quinta-feira, 28 de maio de 2026

O Ser Humano como Ser de Práxis (4)

 


(Continua o tema do último artigo sobre o Ser Humano como Ser de Práxis - parte 4)

A Práxis prático-teórica (Prática ou Ação humana) é - para o Ser humano - "o modo de ser-no-mundo (histórica e meta-historicamente) prático-teórico", ou seja, "o modo prático de ser-no-mundo” que - direta ou indiretamente - integra “o modo teórico de ser-no-mundo". A Práxis é entendida aqui como Prática teórica (como Teoria prática, veremos depois), ou seja, como Prática dialeticamente unida à Teoria. A ênfase é colocada na Prática, na Ação como atitude humana concreta frente à realidade.

"A atitude prática não é simplesmente ateórica no sentido de que não tenha nenhuma compreensão do que acontece no mundo. A diferença entre o prático e o teórico não consiste em que o primeiro age e o segundo contempla. A conduta prática, a atitude existencial, possui, certamente, uma compreensão de tudo o que se apresenta dentro do mundo; sua atitude, porém, não é teórica, mas cotidiana, existencial" (DUSSEL, E. Para uma Ética da Libertação latino-americana: I - Acesso ao ponto de partida da Ética, p. 42)

A Práxis prático-teórica (Prática ou Ação humana) comporta sempre certos conhecimentos, como, por exemplo: um conhecimento da realidade na qual se quer atuar (para conservá-la ou transformá-la); um conhecimento dos meios a serem utilizados (as técnicas exigidas em cada Prática ou Ação humana); um conhecimento da experiência feita e elaborada anteriormente, que serve de referencial teórico para determinada atividade; um conhecimento dos objetivos (finalidades) da atividade pela antecipação ideal (intelectual) dos resultados da mesma, que têm de corresponder às condições (necessidades) objetivas da realidade e ao nível de consciência das pessoas envolvidas (cf. VÁSQUEZ, A. Sánchez. Filosofia da Práxis. Paz e Terra, Rio de Janeiro, 1977², p. 240).

A Práxis prático-teórica (Prática ou Ação humana) - por ser histórica e meta-histórica - é sempre "comprometida" e nunca "neutra". Tratamos aqui de um "comprometimento" ou "não-neutralidade" da própria Práxis prático-teórica enquanto tal (em seus aspectos externos e internos); de um "comprometimento" ou "não-neutralidade" práxica (prático-teórica).

Podemos dizer que a Práxis prático-teórica (por ser praxicamente "comprometida" e "não-neutra") é Práxis "desde o mesmo” ou Práxis "desde o outro".

Agora, não vamos fazer nenhum juízo ou valoração ética (veremos isso depois), mas somente analisar e interpretar - "filosofico-teologicamente" - a Práxis prático-teórica "desde o mesmo" ou "desde o outro".

A Práxis prático-teórica "desde o mesmo” (“a partir do mesmo”, "do lugar do mesmo"), é a Prática ou Ação humana que se projeta e se processa (acontece) "comprometida" com o "mesmo" histórico: social (socioeconômico-político-ecológico-cultural-religioso) e individual (corpóreo, biopsíquico, espiritual ou pessoal) e meta-histórico: meta-social e meta-individual.

Em outras palavras, é a Prática ou Ação humana que se projeta e se processa "comprometida" com a "ordem estabelecida" (statu quo), ou seja, com o Sistema vigente, que é hoje o Sistema Capitalista neoliberal ou ultraneoliberal. 

(O Sistema do Socialismo real tornou-se, na realidade, um Capitalismo de Estado. Apesar disso - para a maioria das pessoas, ao menos do ponto de vista socioeconômico - ele tem diversas vantagens sobre o Sistema Capitalista propriamente dito).

No sistema capitalista neoliberal ou ultraneoliberal, o sujeito primordial da Prática ou Ação humana é a classe dominante, proprietária dos grandes meios de produção e detentora do poder econômico, político, ecológico, cultural e religioso.

A classe média é formada pelos médios proprietários e (podemos dizer hoje) pelos assalariados de alto poder aquisitivo.

A classe trabalhadora (ligada diretamente à produção) é formada pelos pequenos proprietários, trabalhadores/as autônomos, trabalhadores/as assalariados e - por extensão - toda a classe dos assalariados, prestadora dos mais diferentes serviços.

No sistema capitalista neoliberal ou ultraneoliberal dominante, a classe média e a classe trabalhadora são duas classes socialmente (ou estruturalmente) subordinadas (em maior ou menor grau) aos interesses da classe dominante.

