segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Nem União Democrática Ruralista na Presidência e nem Operação Triunfo em Goiás

 


O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou, no dia 2 de março de 2026, a Resolução nº. 23.760, que estabelece o calendário oficial das Eleições de 2026.

Elas ocorrerão no dia 4 de outubro deste ano (1º turno). Serão pessoas eleitas para os cargos de presidente da República, governadores, senadores e deputados federais, estaduais e distritais. Nos casos em que houver necessidade de 2º turno, a votação ocorrerá no dia 25 do mesmo mês.

Votar é - para todos e todas nós - uma grande responsabilidade sociopolítica, humana, ética e cristã.

Em consciência, não podemos votar em candidatos e candidatas que - teórica e praticamente – já provaram que são contra mudanças sociopolíticas estruturais que levem à superação do Sistema

Capitalista Neoliberal: um “sistema econômico iníquo” (Documentos de Aparecida, 385).

Ronaldo Caiado, pré-candidato à presidência, foi um dos fundadores da União Democrática Ruralista (UDR), que teve uma atuação marcante na defesa da propriedade privada e na oposição aos Movimentos Populares. A UDR foi criada em 1985 no contexto de redemocratização e discussões sobre a Reforma Agrária na Constituinte. É uma entidade criminosa que sempre foi contra a Reforma Agrária. Assassinou impunemente muitos trabalhadores/as rurais e seus companheiros/as de militância pelo direito à terra: o direito de viver, morar e trabalhar dignamente.

Ronaldo Caiado, enquanto presidente da UDR, de 1986 a 1989, liderou proprietários de terras contra a Reforma Agrária na Assembleia Constituinte antes de se licenciar para concorrer à Presidência da República. Ele foi responsável por diversos conflitos agrários e episódios de violência no campo contra Movimentos Populares: o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e outros.

Um dos casos mais emblemáticos, ligado diretamente à Presidência da UDR foi o assassinato do trabalhador rural sem-terra Sebastião Camargo de 65 anos, morto com um tiro na cabeça em 7 de fevereiro de 1998 durante uma ação de despejo num acampamento da Fazenda Boa Sorte, no município de Marilena, no noroeste do Paraná.

Marcos Menezes Prochet, ex-presidente da UDR no Paraná, foi acusado de envolvimento na execução do trabalhador. Depois de muitas tramitações e anulações durante décadas, Prochet foi absolvido pelo Tribunal do Júri de Curitiba em maio de 2026. Mais um crime - como muitos outros - até hoje impune.

Entre os companheiros/as de militância dos trabalhadores/as rurais que poderiam ser lembrados, cito o caso do Pe. Josimo Tavares.

Nascido em Marabá (PA) no ano de 1953, Josimo Morais Tavares - devido a uma grande enchente em 1957 - mudou-se com a família para o município de Xambioá (GO). Com 11 anos de idade, ingressou no Seminário Menor Leão XIII, na cidade de Tocantinópolis (TO). Ele também estudou Filosofia em São Paulo e Teologia em Petrópolis.

Retornou ao então norte goiano como padre e, posteriormente, assumiu a coordenação da CPT-TO.

O mártir foi assassinado em Imperatriz (MA), no dia 10 de maio de 1986, a mando de latifundiários da região do Bico do Papagaio, no Tocantins (cf. https://cptnacional.org.br/martir/padre-josimo-tavares-martir-da-terra/).

Padre Josimo Tavares nos deixou o seguinte testemunho: “Nem o medo me detém. É a hora de assumir. Morro por uma justa causa. Agora quero que vocês entendam o seguinte: tudo isto que está acontecendo é uma consequência lógica resultante do meu trabalho, na luta pelos Pobres, em prol do Evangelho que me levou a assumir até as últimas consequências” (ib.).

Relatórios de Entidades de Direitos Humanos e da Comissão Pastoral da Terra apontam que o período de intensas disputas de terra na década de 1990 e início dos anos 2000 registrou dezenas de mortes de trabalhadores rurais em muitos Estados. Os altos índices de impunidade nas investigações envolviam e envolvem até hoje grandes proprietários de terra. Entre muitos outros pré-candidatos nos quais - se confirmados - ninguém deve votar, lembro mais um: o pré-candidato à reeleição para governador do Estado de Goiás, que em 16 de fevereiro de 2005 (então governador) foi o responsável pelo despejo - numa hora e meia - de cerca 14.000 pessoas (4 mil famílias) da Ocupação Sonho Real no Parque Oeste Industrial em Goiânia (GO) da forma mais perversa possível.

O diabólico despejo foi cinicamente chamado “Operação Triunfo”, precedida da chamada “Operação Inquietação”, durante a qual - por uma semana inteira - de meia-noite às 6 horas, a Polícia Militar jogava contra a população naquela Ocupação bombas chamadas de efeito moral (o certo seria dizer, de efeito imoral), assustando as pessoas e traumatizando as crianças.

