Popular, 27-28/06/26. Manchete da 1ª. página).

“Dados da Folha de pagamento de maio mostram que 29 dos 37 Vereadores têm 20 ou mais pessoas em seus gabinetes. A média é de 22. A maior parte dos funcionários diretos dos Vereadores são comissionados, cargos de livre nomeação. Os valores dos salários variam de R$ 1,4 mil a 10,4 mil” (ib. p. 4).

Por fim, pergunto: diante dessa realidade desumana e antievangélica da maior parte da Política Partidária, onde está a denúncia profética da Igreja, das Comunidades e dos cristãos e cristãs?

No 2º Encontro Mundial dos Movimentos Populares - dos quais participam muitos cristãos e cristãs - o Papa Francisco declarou: “Atrevo-me a dizer que o futuro da humanidade está, em grande medida, nas mãos de vocês, na capacidade de vocês se organizarem e promoverem alternativas criativas na busca diária dos ‘3 T’ (terra, teto, trabalho) e na participação de vocês como protagonistas nos grandes processos de mudança, regionais, nacionais e mundiais”.

Francisco concentrou-se, pois, no tema das muitas formas de criminalidade organizada que “crescem nas terras aradas pela pobreza e pela exclusão: tráfico de drogas, prostituição infantil, tráfico de Seres humanos e violência brutal dos bairros” (Santa Cruz de la Sierra - Bolívia, 09/07/2015).

Este drama deve ser enfrentado.

Em 20 de setembro de 2024, Francisco encontrou-se mais uma vez com os Representantes dos Movimentos Populares em San Calisto, Sede do Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral, no Vaticano, por ocasião do 10º aniversário do 1º Encontro Mundial dos Movimentos Populares.

Depois de reafirmar o que disse nos três Encontros Mundiais dos Movimentos Populares anteriores, fez um apelo a todos os participantes, entre os quais muitos cristãos e cristãs, desses Movimentos: "continuem a combater a economia criminosa com a economia popular; não desistam”.

É este o caminho que nos leva a construir um novo Projeto de Sociedade e de Mundo - um Projeto Social Popular - onde todos e todas sejam irmãos e irmãs de verdade.



 

Marcos Sassatelli, frade dominicano
Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP)
Professor aposentado de Filosofia da UFG
E-mail: mpsassatelli@uol.com.br - Cel. e WA: (62) 9 9979 2282
Goiânia, 15 de julho de 2026

terça-feira, 16 de junho de 2026

O Ser Humano como Ser de Práxis (5)

 


Vimos que na realidade - social e individualmente falando - a Prática ou Ação humana da classe média (os médios proprietários e os assalariados de alto poder aquisitivo) e da classe trabalhadora (trabalhadores e trabalhadoras ligados diretamente à produção), em sua maioria, é também (do ponto de vista objetivo e não sempre do ponto de vista subjetivo ou intencional) - uma Prática "desde o mesmo", ou seja, uma Prática "comprometida" com o sistema dominante, contribuindo - mesmo inconscientemente - para sustentá-lo (defendê-lo, legitimá-lo) e reproduzi-lo.

A Prática "desde o mesmo" parte de uma visão essencialista e fixista da história; sustenta e reproduz a história (a sociedade e o indivíduo) como totalidade totalizada (fechada, estabelecida), absolutizada e divinizada ("história da totalidade"), e, ao mesmo tempo, em processo de totalização, absolutização e divinização sempre maior ("meta-história da totalidade" ou "história da totalidade" em permanente processo de meta-historicização). Ela "nega" o "outro" como o "diferente", o "distinto", aquele que não faz parte (não integra) essa totalidade, aquele que - para essa totalidade - "não-existe" ("não-é") e, fazendo isso, acaba negando o próprio Ser humano enquanto tal.

Existem fundamentalmente duas maneiras de "negar" o "outro" (como o "diferente", o "distinto"): a primeira, "absorvendo" o "outro" no "mesmo" (enquanto possível, "agradavelmente"); a segunda, excluindo (desconhecendo, desconsiderando, descartando) o "outro" e dizendo que o "outro" "não-existe" ("não-é"). As duas maneiras estão presentes no processo histórico e meta-histórico do Ser humano como um todo, mas - podemos dizer - a primeira "predomina" nos países capitalistas industrializados (desenvolvidos) e a segunda "predomina" nos países capitalistas não-industrializados (subdesenvolvidos, do chamado Terceiro Mundo).

Nos países capitalistas industrializados, a Prática "desde o mesmo" (histórico-social e histórico-individual) se projeta e se processa (acontece) "comprometida" com um modo de fazer história em que a sociedade "absorve", "instrumentaliza" e "mercantiliza" o Ser humano em todos os campos, inclusive no da sexualidade, e não admite nem a possibilidade da existência do "outro" (do "diferente", do "distinto") histórico (social e individual) e meta-histórico (meta-social e meta-individual). Esta sociedade caracteriza-se pelo fim da oposição, pela aliança das classes, pelo totalitarismo, pela manipulação das necessidades e pela doutrinação dos objetos.