Social e individualmente falando, a Prática da classe média e da classe trabalhadora, em sua maioria, é também - do ponto de vista objetivo e não sempre do ponto de vista subjetivo (intencional) - uma Prática "desde o mesmo", ou seja, uma Prática "comprometida" com o sistema dominante, contribuindo para sustentá-lo (defendê-lo, legitimá-lo) e reproduzi-lo.

Essa é a nossa realidade, mas a esperança nunca morre! A possibilidade de superar e sair dessa situação existe. Cabe às Organizações Sociais Populares (Movimentos Populares, Partidos Políticos Populares, Sindicatos de Trabalhadores/as, Organizações de Mulheres, Entidades de Estudantes, Comissões de Direitos Humanos, Comissões de Justiça e Paz e muitas outras) lutarem unidas e organizadas para fazer acontecer um Novo Projeto de Sociedade e de Mundo.

Para os que somos Cristãos e Cristãs, esse Novo Projeto é o próprio Reino de Deus acontecendo no mundo com o mundo: a Irmã Mãe Terra Nossa Casa Comum. Não sejamos omissos! Lutemos unidos/as e organizados/as!

(Continua no próximo artigo sobre o mesmo tema)


Marcos Sassatelli, frade dominicano
Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP)
Professor aposentado de Filosofia da UFG
E-mail: mpsassatelli@uol.com.br - Cel. e WA: (62) 9 9979 2282

Goiânia, 14 de abril de 2026



O artigo foi publicado originalmente em:

https://portaldascebs.org.br/o-ser-humano-como-ser-de-praxis-4/ (18/05/26)


sexta-feira, 15 de maio de 2026

A bandidagem legalizada e institucionalizada continua

 



O “TJ-GO fez 50 pagamentos acima de R$ 200 mil em abril” (O Popular, 12 de maio de 2026. Manchete da 1ª página). “Tribunal gastou R$ 49,6 milhões em indenizações para magistrados no mês, 118% a mais que março. CNJ determinou cumprimento do teto salarial de R$ 46,3 mil” (Ib.).

“Pagamentos do TJ acima de R$ 100 mil são 448 só em abril”. Penduricalhos: “gratificações e indenizações custaram R$ 49,6 milhões no mesmo mês, que teve 50 repasses maiores que R$ 200 mil (Ib. p. 4). Chega! Não dá mais!

A bandidagem legalizada e institucionalizada continua e dá nojo em qualquer pessoa que tem um mínimo de sensibilidade humana. Ninguém acredita que um Tribunal como esse possa ser um “Tribunal de Justiça”. Que justiça é essa!?

Trata-se de uma perversidade permanente e diabolicamente planejada, que é de um cinismo repugnante: um verdadeiro pontapé na cara dos pobres e dos trabalhadores/as que ganham até um salário-mínimo. Não dá para acreditar que um ser humano seja capaz de tamanha injustiça!

Infelizmente, na sociedade capitalista neoliberal, a cadeia só existe para os pobres. Quando - em casos raríssimos - um rico é preso, só se fala em prisão domiciliar e em redução ou perdão da pena. Os pobres não merecem isso. Trata-se de uma sociedade hipócrita e estruturalmente injusta.

Pergunto:  Como vamos enfrentar essa realidade que clama por justiça diante de Deus?

O Supremo Tribunal Federal (STF), composto por 11 ministros:

- Por ser o Guardião da Constituição Federal de 1988, não deveria garantir a supremacia das normas constitucionais e o cumprimento da lei máxima do Brasil?

- Por ser o Foro Privilegiado, não deveria julgar as autoridades, como o Presidente e Vice-Presidente da República, os membros do Congresso Nacional (deputados e senadores), os ministros de Estado e os seus próprios ministros em infrações penais comuns?

- Por ser a última Instância Recursal, não deveria analisar os recursos extraordinários se uma decisão de Tribunais inferiores violasse a Constituição?

- Por ser o Tribunal da Federação, não deveria resolver os conflitos entre os entes federativos         (União, Estados, DF e Municípios)?

E ainda, o STF, por ser a Instância máxima do Poder Judiciário e ter o Controle da Constitucionalidade:

- Não deveria analisar as leis (ou atos normativos) federais e estaduais para ver se estão de acordo com a Constituição? Se não estiverem, não deveria declará-las inconstitucionais e anulá-las?

- Não deveria atuar sempre para manter o equilíbrio entre os Poderes, proteger os direitos fundamentais e proferir sentenças definitivas?

Por fim, em respeito aos trabalhadores e trabalhadoras - não está na hora (ou melhor, não passou da hora) do STF tomar providências urgentes e rápidas a respeito do caso do TJ-GO e outros semelhantes?

(Cf. https://portal.stf.jus.br/textos/verTexto.asp?servico=sobreStfConhecaStfInstitucional)

A luta continua! Esperançar é preciso!