A operação militar produziu duas vítimas fatais (Pedro e Vagner), 16 feridos à bala, tornando-se um desses paraplégico (Marcelo Henrique) e 800 pessoas detidas (suspeita-se com razão que o número de mortos e feridos tenha sido bem maior).

Marconi Perillo é o principal responsável por esse crime diabólico até hoje impune. E ainda, tem a cara-de-pau de se apresentar novamente como pré-candidato a governador. Dá para entender? Por fim, diante desse quadro de assassinatos e de impunidade - no campo e na cidade – peço que - se confirmados - ninguém vote nos pré-candidatos acima citados e Cia. Ltda. Seria um crime contra os trabalhadores/as rurais e seus companheiros/as, clamando a Deus por justiça.


           
                                                             Foto: Arquivo CPT Nacional 



Marcos Sassatelli, frade dominicano
Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP)
Professor aposentado de Filosofia da UFG
E-mail: mpsassatelli@uol.com.br - Cel. e WA: (62) 9 9979 2282

Goiânia, 03 de agosto de 2026

sexta-feira, 17 de julho de 2026

O deboche de Parlamentares na cara do Povo continua

 


No dia 3 de junho escrevi o artigo “Parlamentares debochando na cara do Povo” (https://freimarcos.blogspot.com/2026/06/parlamentares-debochando-na-cara-do-povo.html).

Infelizmente, o deboche de Parlamentares na cara do Povo continua: na esfera municipal (Vereadores das Câmaras Municipais), na esfera estadual (Deputados das Assembleias Legislativas) e na esfera federal (Deputados Federais e Senadores do Congresso Nacional: Câmara Federal e Senado).

Nesse artigo (continuando o anterior sobre o mesmo assunto) refiro-me aos Deputados/as da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (ALEGO) e aos Vereadores/as da Câmara Municipal de Goiânia, com louváveis exceções.

A respeito da Assembleia Legislativa dos Deputados do Estado de Goiás (ALEGO)

“Caturaí, Simolândia, Santa Rita do Araguaia, Britânia e Fazenda Nova. Sabe o que essas cidades apresentam em comum? Todas elas têm população menor que os 6 mil comissionados (ocupantes de cargos em comissão) da ALEGO” (O Popular, 25/06/26. Manchete da 1ª. página).

Atualmente, “o número de comissionados da ALEGO é maior que a população de 109 municípios goianos” (ib. p. 4). Em maio deste ano, a ALEGO tinha “146 funcionários por parlamentar. Mais de mil foram contratados este ano” (ib. p.1 e 4). É uma farra de uma imoralidade pública - legalizada e institucionalizada - inacreditável. Que vergonha!

Aos deputados e deputadas que estão do lado do Povo faço um pedido: denunciem pública e corajosamente essa farra com dinheiro público desumana, injusta e antiética. Não aceitem participar dela.

A respeito da Câmara dos Vereadores de Goiânia

“Câmara demite servidores e recontrata logo depois. Gastos só este ano chegaram a R$ 2,2 milhões com 237 rescisões de comissionados. Em várias situações, os funcionários voltam em seguida em cargo diferente ou no mesmo” (O Popular, 27-28/06/26. Manchete da 1ª. página).

“Dados da Folha de pagamento de maio mostram que 29 dos 37 Vereadores têm 20 ou mais pessoas em seus gabinetes. A média é de 22. A maior parte dos funcionários diretos dos Vereadores são comissionados, cargos de livre nomeação. Os valores dos salários variam de R$ 1,4 mil a 10,4 mil” (ib. p. 4).

Por fim, pergunto: diante dessa realidade desumana e antievangélica da maior parte da Política Partidária, onde está a denúncia profética da Igreja, das Comunidades e dos cristãos e cristãs?

No 2º Encontro Mundial dos Movimentos Populares - dos quais participam muitos cristãos e cristãs - o Papa Francisco declarou: “Atrevo-me a dizer que o futuro da humanidade está, em grande medida, nas mãos de vocês, na capacidade de vocês se organizarem e promoverem alternativas criativas na busca diária dos ‘3 T’ (terra, teto, trabalho) e na participação de vocês como protagonistas nos grandes processos de mudança, regionais, nacionais e mundiais”.

Francisco concentrou-se, pois, no tema das muitas formas de criminalidade organizada que “crescem nas terras aradas pela pobreza e pela exclusão: tráfico de drogas, prostituição infantil, tráfico de Seres humanos e violência brutal dos bairros” (Santa Cruz de la Sierra - Bolívia, 09/07/2015).

Este drama deve ser enfrentado.

Em 20 de setembro de 2024, Francisco encontrou-se mais uma vez com os Representantes dos Movimentos Populares em San Calisto, Sede do Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral, no Vaticano, por ocasião do 10º aniversário do 1º Encontro Mundial dos Movimentos Populares.