Na sociedade industrial desenvolvida, a produção e a distribuição em massa de objetos (produtos, mercadorias) "reivindicam o indivíduo inteiro e a psicologia industrial deixou de há muito de limitar-se à fábrica. Os múltiplos processos de introjeção parecem coisificados em reações quase mecânicas. O resultado não é o ajustamento, mas a mimese: uma identificação imediata do indivíduo com a sua sociedade e, através dela, com a sociedade em seu todo" (MARCUSE, H. A Ideologia da Sociedade Industrial. O Homem unidimensional. Zahar, Rio de Janeiro, 19734, p. 30-31. Para caracterizar a sociedade industrial desenvolvida sigo de perto o pensamento de H. MARCUSE com o qual estou plenamente de acordo).

Essa identificação imediata e automática "é o produto de uma gerência e organização complicadas e científicas" (Ib., p. 31).  Até o "espaço privado" (interior), no qual o Ser humano pode tornar-se e permanecer "ele próprio", se apresenta invadido e desbatado pela realidade tecnológica (Cf. Ib., p. 30).

Inclusive, na sociedade industrial contemporânea, "o progresso técnico e a vida mais confortável permitem a inclusão sistemática de componentes da libido (sexualidade) no campo da produção e troca de mercadorias. Mas, independentemente do quão controlada possa ser a mobilização da energia instintiva (importa às vezes em administração científica da libido), do quanto possa servir de sustentáculo do statu quo - ela é também agradável aos indivíduos administrados, como o é o pilotar uma lancha, empurrar a segadora motorizada no jardim, dirigir o automóvel a grande velocidade" (Ib., p. 84-85). Essa mobilização e administração da libido - que é um processo de dessublimação repressiva (controlada, ajustada, institucionalizada) - traz satisfação, mas, ao mesmo tempo, "gera submissão e enfraquece a racionalidade do protesto" (Ib., p. 85).

A classe trabalhadora, porém, podendo ter como seus "aliados" pessoas da chamada classe média e até de algumas pessoas da classe dominante (dispostas - por uma motivação humana e ética - a fazer o "suicídio de classe") poderá (como veremos) - de acordo com o seu nível de consciência e de organização (Movimentos Sociais Populares, Sindicatos de Trabalhadores e Trabalhadoras, Partifos Políticos Populares e outras Organiações Sociais Populares) - se tornar o sujeito primordial da Práxis prático-teórica (Prática ou Ação humana) "desde o outro", ou seja, da Prática que - a partir dos pobres, empobrecidos, marginalizados, oprimidos, explorados e descatados pelo sistema dominante (dos que "não-são", dos que "não-contam") - leva à construção de uma história socialmente (estruturalmente) e individualmente (subjetivamente) nova.

Como diz o ditado: Povo unido e organizado jamais será vencido! É a nossa esperança. Para os que somos - ou queremos ser - Cristãos e Cristãs (radicalmente Seres humanos) é o Reino de Deus acontecendo na história do Ser Humano no Mundo com o Mundo: a Irmã Mãe Terra Nossa Casa Comum. A luta continua! Vamos em frente!

(Continua no próximo artigo sobre o mesmo tema)

 

Marcos Sassatelli, frade dominicano
Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP)
Professor aposentado de Filosofia da UFG
E-mail: mpsassatelli@uol.com.br - Cel. e WA: (62) 9 9979 2282

Goiânia, 28 de maio de 2026




O artigo foi publicado originalmente em:




domingo, 7 de junho de 2026

Romaria das CEBs em memória do 6º Intereclesial

 


Neste ano de 2026 celebramos 40 anos do 6º Encontro Intereclesial das CEBs, que aconteceu na cidade de Trindade (GO), de 21 a 25 de julho de 1986,

Participaram do 6º Encontro 1647 pessoas, das quais 742 eram representantes das bases, 203 agentes de pastoral, 30 assessores, 51 bispos, 16 representantes de Igrejas evangélicas, 10 representantes dos povos indígenas, 56 observadores latino-americanos, 35 observadores nacionais, 17 observadores de outros países, além do pessoal da imprensa, documentação e equipes de serviço.

O tema escolhido foi: CEBs, Povo de Deus em busca da Terra Prometida, ligado ao tema da Campanha da Fraternidade de 1986 como também provocado pelo agravamento da situação agrária no Brasil (cf. https://cebsdobrasil.com.br/intereclesiais/).

A Arquidiocese de Goiânia - com o apoio de Dom Fernando Gomes dos Santos, seu 1º arcebispo - tinha em 1986 um Secretariado de Pastoral (SPAR) bem organizado e um Plano de Pastoral no qual as CEBs eram a prioridade das prioridades.