“Senhor, seus caminhos são justos e verdadeiros” (Ap 15,3)

“Ser Cristãos e Cristãs é ser radicalmente Seres Humanos” (Hans Küng)

“Para que toda a humanidade se abra à esperança de um Mundo Novo”

(Oração Eucarística VI-D. - Edição de 1992)

Tribunal de Justiça do Estado de Goiás - TJ-GO


Marcos Sassatelli, frade dominicano
Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP)
Professor aposentado de Filosofia da UFG
E-mail: mpsassatelli@uol.com.br - Cel. e WA: (62) 9 9979 2282

Goiânia, 15 de maio de 2026


quarta-feira, 6 de maio de 2026

O Jesus da Trabalhadora e Trabalhador: o Jesus do Evangelho

 


No 1º de maio/26 celebramos, mais uma vez, o Dia Internacional da Trabalhadora e Trabalhador. No Brasil (como em outros países) as Centrais Sindicais, os Sindicatos de Trabalhadoras e Trabalhadores, os Movimentos Sociais Populares, as Organizações de Mulheres, as Entidades de Jovens Estudantes, os Fóruns ou Comitês de Direitos Humanos, as Comissões de Justiça e Paz e Outras Organizações Populares - unidas e unidos (mesmo com suas diferenças) realizaram Manifestações, que fortaleceram - e continuam fortalecendo - sua vontade de lutar com esperança, que já é certeza de vitória.

Em Goiânia - no 1º de maio/26 - as entidades acima citadas realizaram, no centro da cidade - das 8 às 12 horas - com a participação de cerca mil pessoas (entre as quais me incluo) uma Manifestação muito bonita e significativa.

Em todas as Manifestações do país foram destacadas as questões: do emprego (condenando a exploração estrutural do sistema capitalista e os casos de trabalho escravo), do direito das trabalhadoras e trabalhadores, da democracia popular, da soberania e da vida digna para todas e todos. Foi reivindicada também a votação do fim da escala 6x1 no trabalho.

Como cristão, acredito que - nas Manifestações do 1º de maio/26 - o Jesus da Trabalhadora e Trabalhador, que o Jesus do Evangelho, estava presente e caminhava conosco.

Ora, eu pergunto: quem é o Jesus do Evangelho? De forma muito resumida, respondo: o Jesus do Evangelho é o Jesus que nasceu como Sem-Teto. Maria grávida e José seu esposo tinham ido a Belém para o recenseamento. Chegou a hora de Maria dar à luz. Tudo indica que - ainda no seio de sua mãe Maria e junto com seu pai José - Jesus foi Morador de Rua, pousando debaixo das marquises da cidade de Belém.

Alguém que estava passando ficou com pena da situação e abriu um estábulo para Maria dar à luz. Jesus nasceu numa manjedoura como Sem-Teto. “Não havia lugar para eles dentro de casa” (Lc 2,7). Os que, em primeira mão, receberam a Boa Notícia do nascimento de Jesus foram os Pastores, os Sem-Terra da época. “Eu anuncio a vocês a Boa-Notícia, que será uma grande alegria para todo o povo: hoje, na cidade de Davi, nasceu para vocês um Salvador” (Lc 2,10-11).

Jesus manifestou-se aos Reis Magos, sábios e estudiosos que - vindo do Oriente em busca de sinais da presença de Deus - representavam todos os povos de todas as culturas.

Com sua mãe Maria e seu pai José, Jesus foi migrante no Egito para fugir de Herodes que - obcecado pelo poder - queria matá-lo.

Jesus cresceu, em sabedoria e graça, numa família pobre e - vivendo uma vida simples e anônima - trabalhou por muitos anos como carpinteiro com seu pai José. “Não é este o filho do carpinteiro?” Sua mãe não se chama Maria? (Mt 13,55). “Não é este o carpinteiro?” (Mc 6,3).

Em sua vida pública - anunciando a Boa Notícia do Reino de Deus a todas e todos, mas a partir da manjedoura e de tudo o que ela significa, Jesus - como o Profeta e o Enviado do Pai - sempre foi próximo, compassivo e entranhadamente solidário para com o Povo: os Pobres - doentes, leprosos, sofredores, marginalizados, oprimidos, explorados, descartados - e todos aqueles e aquelas que não tinham voz e não tinham vez na sociedade. “As raposas têm tocas e as aves do céu têm ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde repousar a cabeça” (Mt 8,20).

Pela sua proximidade, compaixão e entranhável solidariedade tornou-se defensor intransigente do Povo; denunciou, com indignação e firmeza, a hipocrisia dos fariseus e doutores da Lei. “Serpentes! Raça de cobras venenosas!” (Mt 23,33).