Depois de reafirmar o que disse nos três Encontros Mundiais dos Movimentos Populares anteriores, fez um apelo a todos os participantes, entre os quais muitos cristãos e cristãs, desses Movimentos: "continuem a combater a economia criminosa com a economia popular; não desistam”.

É este o caminho que nos leva a construir um novo Projeto de Sociedade e de Mundo - um Projeto Social Popular - onde todos e todas sejam irmãos e irmãs de verdade.



 

Marcos Sassatelli, frade dominicano
Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP)
Professor aposentado de Filosofia da UFG
E-mail: mpsassatelli@uol.com.br - Cel. e WA: (62) 9 9979 2282
Goiânia, 15 de julho de 2026

terça-feira, 16 de junho de 2026

O Ser Humano como Ser de Práxis (5)

 


Vimos que na realidade - social e individualmente falando - a Prática ou Ação humana da classe média (os médios proprietários e os assalariados de alto poder aquisitivo) e da classe trabalhadora (trabalhadores e trabalhadoras ligados diretamente à produção), em sua maioria, é também (do ponto de vista objetivo e não sempre do ponto de vista subjetivo ou intencional) - uma Prática "desde o mesmo", ou seja, uma Prática "comprometida" com o sistema dominante, contribuindo - mesmo inconscientemente - para sustentá-lo (defendê-lo, legitimá-lo) e reproduzi-lo.

A Prática "desde o mesmo" parte de uma visão essencialista e fixista da história; sustenta e reproduz a história (a sociedade e o indivíduo) como totalidade totalizada (fechada, estabelecida), absolutizada e divinizada ("história da totalidade"), e, ao mesmo tempo, em processo de totalização, absolutização e divinização sempre maior ("meta-história da totalidade" ou "história da totalidade" em permanente processo de meta-historicização). Ela "nega" o "outro" como o "diferente", o "distinto", aquele que não faz parte (não integra) essa totalidade, aquele que - para essa totalidade - "não-existe" ("não-é") e, fazendo isso, acaba negando o próprio Ser humano enquanto tal.

Existem fundamentalmente duas maneiras de "negar" o "outro" (como o "diferente", o "distinto"): a primeira, "absorvendo" o "outro" no "mesmo" (enquanto possível, "agradavelmente"); a segunda, excluindo (desconhecendo, desconsiderando, descartando) o "outro" e dizendo que o "outro" "não-existe" ("não-é"). As duas maneiras estão presentes no processo histórico e meta-histórico do Ser humano como um todo, mas - podemos dizer - a primeira "predomina" nos países capitalistas industrializados (desenvolvidos) e a segunda "predomina" nos países capitalistas não-industrializados (subdesenvolvidos, do chamado Terceiro Mundo).

Nos países capitalistas industrializados, a Prática "desde o mesmo" (histórico-social e histórico-individual) se projeta e se processa (acontece) "comprometida" com um modo de fazer história em que a sociedade "absorve", "instrumentaliza" e "mercantiliza" o Ser humano em todos os campos, inclusive no da sexualidade, e não admite nem a possibilidade da existência do "outro" (do "diferente", do "distinto") histórico (social e individual) e meta-histórico (meta-social e meta-individual). Esta sociedade caracteriza-se pelo fim da oposição, pela aliança das classes, pelo totalitarismo, pela manipulação das necessidades e pela doutrinação dos objetos.

Na sociedade industrial desenvolvida, a produção e a distribuição em massa de objetos (produtos, mercadorias) "reivindicam o indivíduo inteiro e a psicologia industrial deixou de há muito de limitar-se à fábrica. Os múltiplos processos de introjeção parecem coisificados em reações quase mecânicas. O resultado não é o ajustamento, mas a mimese: uma identificação imediata do indivíduo com a sua sociedade e, através dela, com a sociedade em seu todo" (MARCUSE, H. A Ideologia da Sociedade Industrial. O Homem unidimensional. Zahar, Rio de Janeiro, 19734, p. 30-31. Para caracterizar a sociedade industrial desenvolvida sigo de perto o pensamento de H. MARCUSE com o qual estou plenamente de acordo).

Essa identificação imediata e automática "é o produto de uma gerência e organização complicadas e científicas" (Ib., p. 31).  Até o "espaço privado" (interior), no qual o Ser humano pode tornar-se e permanecer "ele próprio", se apresenta invadido e desbatado pela realidade tecnológica (Cf. Ib., p. 30).

Inclusive, na sociedade industrial contemporânea, "o progresso técnico e a vida mais confortável permitem a inclusão sistemática de componentes da libido (sexualidade) no campo da produção e troca de mercadorias. Mas, independentemente do quão controlada possa ser a mobilização da energia instintiva (importa às vezes em administração científica da libido), do quanto possa servir de sustentáculo do statu quo - ela é também agradável aos indivíduos administrados, como o é o pilotar uma lancha, empurrar a segadora motorizada no jardim, dirigir o automóvel a grande velocidade" (Ib., p. 84-85). Essa mobilização e administração da libido - que é um processo de dessublimação repressiva (controlada, ajustada, institucionalizada) - traz satisfação, mas, ao mesmo tempo, "gera submissão e enfraquece a racionalidade do protesto" (Ib., p. 85).

