“Mais de 40% da remuneração
de juízes é de benefícios” (O Popular, 11-12/04/26. Manchete da primeira página).
O Tribunal de Justiça
de Goiás (TJ-GO) “pagou R$ 196 milhões acima do teto constitucional a seus
magistrados em 2025”. “São penduricalhos que vão se acumulando e se empilhando
e que ao final fazem com que o teto constitucional em Goiás e em outros Tribunais
seja meramente decorativo” (Leia a matéria completa no “O Popular”, acima
citado, p. 4).
A
falta de ética e a injustiça são tão despudoradas que provocam
vômito em qualquer pessoa com um mínimo de sensibilidade humana.
Vejam só a “cara-de-pau”
dos juízes: “O TJ-GO e a Associação dos Magistrados do Estado de Goiás (ASMEGO)
argumentam que todos os pagamentos foram feitos de acordo com a legislação”
(ib.).
Se isso for verdade, a
imoralidade é maior ainda por ser uma manifestação concreta do mal moral social
- estrutural (em linguagem filosófica) ou do pecado social - estrutural
(em linguagem teológica).
Pergunto:
1. O próprio nome “Tribunal de Justiça” não é uma mentira?
2. Será que esses magistrados têm condições de fazer “Justiça”?
3. Por que os magistrados não criam penduricalhos (gratificações ou indenizações) para trabalhadores/as que ganham até um salário-mínimo por mês?
Dados do Censo 2022 do IBGE revelam que mais de um terço (35,3%) dos trabalhadores/as brasileiros recebe até um salário-mínimo. Isso equivale a cerca de 34,7 milhões de pessoas.
4. Nessa realidade de injustiça - legalizada e institucionalizada - falar de irmãos e Irmãs não é uma mentira?
5. Por que Jesus de Nazaré não fez aliança com os poderosos de sua época: o Imperador, Pilatos, Herodes, Sumos Sacerdotes e outros?
6. Nossas Igrejas cristãs não traem o verdadeiro sentido do Evangelho (a Boa Notícia de Jesus de Nazaré) quando incorporam, em suas estruturas, comportamentos totalmente antiéticos do Imperialismo, do Escravismo (antigo e moderno), do Feudalismo e do Capitalismo?
7. Não é repugnante ver Igrejas cristãs ou Comunidades dessas Igrejas que - sobretudo em época de eleições - apoiam publicamente políticos que nada têm a ver com a proposta de vida de Jesus de Nazaré?
8. Onde está hoje a dimensão profética das nossas Igrejas cristãs?
A proposta de vida do Evangelho (que é a Boa Notícia de Jesus
de Nazaré), se for bem entendida, é a mais radical e mais revolucionária que
existe. Segundo essa proposta, todos e todas somos filhos e filhas do mesmo
Pai-Mãe, que é Deus, irmãos e irmãs em Cristo, chamados e chamadas - na
diversidade de dons (carismas) e na pluralidade de serviços (ministérios) - a
continuar a missão de Jesus no mundo de hoje.
Nessa proposta de vida do Evangelho não existem classes e nem
hierarquia. Toda Comunidade Cristã de irmãos e irmãs deve ser universal
(católica) e evangélica (radicalmente humana). "Quem segue Jesus Cristo,
ser humano perfeito, torna-se mais ser humano" (Concílio Vat. II. A Igreja
no mundo de hoje - GS 22).
“Ouçam a minha voz e eu serei o Deus de vocês, e vocês serão o meu povo. Andem sempre no caminho
que eu lhes indicar, para que vocês sejam felizes” (Jr 7, 23).
“Senhor, seus
caminhos são justos e
verdadeiros” (Ap 15, 3).
“O Amor de Deus se realiza plenamente em quem
guarda sua Palavra. É assim que reconhecemos
que estamos nele: quem diz que permanece em
Deus deve caminhar como Jesus caminhou” (1Jo 2, 5-6).
E como Jesus caminhou? “Nasceu numa manjedoura como sem-teto. Foi
migrante no Egito. Foi trabalhador carpinteiro. Em sua vida pública, sempre
esteve do e ao lado dos pobres, doentes e necessitados. Foi preso como
subversivo e morreu na cruz como malfeitor.
Jesus venceu a morte, ressuscitou, está vivo e
caminha conosco. "Eu
sou o caminho, a verdade e a vida" (Jo 14, 6). “Eu vim para que todos/as
tenham vida e vida em plenitude” (Jo 10,10). “Onde dois ou três estiverem
reunidos em meu nome, eu estou aí no meio deles” (Mt 18, 20).
Tribunal de Justiça do Estado de Goiás - TJGO
Goiânia - GO – Facebook
Marcos Sassatelli, frade
dominicanoDoutor em Filosofia (USP) e em
Teologia Moral (Assunção - SP)Professor aposentado de
Filosofia da UFGE-mail: mpsassatelli@uol.com.br - Cel. e WA: (62) 9 9979 2282
Goiânia, 20 de abril de 2026