Dialogou com o jovem rico, que - pelo seu apego aos bens - não teve a coragem (ao menos naquele momento) de segui-lo e foi embora triste (cf. Mt 19,16-26; Mc. 10,17-27; Lc 18,18-30). Encontrou-se com Zaqueu - também homem rico - em sua casa, que se converteu e mudou totalmente de vida, praticando a partilha dos bens (cf. Lc 19,1-10).

A presença de Jesus, anunciando a Boa Notícia do Reino de Deus - que é sua Utopia, seu Projeto de Vida - não deixou e não deixa ninguém indiferente ou em cima do muro. Todas e todos sentiram-se e sentem-se obrigadas e obrigados a tomar uma posição: a favor ou contra. As exigências de Jesus para com suas seguidoras e seguidores, são radicais. Todas e todos, mesmo diferentes, são iguais em dignidade e valor, chamados a viver em Comunidades de irmãs e irmãos de verdade (sem classes). Existe um projeto de vida mais revolucionário do que esse? Não é esse o verdadeiro socialismo e comunismo (ou comunitarismo)?

Jesus celebrou a última Ceia com os discípulos e - depois de lavar seus pés - disse: “Eu vos dei o exemplo para que vocês façam o que eu fiz” (Jo 13,16).

Pelo seu jeito de ser e agir, pela sua pregação, Jesus foi considerado subversivo. “Achamos este homem fazendo subversão entre o nosso povo”. “Ele está provocando revolta entre o povo, com seu ensinamento” (Lc 23,2.5). Diante de Pilatos, Jesus foi acusado de ser um malfeitor. “Se ele não fosse malfeitor, não o teríamos trazido até aqui” (Jo 18,30).

Foi como subversivo e malfeitor que Jesus foi preso e condenado. Morreu na Cruz por amor. “Ele, que tinha amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim(Jo 13,1).

Jesus ressuscitou, está vivo e caminha conosco. “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome (por minha causa e do meu Projeto), eu estou aí no meio deles” (Mt 18,20). “Eu estarei com vocês todos os dias, até o fim dos tempos” (ib. 28,20).

É esse o Jesus do Evangelho, ontem, hoje e sempre. É esse o Jesus que caminha com as Trabalhadoras e Trabalhadores em suas lutas por um Mundo Novo.

Por fim, faço minhas as palavras do Papa Francisco aos representantes dos Movimentos Populares, por ocasião do 10º aniversário do 1º Encontro mundial: "continuem a combater a economia criminosa com a economia popular.  Não desistam...” (20 de setembro de 2024).

Trabalhadoras e Trabalhadores unidos e organizados jamais serão vencidos!


Marcos Sassatelli, frade dominicano
Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP)
Professor aposentado de Filosofia da UFG
E-mail: mpsassatelli@uol.com.br - Cel. e WA: (62) 9 9979 2282

Goiânia, 03 de maio de 2026




quinta-feira, 23 de abril de 2026

Tribunal de Justiça de Goiás: descaradamente injusto



“Mais de 40% da remuneração de juízes é de benefícios” (O Popular, 11-12/04/26. Manchete da primeira página).


O Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO) “pagou R$ 196 milhões acima do teto constitucional a seus magistrados em 2025”. “São penduricalhos que vão se acumulando e se empilhando e que ao final fazem com que o teto constitucional em Goiás e em outros Tribunais seja meramente decorativo” (Leia a matéria completa no “O Popular”, acima citado, p. 4).


A falta de ética e a injustiça são tão despudoradas que provocam vômito em qualquer pessoa com um mínimo de sensibilidade humana.


Vejam só a “cara-de-pau” dos juízes: “O TJ-GO e a Associação dos Magistrados do Estado de Goiás (ASMEGO) argumentam que todos os pagamentos foram feitos de acordo com a legislação” (ib.).


Se isso for verdade, a imoralidade é maior ainda por ser uma manifestação concreta do mal moral social - estrutural (em linguagem filosófica) ou do pecado social - estrutural (em linguagem teológica).


Pergunto:


1.         O próprio nome “Tribunal de Justiça” não é uma mentira?

2.         Será que esses magistrados têm condições de fazer “Justiça”?

3.         Por que os magistrados não criam penduricalhos (gratificações ou indenizações) para trabalhadores/as que ganham até um salário-mínimo por mês?

Dados do Censo 2022 do IBGE revelam que mais de um terço (35,3%) dos trabalhadores/as brasileiros recebe até um salário-mínimo. Isso equivale a cerca de 34,7 milhões de pessoas.

4.         Nessa realidade de injustiça - legalizada e institucionalizada - falar de irmãos e Irmãs não é uma mentira?

5.         Por que Jesus de Nazaré não fez aliança com os poderosos de sua época: o Imperador, Pilatos, Herodes, Sumos Sacerdotes e outros?