A classe trabalhadora, porém, podendo ter como seus "aliados" pessoas da chamada classe média e até de algumas pessoas da classe dominante (dispostas - por uma motivação humana e ética - a fazer o "suicídio de classe") poderá (como veremos) - de acordo com o seu nível de consciência e de organização (Movimentos Sociais Populares, Sindicatos de Trabalhadores e Trabalhadoras, Partifos Políticos Populares e outras Organiações Sociais Populares) - se tornar o sujeito primordial da Práxis prático-teórica (Prática ou Ação humana) "desde o outro", ou seja, da Prática que - a partir dos pobres, empobrecidos, marginalizados, oprimidos, explorados e descatados pelo sistema dominante (dos que "não-são", dos que "não-contam") - leva à construção de uma história socialmente (estruturalmente) e individualmente (subjetivamente) nova.

Como diz o ditado: Povo unido e organizado jamais será vencido! É a nossa esperança. Para os que somos - ou queremos ser - Cristãos e Cristãs (radicalmente Seres humanos) é o Reino de Deus acontecendo na história do Ser Humano no Mundo com o Mundo: a Irmã Mãe Terra Nossa Casa Comum. A luta continua! Vamos em frente!

(Continua no próximo artigo sobre o mesmo tema)

 

Marcos Sassatelli, frade dominicano
Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP)
Professor aposentado de Filosofia da UFG
E-mail: mpsassatelli@uol.com.br - Cel. e WA: (62) 9 9979 2282

Goiânia, 28 de maio de 2026




O artigo foi publicado originalmente em:




domingo, 7 de junho de 2026

Romaria das CEBs em memória do 6º Intereclesial

 


Neste ano de 2026 celebramos 40 anos do 6º Encontro Intereclesial das CEBs, que aconteceu na cidade de Trindade (GO), de 21 a 25 de julho de 1986,

Participaram do 6º Encontro 1647 pessoas, das quais 742 eram representantes das bases, 203 agentes de pastoral, 30 assessores, 51 bispos, 16 representantes de Igrejas evangélicas, 10 representantes dos povos indígenas, 56 observadores latino-americanos, 35 observadores nacionais, 17 observadores de outros países, além do pessoal da imprensa, documentação e equipes de serviço.

O tema escolhido foi: CEBs, Povo de Deus em busca da Terra Prometida, ligado ao tema da Campanha da Fraternidade de 1986 como também provocado pelo agravamento da situação agrária no Brasil (cf. https://cebsdobrasil.com.br/intereclesiais/).

A Arquidiocese de Goiânia - com o apoio de Dom Fernando Gomes dos Santos, seu 1º arcebispo - tinha em 1986 um Secretariado de Pastoral (SPAR) bem organizado e um Plano de Pastoral no qual as CEBs eram a prioridade das prioridades.

À época Dom Fernando escreveu: "O Secretariado da Pastoral Arquidiocesana (SPAR) tem sido o grande centro de convergência e de irradiação de tudo o que se passa na Arquidiocese no campo pastoral... Hoje o SPAR conta com o Coordenador da Pastoral, Frei Marcos Sassatelli, OP que é também Vigário Geral, e com uma extraordinária equipe de sacerdotes, religiosas/os e leigas/os competentes, de rara dedicação e eficiência. No SPAR, funcionam oito Comissões que dinamizam as atividades fundamentais, referentes às prioridades do Plano Pastoral, elaborado em Assembleia Arquidiocesana e constantemente estudado nas reuniões e encontros...” (Veja o depoimento completo na Revista Eclesiástica Brasileira - REB, março de 1985).

Dom Fernando, que dizia ter-se convertido no Concílio Vaticano II (do qual particiou), o SPAR e toda a Arquidiocese acolheram o 6º Intereclesial e, com muito entusiasmo, começaram os preparativos.

Inesperadamente, no dia 1º de junho de 1985 (há 41 anos) Dom Fernando faleceu, ou melhor, fez sua Páscoa definitiva (a plenitude da Páscoa). A partida de Dom Fernando (que certamente continuou e continua presente de outra forma) nos abalou a todos e a todas, principalmente aqueles e aquelas que eram seus colaboradores diretos na Coordenação Pastoral.

Vivemos um período de certa perplexidade por estarmos preocupados e preocupadas com a continuidade da opção pastoral da Arquidiocese. Nesse período, foram tomadas algumas decisões e assumidas algumas posições de maneira um tanto autoritária e antifraternas. Tudo isso é humano e faz parte de nossas limitações.  