À época Dom Fernando escreveu: "O Secretariado da Pastoral Arquidiocesana (SPAR) tem sido o grande centro de convergência e de irradiação de tudo o que se passa na Arquidiocese no campo pastoral... Hoje o SPAR conta com o Coordenador da Pastoral, Frei Marcos Sassatelli, OP que é também Vigário Geral, e com uma extraordinária equipe de sacerdotes, religiosas/os e leigas/os competentes, de rara dedicação e eficiência. No SPAR, funcionam oito Comissões que dinamizam as atividades fundamentais, referentes às prioridades do Plano Pastoral, elaborado em Assembleia Arquidiocesana e constantemente estudado nas reuniões e encontros...” (Veja o depoimento completo na Revista Eclesiástica Brasileira - REB, março de 1985).

Dom Fernando, que dizia ter-se convertido no Concílio Vaticano II (do qual particiou), o SPAR e toda a Arquidiocese acolheram o 6º Intereclesial e, com muito entusiasmo, começaram os preparativos.

Inesperadamente, no dia 1º de junho de 1985 (há 41 anos) Dom Fernando faleceu, ou melhor, fez sua Páscoa definitiva (a plenitude da Páscoa). A partida de Dom Fernando (que certamente continuou e continua presente de outra forma) nos abalou a todos e a todas, principalmente aqueles e aquelas que eram seus colaboradores diretos na Coordenação Pastoral.

Vivemos um período de certa perplexidade por estarmos preocupados e preocupadas com a continuidade da opção pastoral da Arquidiocese. Nesse período, foram tomadas algumas decisões e assumidas algumas posições de maneira um tanto autoritária e antifraternas. Tudo isso é humano e faz parte de nossas limitações.  

Superado esse período, a preparação do Encontro continuou e, ainda em 1985, “foi criada, em nível regional, uma Comissão Ampliada. É significativo assinalar a origem da Ampliada Nacional, constituída nos preparativos do Encontro de Trindade, como grupo de apoio e serviço de preparação à Igreja que sediava o Intereclesial. Sua criação foi uma maneira de se garantir a presença dos Regionais como um trabalho coordenado nacionalmente e de se garantir também a preservação da memória dos Encontros”.

O novo jeito de ser Igreja que caracteriza as CEBs “foi um dos temas de reflexão e aprofundamento que surgiram nesse Encontro. Clodovis Boff destacou três ideias fortes que definiram este novo jeito de ser Igreja: a Palavra de Deus, a participação e a luta. A analogia da roda serviu para ele demonstrar melhor a experiência das Comunidades como conjunto organizado: o eixo é a Palavra de Deus; os raios são os ministérios, as tarefas; o aro são as lutas da Comunidade, que fazem o povo caminhar na história”.

Outro aspecto relevante do 6º Encontro “foi a reflexão sobre a especificidade da luta das mulheres, negros e indígenas. É um marco na caminhada das CEBs, pois se reconhece agora outros planos de opressão social: a racial, a étnica e a de gênero (sexual). Dois outros temas assumirão um lugar de destaque nos Encontros subsequentes: a questão latino-americana e o ecumenismo” (https://cebsdobrasil.com.br/intereclesiais/).

Falou-se muitas vezes no Encontro que a Trindade é a melhor Comunidade. A comunhão entre irmãos e irmãs - iguais em dignidade e valor, mas diferentes nos dons e serviços - é a mensagem central das CEBs.

Lembro, enfim, que Dom Antonio Ribeiro de Oliveira, sucessor de Dom Fernando e novo arcebispo de Goiânia, apoiou e deu continuidade a preparação do 6º Intereclesial. Ele gostava de dizer que se converteu no Encontro de Trindade.

Foi em memória do 6º Encontro, que a Comissão de CEBs da Arquidiocese de Goiânia realizou no dia 30 de maio deste ano de 2026 uma Romaria ao Santuário do Divino Pai Eterno em Trindade (veja a programação no final do texto). Participaram ativamente dessa Romaria cerca de 300 pessoas.

Concluo, afirmando com toda convicção: a proposta de vida de Jesus e das primeiras Comunidades Cristãs - que é hoje a proposta das CEBs - se for bem entendida, é a mais revolucionária que existe. Ela faz o Mundo Novo acontecer, que é um mundo de irmãos e irmãs de verdade: o Reino de Deus na história do Ser humano e da Irmã Mãe Terra Nossa Casa Comum.




Marcos Sassatelli, frade dominicano
Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP)
Professor aposentado de Filosofia da UFG
E-mail: mpsassatelli@uol.com.br - Cel. e WA: (62) 9 9979 2282

                        Goiânia, 06 de maio de 2026


A palavra do Frei Marcos: uma palavra crítica que - a partir de fatos concretos e na escuta dos sinais dos tempos aponta caminhos novos