6.         Nossas Igrejas cristãs não traem o verdadeiro sentido do Evangelho (a Boa Notícia de Jesus de Nazaré) quando incorporam, em suas estruturas, comportamentos totalmente antiéticos do Imperialismo, do Escravismo (antigo e moderno), do Feudalismo e do Capitalismo?

7.         Não é repugnante ver Igrejas cristãs ou Comunidades dessas Igrejas que - sobretudo em época de eleições - apoiam publicamente políticos que nada têm a ver com a proposta de vida de Jesus de Nazaré?

8.         Onde está hoje a dimensão profética das nossas Igrejas cristãs?

 

A proposta de vida do Evangelho (que é a Boa Notícia de Jesus de Nazaré), se for bem entendida, é a mais radical e mais revolucionária que existe. Segundo essa proposta, todos e todas somos filhos e filhas do mesmo Pai-Mãe, que é Deus, irmãos e irmãs em Cristo, chamados e chamadas - na diversidade de dons (carismas) e na pluralidade de serviços (ministérios) - a continuar a missão de Jesus no mundo de hoje.


Nessa proposta de vida do Evangelho não existem classes e nem hierarquia. Toda Comunidade Cristã de irmãos e irmãs deve ser universal (católica) e evangélica (radicalmente humana). "Quem segue Jesus Cristo, ser humano perfeito, torna-se mais ser humano" (Concílio Vat. II. A Igreja no mundo de hoje - GS 22).


“Ouçam a minha voz e eu serei o Deus de vocês, e vocês serão o meu povo. Andem sempre no caminho que eu lhes indicar, para que vocês sejam felizes” (Jr 7, 23).


“Senhor, seus caminhos são justos e verdadeiros” (Ap 15, 3).


“O Amor de Deus se realiza plenamente em quem guarda sua Palavra. É assim que reconhecemos que estamos nele: quem diz que permanece em Deus deve caminhar como Jesus caminhou” (1Jo 2, 5-6).


E como Jesus caminhou? “Nasceu numa manjedoura como sem-teto. Foi migrante no Egito. Foi trabalhador carpinteiro. Em sua vida pública, sempre esteve do e ao lado dos pobres, doentes e necessitados. Foi preso como subversivo e morreu na cruz como malfeitor.

Jesus venceu a morte, ressuscitou, está vivo e caminha conosco.  "Eu sou o caminho, a verdade e a vida" (Jo 14, 6). “Eu vim para que todos/as tenham vida e vida em plenitude” (Jo 10,10). “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou aí no meio deles” (Mt 18, 20).

                         Tribunal de Justiça do Estado de Goiás - TJGO

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Marcos Sassatelli, frade dominicano
Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP)
Professor aposentado de Filosofia da UFG
E-mail: mpsassatelli@uol.com.br - Cel. e WA: (62) 9 9979 2282

Goiânia, 20 de abril de 2026


quarta-feira, 8 de abril de 2026

Arquidiocese de Goiânia: 70 anos

 


A Arquidiocese de Goiânia foi criada por Pio XII em 26 de março de 1956, junto con a Província Eclesiástica de Goiânia. Sua instalação aconteceu no dia 16 de junho de 1957 (mais de um ano depois), com a presença do Núncio Apostólico no Brasil Dom Armando Lombardi e de Dom Fernando Gomes dos Santos que assumiu o serviço (ministério) de 1º arcebispo.

Em 26 de março deste ano de 2026 (e durante o ano todo) celebramos os 70 anos da criação da Arquidiocese. Fazendo a memória desta data, sinto a necessidade de partilhar com meus irmãos e minhas irmãs algumas reflexões a partir de minha longa experiência eclesial e pastoral na Arquidiocese.

Em 11 de outubro de 1962 - convocado pelo Papa S. João XXIII - teve início o Concílio Vaticano II, que foi encerrado em 8 de dezembro de 1965 pelo Papa S. Paulo VI. Foi realizado na Basílica de São Pedro - no Vaticano - e teve como objetivo a modernização (aggiornamento) da Igreja. No dizer do Papa S. João XXIII - abriu as janelas da Igreja para o mundo.

A Arquidiocese de Goiânia viveu profundamente o clima do Concílio Vaticano II. Cresceu e se desenvolveu como uma Igreja renovada e libertadora (uma Igreja pós-conciliar). Dom Fernando Gomes dos Santos participou do Concílio Vaticano II e gostava de dizer que se converteu no Concílio.

Fazendo a memória dos 70 anos da Arquidiocese de Goiânia, não podemos deixar de lembrar a II Conferência de Medellín (24 de agosto - 6 de setembro de 1968). Seus documentos encarnam os ensinamentos do Concílio Vaticano II na realidade da América Latina e do Caribe.