Superado esse período, a preparação do Encontro continuou e, ainda em 1985, “foi criada, em nível regional, uma Comissão Ampliada. É significativo assinalar a origem da Ampliada Nacional, constituída nos preparativos do Encontro de Trindade, como grupo de apoio e serviço de preparação à Igreja que sediava o Intereclesial. Sua criação foi uma maneira de se garantir a presença dos Regionais como um trabalho coordenado nacionalmente e de se garantir também a preservação da memória dos Encontros”.

O novo jeito de ser Igreja que caracteriza as CEBs “foi um dos temas de reflexão e aprofundamento que surgiram nesse Encontro. Clodovis Boff destacou três ideias fortes que definiram este novo jeito de ser Igreja: a Palavra de Deus, a participação e a luta. A analogia da roda serviu para ele demonstrar melhor a experiência das Comunidades como conjunto organizado: o eixo é a Palavra de Deus; os raios são os ministérios, as tarefas; o aro são as lutas da Comunidade, que fazem o povo caminhar na história”.

Outro aspecto relevante do 6º Encontro “foi a reflexão sobre a especificidade da luta das mulheres, negros e indígenas. É um marco na caminhada das CEBs, pois se reconhece agora outros planos de opressão social: a racial, a étnica e a de gênero (sexual). Dois outros temas assumirão um lugar de destaque nos Encontros subsequentes: a questão latino-americana e o ecumenismo” (https://cebsdobrasil.com.br/intereclesiais/).

Falou-se muitas vezes no Encontro que a Trindade é a melhor Comunidade. A comunhão entre irmãos e irmãs - iguais em dignidade e valor, mas diferentes nos dons e serviços - é a mensagem central das CEBs.

Lembro, enfim, que Dom Antonio Ribeiro de Oliveira, sucessor de Dom Fernando e novo arcebispo de Goiânia, apoiou e deu continuidade a preparação do 6º Intereclesial. Ele gostava de dizer que se converteu no Encontro de Trindade.

Foi em memória do 6º Encontro, que a Comissão de CEBs da Arquidiocese de Goiânia realizou no dia 30 de maio deste ano de 2026 uma Romaria ao Santuário do Divino Pai Eterno em Trindade (veja a programação no final do texto). Participaram ativamente dessa Romaria cerca de 300 pessoas.

Concluo, afirmando com toda convicção: a proposta de vida de Jesus e das primeiras Comunidades Cristãs - que é hoje a proposta das CEBs - se for bem entendida, é a mais revolucionária que existe. Ela faz o Mundo Novo acontecer, que é um mundo de irmãos e irmãs de verdade: o Reino de Deus na história do Ser humano e da Irmã Mãe Terra Nossa Casa Comum.




Marcos Sassatelli, frade dominicano
Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP)
Professor aposentado de Filosofia da UFG
E-mail: mpsassatelli@uol.com.br - Cel. e WA: (62) 9 9979 2282

                        Goiânia, 06 de maio de 2026


Parlamentares debochando na cara do Povo





Em 20 de abril, escrevi o artigo “Tribunal de Justiça de Goiás: descaradamente injusto”, denunciando as injustiças despudoradas do TJ-GO.

 

Lamentavelmente, no TJ-GO a prática da injustiça continua. “Uma auditoria determinada pela Corregedoria Nacional de Justiça, órgão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) apontou R$ 35 milhões em pagamentos indevidos nas folhas do pessoal de março, abril e maio de magistrados ativos e inativos do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO). O montante é relacionado a itens como verbas retroativas vedadas, passivos funcionais acima do limite mensal e indenização de férias maior que o teto legal” (O Popular, 22/05/26, p. 6).

 

Infelizmente, no Poder Público, a prática despudorada da injustiça em benefício próprio não acontece somente no TJ-GO, mas é bastante comum.

 

Cito mais um caso do Estado de Goiás (nos outros Estados do Brasil e até nos outros países não é muito diferente).

 

“A Assembleia Legislativa de Goiás (ALEGO) atinge 5.874 cargos de livre nomeação: 143 por deputado. Estrutura supera números da Câmara dos Deputados, onde o máximo é de 25 cargos de confiança por congressista” (O Popular, 25/05/26, p. 6).

 

“Reportagem publicada pela Folha de S. Paulo mostrou que a ALEGO tem 14 comissionados para cada um dos 41 deputados estaduais. Com o resultado, o Legislativo de Goiás registrou a maior relação entre parlamentares e comissionados do País. A matéria destacou que o prédio da ALEGO tem gabinetes de 100 metros quadrados para cada parlamentar. Diante disso, caso todos fossem trabalhar ao mesmo tempo, cada funcionário teria menos de um metro quadrado de espaço” (O Popular, 29/05/26, p. 4).

 

E ainda: “A ALEGO pagou R$ 36,8 milhões a comissionados em abril” (Ib. Manchete da 1ª página). Que absurdo! Quanta malandragem!  