A Conferência nos ensina que a Comunidade Eclesial de Base (CEB) é “o primeiro e fundamental núcleo eclesial” ou “a célula inicial da estrutura eclesial”, e que a Paróquia é “um conjunto pastoral unificador das Comunidades de Base” (Medellín, XV, 10 e 13). As palavras são claras. Não precisam de explicação. Só não entende quem não quer entender.

No meu trabalho pastoral nas Comunidades da periferia de Goiânia e na Coordenação da Pastoral Arquidiocesana sempre procurei viver o “novo e - ao mesmo tempo - antigo jeito de ser Igreja” das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), que - como ideal a ser perseguido - é o “jeito de toda a Igreja ser” (que é, hoje, o jeito de ser de Jesus de Nazaré e das primeiras Comunidades Cristãs).

Em uma de nossas Assembleias Eclesiais Arquidiocesanas chegamos a elaborar - em forma de documento e de cartilha - um Plano de Pastoral no qual as CEBs eram a prioridade das prioridades.

Numa Comunidade Eclesial de Base (CEB), todos e todas - na diversidade dos dons e serviços (ministérios) - são iguais em dignidade e valor. Não existem classes. Entre as diferenças, a única que realmente nos distingue (sem nos tornar mais importantes) é a profundidade do amor - que só Deus conhece - com o qual colocamos os nossos dons a serviço dos irmãos e irmãs.

As CEBs são Igreja Pobre, a partir dos Pobres, com os Pobres, dos Pobres e para os Pobres. Sendo para os Pobres, é Igreja para todos e todas.

Mesmo profundamente convencido que tudo é graça de Deus, sinto-me honrado com o depoimento de Dom Fernando Gomes dos Santos - do qual fui irmão, amigo e colaborador por 15 anos - a respeito do trabalho pastoral - meu e de outros irmãos e irmãs - na Arquidiocese de Goiânia.

"O Secretariado da Pastoral Arquidiocesana (SPAR) - escreve Dom Fernando - tem sido o grande centro de convergência e de irradiação de tudo o que se passa na Arquidiocese no campo pastoral. Dotado de sede própria, que integra o conjunto Catedral-Cúria Metropolitana-SPAR, no centro da cidade, constitui o ponto mais dinâmico da Arquidiocese. Hoje o SPAR conta com o Coordenador da Pastoral, Frei Marcos Sassatelli, que é também Vigário Geral, e com uma extraordinária equipe de sacerdotes, religiosas/os e leigas/os competentes, de rara dedicação e eficiência. No SPAR, funcionam oito Comissões que dinamizam as atividades fundamentais, referentes às prioridades do Plano Pastoral, elaborado em Assembleia Arquidiocesana e constantemente estudado nas reuniões e encontros. O SPAR produz, também, grande número de boletins e impressos, que são divulgados nas Paróquias da Arquidiocese, principalmente nas Comunidades da periferia, e que são encomendados por outras Igrejas Particulares do Brasil afora. Grande é também o número de cursos ministrados nas Comunidades da capital e do interior" (Veja o depoimento completo na Revista Eclesiástica Brasileira - REB, março de 1985). Parabéns à Arquidiocese de Goiânia pelos 70 anos.

(Veja também o meu artigo: Jubileu de diamante da Arquidiocese de Goiânia, em: https://freimarcos.blogspot.com/2017/06/jubileu-de-diamante-da-arquidiocese-de.html ou em: https://ihu.unisinos.br/publicacoes/78-noticias/568755-jubileu-de-diamante-da-arquidiocese-de-goiania)



Reunião da CEB



Marcos Sassatelli, frade dominicano
Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP)
Professor aposentado de Filosofia da UFG
E-mail: mpsassatelli@uol.com.br - Cel. e WA: (62) 9 9979 2282

Goiânia, 08 de abril de 2026




terça-feira, 31 de março de 2026

Campanha de Irmãos e Irmãs pela Moradia digna

 



Páscoa é Mundo Novo acontecendo

A Campanha da Fraternidade 2026 tem como tema Fraternidade e Moradia e como lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14).

Somente no Brasil “6 milhões de famílias necessitam hoje de uma moradia digna, por estarem em habitação precária, em coabitação ou com aluguel excessivamente caro, o que representa 8,3% dos domicílios existentes no País. Somam-se a elas outras 26 milhões de famílias que moram em situação inadequada: em áreas de risco, sem infraestrutura ou com infraestrutura insuficiente, segregação social, longe de equipamentos públicos e sem as políticas públicas básicas, com forte influência do crime organizado, entre outros. Além disso, existem mais de 300 mil pessoas vivendo na rua, número que cresceu expressivamente nos últimos dez anos” (CF2026. Texto-Base, 30).