 

Diante dessa situação de imoralidade pública, que grita por justiça diante de Deus, pessoalmente, o que mais me dói é o silêncio e a omissão dos parlamentares que estão (ao menos, dizem que estão) do lado do povo pobre, explorado e descartado.

Pelo amor de Deus, não tenham medo, denunciem publicamente essa prática perversa e imoral. Não a aceitem em hipótese alguma. Sejam coerentes.

 

De um lado, é verdade que “os seres humanos fazem sua própria história, mas não a fazem como querem; não a fazem sob circunstâncias de sua escolha e sim sob aquelas com que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado” (MARX, Karl. O 18 Brumário de Luis Bonaparte, Rio de Janeiro: Paz e Terra, 5ª edição, 1986, p. 17).

 

De outro lado, é verdade também que aqueles e aquelas que acreditam num projeto de sociedade estruturalmente novo, um projeto igualitário de irmãos e irmãs: humano, ético, justo e comunitário (socialista e comunista no verdadeiro sentido da palavra), não podem deixar de anunciá-lo e testemunhá-lo publicamente sem barganhas e falsas alianças com aqueles e aquelas que defendem o projeto capitalista neoliberal ou ultraneoliberal, estruturalmente desumano, antiético e injusto.

 

A palavra “aliança”, que significa “comunhão de projetos”, foi muito banalizada, sobretudo na política partidária. Entre aqueles/as que defendem o projeto capitalista de sociedade e aqueles/as que lutam por um projeto alternativo de sociedade - igualitário e comunitário - não pode haver alianças. O máximo possível são acordos pontuais para resolver ou amenizar situações emergenciais que não podem esperar um novo projeto de sociedade com mudanças estruturais.

 

Lembremo-nos: os cristãos e as cristãs somos chamados e chamadas a ser “radicalmente seres humanos” (Hans Kung).

 

"Todo aquele e aquela que segue Cristo, o Ser humano perfeito, torna-se ele e ela também mais Ser humano" (GS 41). "A fé esclarece todas as coisas com luz nova. Manifesta o plano divino sobre a vocação integral do Ser humano. E por isso orienta a mente para soluções plenamente humanas" (GS 11). Reparem: o texto não diz “soluções não somente naturais, mas também sobrenaturais” (visão dualista da vida humana), mas diz “soluções plenamente humanas”.

 

“O mistério do Ser humano só se torna claro verdadeiramente no mistério do Verbo encarnado”. Cristo “revela o Ser humano ao próprio Ser humano e lhe descobre a sua sublime vocação” (GS 22). O plenamente humano, para os cristãos e cristãs, inclui a dimensão da fé.

 

O ser humano é também natureza (Irmã Mãe Terra Nossa Casa Comum), é a parte pensante da natureza e a natureza é também ser humano. O verdadeiro humanismo é um humanismo plenamente natural e - ao mesmo tempo - um naturalismo plenamente humano. Meditemos! Que assim seja!

 

Em tempo: No dia 1º de junho deste ano de 2026, completaram 41 anos da Páscoa plena e definitiva de Dom Fernando Gomes dos Santos, primeiro arcebispo da Arquidiocese de Goiânia. Ele foi um verdadeiro profeta, que lutou com coragem “sem violência e sem medo” contra a ditadura civil-militar, por uma sociedade mais justa de irmãos e irmãs e - ao mesmo tempo - por uma Igreja pós-conciliar renovada e libertadora à luz da Conferência de Medellín. Em Assembleia Geral da Arquidiocese, as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) tornaram-se a prioridade das prioridades do Plano de Pastoral. Por diversos anos tive a alegria de ser amigo e colaborador dele como pessoa de total confiança no serviço de Coordenador da Pastoral e Vigário Geral da Arquidiocese de Goiânia. Por isso, sei também de quanto ele sofreu (sofrendo junto com ele) na sociedade e na própria Igreja. Dom Fernando, presente!

(Veja o Artigo: https://freimarcos.blogspot.com/2026/04/arquidiocese-de-goiania-70-anos.html)




ALEGO - Atividades parlamentares da semana 30/05/2026 a 03/06/2026   


Marcos Sassatelli, frade dominicano
Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP)
Professor aposentado de Filosofia da UFG
E-mail: mpsassatelli@uol.com.br - Cel. e WA: (62) 9 9979 2282

                        Goiânia, 03 de maio de 2026


quinta-feira, 28 de maio de 2026

O Ser Humano como Ser de Práxis (4)

 


(Continua o tema do último artigo sobre o Ser Humano como Ser de Práxis - parte 4)

A Práxis prático-teórica (Prática ou Ação humana) é - para o Ser humano - "o modo de ser-no-mundo (histórica e meta-historicamente) prático-teórico", ou seja, "o modo prático de ser-no-mundo” que - direta ou indiretamente - integra “o modo teórico de ser-no-mundo". A Práxis é entendida aqui como Prática teórica (como Teoria prática, veremos depois), ou seja, como Prática dialeticamente unida à Teoria. A ênfase é colocada na Prática, na Ação como atitude humana concreta frente à realidade.