Precisamos também “perceber a casa para além das paredes e do teto, ampliando o conceito de moradia e de casa. Ter moradia, mas não ter um lar onde a pessoa possa se sentir segura e, verdadeiramente, ‘em casa’, viola os direitos humanos, impedindo de viver com dignidade, segurança, liberdade e oportunidades. Falar de moradia é também falar de vida, de pertencimento, de afetos, relações, segurança e de esperança” (Religiosos/as Brasileiros/as em Roma - RBR. Mensagem em apoio à CF 2026, 29 de março de 2026).

Precisamos ainda assumir “o desafio de sermos presença solidária onde a vida é ameaçada, especialmente junto às populações em situação de rua, aos moradores de periferias, migrantes e todos aqueles/as mais vulneráveis que lutam diariamente pelo direito de viver com dignidade” (Ib.).

A respeito do direito à moradia digna, a Campanha lembra-nos que “é tarefa da Igreja, como parte de sua missão evangelizadora, denunciar como injustiça e como pecado que clama ao céu a negação e precarização desse direito fundamental e apoiar e fortalecer os Movimentos Populares que lutam por moradia digna” (Texto Base. 163).

Pergunto: será que hoje a Igreja - sobretudo os Padres e os chamados Religiosos/as, que se comprometeram publicamente a viver um projeto de vida cristã radical - está preocupada em assumir essa tarefa como parte de sua missão? Meditemos!

Atualmente, a maioria dos que participam das Paróquias da Igreja gastam 90% do seu tempo para organizar bem a Paróquia internamente e 10% para fazer alguma obra de caridade a fim de ganhar o céu. Para esses cristãos e cristãs, o mundo não existe. Trata-se de “egoísmo religioso” (mesmo que seja em boa fé e com boas intenções).

" Deus amou de tal forma o mundo, que entregou o seu Filho único, para que todo aquele e aquela que Nele crê não morra, mas tenha a Vida eterna" (Jo 3,16)

Pergunto: a Igreja, inclusive nós como cristãos e cristãs, não devemos amar o mundo? Não devemos ser sal da terra, luz do mundo e fermento na massa? Não é isso que Jesus nos pede?

Ele veio morar entre nós” - o lema da Campanha - recorda-nos que Jesus se encarnou por obra do Espírito Santo. Sua mãe Maria era uma mulher simples, do povo e seu pai José era um trabalhador, um carpinteiro. Jesus veio ao mundo para anunciar a Boa Notícia do Reino de Deus aos Pobres.

Qual é o caminho que Jesus escolheu para “morar entre nós”? Ele nasceu como sem-teto na manjedoura de um estábulo. Não havia lugar para José e Maria, grávida de Jesus, dentro de casa. Com seus pais, Maria e José, Jesus foi migrante no Egito para fugir de Herodes que queria matá-lo. Posteriormente, trabalhou por muito tempo como carpinteiro com seu pai José.

Em sua vida pública, Jesus sempre esteve ao lado dos pobres (marginalizados, oprimidos, excluídos e descartados) e dos doentes. Foi preso e condenado como subversivo e malfeitor, morreu na cruz, mas ressuscitou. Ele está vivo e caminha conosco. Todos e todas - embora diferentes - somos irmãos e irmãs em Cristo, iguais em dignidade e valor.

Em nossa realidade de hoje - na diversidade dos dons e serviços - somos chamados e chamadas a seguir Jesus e - neste ano de 2026 - a lutar de maneira especial pelo direito à moradia digna para todos e todas.

Páscoa é vida nova em Cristo,

é vida de ressuscitados e ressuscitadas.

Páscoa é Mundo Novo acontecendo.

Concluo com um esclarecimento: hoje, na prática, a palavra “Fraternidade”, refere-se aos Irmãos e às Irmãs, mas - etimologicamente falando - não deixa de revelar uma cultura machista (“fraternidade” vem do latim “frater”, que quer dizer: irmão; “sororidade” vem do latim “soror”, que quer dizer: irmã). Logicamente falando, deveríamos dizer “Campanha da Fraternidade e Sororidade” ou “Campanha da Irmandade” (Irmãos e Irmãs).

Como irmão e companheiro de caminhada e de luta pelos direitos humanos e de maneira especial - neste ano de 2026 - pelo direito à moradia digna, desejo aos membros do Movimento Mundo Novo e a todos e todas uma Feliz Páscoa. Abraços.


Marcos Sassatelli, frade dominicano
Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP)
Professor aposentado de Filosofia da UFG
E-mail: mpsassatelli@uol.com.br - Cel. e WA: (62) 9 9979 2282

Goiânia, 29 de março de 2026






 


terça-feira, 24 de março de 2026

O Ser Humano como Ser de Práxis (3)

 


Continua o tema do artigo-coluna anterior - parte 3) 

Vimos que a Práxis - por ser “o modo de ser no mundo conscienemente” do Ser humano - é Práxis Histórica e Práxis meta-histórica.