"A atitude prática não é simplesmente ateórica no sentido de que não tenha nenhuma compreensão do que acontece no mundo. A diferença entre o prático e o teórico não consiste em que o primeiro age e o segundo contempla. A conduta prática, a atitude existencial, possui, certamente, uma compreensão de tudo o que se apresenta dentro do mundo; sua atitude, porém, não é teórica, mas cotidiana, existencial" (DUSSEL, E. Para uma Ética da Libertação latino-americana: I - Acesso ao ponto de partida da Ética, p. 42)

A Práxis prático-teórica (Prática ou Ação humana) comporta sempre certos conhecimentos, como, por exemplo: um conhecimento da realidade na qual se quer atuar (para conservá-la ou transformá-la); um conhecimento dos meios a serem utilizados (as técnicas exigidas em cada Prática ou Ação humana); um conhecimento da experiência feita e elaborada anteriormente, que serve de referencial teórico para determinada atividade; um conhecimento dos objetivos (finalidades) da atividade pela antecipação ideal (intelectual) dos resultados da mesma, que têm de corresponder às condições (necessidades) objetivas da realidade e ao nível de consciência das pessoas envolvidas (cf. VÁSQUEZ, A. Sánchez. Filosofia da Práxis. Paz e Terra, Rio de Janeiro, 1977², p. 240).

A Práxis prático-teórica (Prática ou Ação humana) - por ser histórica e meta-histórica - é sempre "comprometida" e nunca "neutra". Tratamos aqui de um "comprometimento" ou "não-neutralidade" da própria Práxis prático-teórica enquanto tal (em seus aspectos externos e internos); de um "comprometimento" ou "não-neutralidade" práxica (prático-teórica).

Podemos dizer que a Práxis prático-teórica (por ser praxicamente "comprometida" e "não-neutra") é Práxis "desde o mesmo” ou Práxis "desde o outro".

Agora, não vamos fazer nenhum juízo ou valoração ética (veremos isso depois), mas somente analisar e interpretar - "filosofico-teologicamente" - a Práxis prático-teórica "desde o mesmo" ou "desde o outro".

A Práxis prático-teórica "desde o mesmo” (“a partir do mesmo”, "do lugar do mesmo"), é a Prática ou Ação humana que se projeta e se processa (acontece) "comprometida" com o "mesmo" histórico: social (socioeconômico-político-ecológico-cultural-religioso) e individual (corpóreo, biopsíquico, espiritual ou pessoal) e meta-histórico: meta-social e meta-individual.

Em outras palavras, é a Prática ou Ação humana que se projeta e se processa "comprometida" com a "ordem estabelecida" (statu quo), ou seja, com o Sistema vigente, que é hoje o Sistema Capitalista neoliberal ou ultraneoliberal. 

(O Sistema do Socialismo real tornou-se, na realidade, um Capitalismo de Estado. Apesar disso - para a maioria das pessoas, ao menos do ponto de vista socioeconômico - ele tem diversas vantagens sobre o Sistema Capitalista propriamente dito).

No sistema capitalista neoliberal ou ultraneoliberal, o sujeito primordial da Prática ou Ação humana é a classe dominante, proprietária dos grandes meios de produção e detentora do poder econômico, político, ecológico, cultural e religioso.

A classe média é formada pelos médios proprietários e (podemos dizer hoje) pelos assalariados de alto poder aquisitivo.

A classe trabalhadora (ligada diretamente à produção) é formada pelos pequenos proprietários, trabalhadores/as autônomos, trabalhadores/as assalariados e - por extensão - toda a classe dos assalariados, prestadora dos mais diferentes serviços.

No sistema capitalista neoliberal ou ultraneoliberal dominante, a classe média e a classe trabalhadora são duas classes socialmente (ou estruturalmente) subordinadas (em maior ou menor grau) aos interesses da classe dominante.

Social e individualmente falando, a Prática da classe média e da classe trabalhadora, em sua maioria, é também - do ponto de vista objetivo e não sempre do ponto de vista subjetivo (intencional) - uma Prática "desde o mesmo", ou seja, uma Prática "comprometida" com o sistema dominante, contribuindo para sustentá-lo (defendê-lo, legitimá-lo) e reproduzi-lo.

Essa é a nossa realidade, mas a esperança nunca morre! A possibilidade de superar e sair dessa situação existe. Cabe às Organizações Sociais Populares (Movimentos Populares, Partidos Políticos Populares, Sindicatos de Trabalhadores/as, Organizações de Mulheres, Entidades de Estudantes, Comissões de Direitos Humanos, Comissões de Justiça e Paz e muitas outras) lutarem unidas e organizadas para fazer acontecer um Novo Projeto de Sociedade e de Mundo.

Para os que somos Cristãos e Cristãs, esse Novo Projeto é o próprio Reino de Deus acontecendo no mundo com o mundo: a Irmã Mãe Terra Nossa Casa Comum. Não sejamos omissos! Lutemos unidos/as e organizados/as!

(Continua no próximo artigo sobre o mesmo tema)


Marcos Sassatelli, frade dominicano
Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP)
Professor aposentado de Filosofia da UFG
E-mail: mpsassatelli@uol.com.br - Cel. e WA: (62) 9 9979 2282

Goiânia, 14 de abril de 2026



O artigo foi publicado originalmente em:

https://portaldascebs.org.br/o-ser-humano-como-ser-de-praxis-4/ (18/05/26)


sexta-feira, 15 de maio de 2026

A bandidagem legalizada e institucionalizada continua

 



O “TJ-GO fez 50 pagamentos acima de R$ 200 mil em abril” (O Popular, 12 de maio de 2026. Manchete da 1ª página). “Tribunal gastou R$ 49,6 milhões em indenizações para magistrados no mês, 118% a mais que março. CNJ determinou cumprimento do teto salarial de R$ 46,3 mil” (Ib.).

“Pagamentos do TJ acima de R$ 100 mil são 448 só em abril”. Penduricalhos: “gratificações e indenizações custaram R$ 49,6 milhões no mesmo mês, que teve 50 repasses maiores que R$ 200 mil (Ib. p. 4). Chega! Não dá mais!

A bandidagem legalizada e institucionalizada continua e dá nojo em qualquer pessoa que tem um mínimo de sensibilidade humana. Ninguém acredita que um Tribunal como esse possa ser um “Tribunal de Justiça”. Que justiça é essa!?

Trata-se de uma perversidade permanente e diabolicamente planejada, que é de um cinismo repugnante: um verdadeiro pontapé na cara dos pobres e dos trabalhadores/as que ganham até um salário-mínimo. Não dá para acreditar que um ser humano seja capaz de tamanha injustiça!

Infelizmente, na sociedade capitalista neoliberal, a cadeia só existe para os pobres. Quando - em casos raríssimos - um rico é preso, só se fala em prisão domiciliar e em redução ou perdão da pena. Os pobres não merecem isso. Trata-se de uma sociedade hipócrita e estruturalmente injusta.

Pergunto:  Como vamos enfrentar essa realidade que clama por justiça diante de Deus?

O Supremo Tribunal Federal (STF), composto por 11 ministros:

- Por ser o Guardião da Constituição Federal de 1988, não deveria garantir a supremacia das normas constitucionais e o cumprimento da lei máxima do Brasil?

- Por ser o Foro Privilegiado, não deveria julgar as autoridades, como o Presidente e Vice-Presidente da República, os membros do Congresso Nacional (deputados e senadores), os ministros de Estado e os seus próprios ministros em infrações penais comuns?

- Por ser a última Instância Recursal, não deveria analisar os recursos extraordinários se uma decisão de Tribunais inferiores violasse a Constituição?

- Por ser o Tribunal da Federação, não deveria resolver os conflitos entre os entes federativos         (União, Estados, DF e Municípios)?

E ainda, o STF, por ser a Instância máxima do Poder Judiciário e ter o Controle da Constitucionalidade:

- Não deveria analisar as leis (ou atos normativos) federais e estaduais para ver se estão de acordo com a Constituição? Se não estiverem, não deveria declará-las inconstitucionais e anulá-las?

- Não deveria atuar sempre para manter o equilíbrio entre os Poderes, proteger os direitos fundamentais e proferir sentenças definitivas?

Por fim, em respeito aos trabalhadores e trabalhadoras - não está na hora (ou melhor, não passou da hora) do STF tomar providências urgentes e rápidas a respeito do caso do TJ-GO e outros semelhantes?

(Cf. https://portal.stf.jus.br/textos/verTexto.asp?servico=sobreStfConhecaStfInstitucional)

A luta continua! Esperançar é preciso!

“Senhor, seus caminhos são justos e verdadeiros” (Ap 15,3)

“Ser Cristãos e Cristãs é ser radicalmente Seres Humanos” (Hans Küng)

“Para que toda a humanidade se abra à esperança de um Mundo Novo”

(Oração Eucarística VI-D. - Edição de 1992)

Tribunal de Justiça do Estado de Goiás - TJ-GO


Marcos Sassatelli, frade dominicano
Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP)
Professor aposentado de Filosofia da UFG
E-mail: mpsassatelli@uol.com.br - Cel. e WA: (62) 9 9979 2282

Goiânia, 15 de maio de 2026


A palavra do Frei Marcos: uma palavra crítica que - a partir de fatos concretos e na escuta dos sinais dos tempos aponta caminhos novos