A Práxis histórica é, pois, Práxis social e Práxis individual

A Práxis social (socioeconômico-político-ecológico-cultural-religiosa) ou estrutural (infraestrutural e superestrutural) é "o modo de ser-no-mundo socialmente ou estruturalmente” do Ser humano histórico.

A Práxis individual é "o modo de ser-no-mundo individualmente” do Ser humano histórico: como Opção fundamental (projeto de vida), como Atitudes (hábitos, costumes) e como Atos (ações).

Ora, como ser-no-mundo individualmente significa - para o Ser humano individual - ser-no-mundo corpórea, biopsíquica e espiritualmente ou pessoalmente, a Práxis individual é Práxis corpórea, biopsíquica e espiritual ou pessoal.

A Práxis corpórea é "o modo de ser-no-mundo corporeamente” do Ser humano individual. A Práxis biopsíquica é "o modo de ser-no-mundo biopsiquicamente” do Ser humano individual. A Práxis espiritual ou pessoal é "o modo de ser-no-mundo espiritualmente ou pessoalmente” do Ser humano individual.

A Práxis meta-histórica (meta-social e meta-individual) é "o modo” de ser-no-mundo meta-historicamente (meta-social e meta-individualmente: meta-corpórea, meta-biopsíquica e meta-espiritualmente ou meta-pessoalmente) do Ser humano.

Na Práxis e pela Práxis - que é "projeto" e "processo" histórico permanente - o Ser humano meta-históriciza-se (transcende-se) permanentemente até à plena meta-historicização após a morte.

A Práxis - como "o modo de ser-no-mundo histórica e meta-historicamente” - é, pois, para o Ser humano - Práxis prático-teórica (Prática, Ação) e, ao mesmo tempo, Práxis teórico-prática (Teoria, Conhecimento). Na realidade humana não existe a Prática em si e a Teoria em si. O ser (a identidade) da Prática (praticidade), para ser, depende - em seu ser - do ser da Teoria (teoricidade), e o ser da Teoria, para ser, depende - em seu ser - do ser da Prática (cf. BORNHEIM, A. Gerd. Dialética Teoria Práxis. Ensaio para uma crítica da fundamentação ontológica da Dialética. Globo, Porto Alegre - Rio de Janeiro, 19832, p. 326-327).

Na relação Prática-Teoria, a categoria da causalidade não se aplica de maneira mecanicista, linear e unilateral (a Prática causa a Teoria ou vice-versa), mas de maneira dialética. Todas as determinações reais da Prática e da Teoria desembocam na Práxis, que é como o leito final de um grande rio, que cresce pela afluência e confluência dos riachos e arroios, para desembocar pujante no mar que é o mundo (cf. DUSSEL, E. Para uma Ética da Libertação latino-americana: I- Acesso ao ponto de partida da Ética, p. 88).

Na verdade, a Práxis é atividade prático-teórica e teórico-prática, ou seja, tem um lado prático (material) e um lado teórico (ideal) dialeticamente articulados entre si. É tão unilateral reduzir a Práxis ao elemento prático, como reduzi-la ao elemento teórico (cf. VÁSQUEZ, A. Sánchez. Filosofia da Práxis. Paz e Terra, Rio de Janeiro, 1977², p. 241).

No Ser humano, a relação de unidade dialética entre a Prática e a Teoria pressupõe sua mútua dependência. Isso, todavia, não impede que haja uma certa autonomia (autonomia relativa) entre a Prática e a Teoria, como, aliás, entre todas as suas manifestações concretas.

A Prática e a Teoria, portanto, são "duas formas de comportamento do Ser humano em face da realidade, que se desenvolvem, em estreita unidade, ao longo da história humana" (ib., p. 240-241). Só por um processo de abstração (artificialmente) podemos distinguir (não separar) o momento prático (atividade prática) do momento teórico (atividade teórica). Isso para um maior aprofundamento e compreensão do significado de cada momento e de seu relacionamento mútuo.

É o que faremos em seguida.

(No próximo artigo-coluna, continua o mesmo tema: parte 4)

Marcos Sassatelli, frade dominicano
Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP)
Professor aposentado de Filosofia da UFG
E-mail: mpsassatelli@uol.com.br - Cel. e WA: (62) 9 9979 2282

Goiânia, 17 de fevereiro de 2026





O artigo foi publicado originalmente em:

https://portaldascebs.org.br/o-ser-humano-como-ser-de-praxis-3/ (18/03/26)


A palavra do Frei Marcos: uma palavra crítica que - a partir de fatos concretos e na escuta dos sinais dos tempos aponta caminhos novos