Às vésperas do 1º turno das eleições no Brasil, Papa Leão XIV disse de maneira muito clara que “as ideias da extrema direita não representam o verdadeiro cristianismo” e - acrescento eu - nem o verdadeiro humanismo. Na realidade, o cristianismo é um humanismo radical.
É um absurdo e uma falta total de ética votar em pessoas que defendem para o Brasil (e outros Países também) um sistema capitalista perverso, iniquo, injusto e que - para alcançar seus objetivos - estão dispostas, se for necessário, a implantar um regime ditatorial. É o pecado social ou estrutural da nossa sociedade atual.
Infelizmente, no Brasil vivemos hoje numa situação humana, que é de uma maldade diabólica alarmante. Precisamos nos unir e nos organizar ou reorganizar para que - ao lado dos pobres, excluídos e descartados da sociedade e, junto com eles e elas - possamos combater esse “sistema econômico iniquo” (Documento de Aparecida, 385) com todos os meios possíveis.
Queremos caminhar rumo a um Projeto Social Popular (PSP), onde todos e todas tenham condições de vida digna. “Eu vim para que todos/as tenham vida, e a tenham em abundância!” (Jo 10, 10).
(Por “social” entendo socioeconômico-político-ecológico-cultural-religioso).
Como ser humano e como cristão faço um sincero e caloroso apelo aos companheiros/as e irmãos/ãs dos Movimentos Sociais Populares, dos Sindicatos de Trabalhadores e Trabalhadoras, das Organizações de Mulheres, das Entidades de Jovens Estudantes e de todas as Organizações Populares.
As palavras de Bento XIV - acima citadas - nos mostram que, no segundo turno das eleições presidenciais no Brasil (25 de outubro próximo), só tem um caminho para mudar a sociedade e evitar uma catástrofe social. É o caminho dos Movimentos Sociais Populares, dos Sindicatos dos Trabalhadores/as e de todos aqueles/as que estão do lado dos pobres, excluídos e descartados.
Unidos/as e organizados/as vamos seguir esse caminho: é o único que realmente pode mudar a sociedade. Todos e todas somos chamados/as a entrar nesse caminho, inclusive os ricos. Ninguém é excluído. É o caminho do Evangelho. É o caminho de Jesus, hoje.
À época de Jesus, Zaqueu - que era um homem rico - se converteu, devolveu quatro vezes aquilo que tinha roubado (ah, se os ricos de hoje devolvessem quatro vezes aquilo que roubaram, ninguém passaria fome), partilhou seus bens com os pobres e entrou no caminho de Jesus.
O jovem rico - muito apegado aos seus bens - não teve coragem (ao menos naquele momento) de entrar nesse caminho e foi embora triste.
Como cristão e como irmão - para não cometer um pecado de omissão - sinto a necessidade de fazer uma crítica construtiva à CNBB, que representa oficialmente a Igreja Católica no Brasil.
Antes da crítica, reconheço que a CNBB em sua Nota “Mensagem da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil” (17/06/26) reafirma valores humanos e cristãos (radicalmente humanos) fundamentais. Fazer isso periodicamente é positivo, é importante, mas não basta.
A CNBB deve cumprir sua missão profética, escutando os sinais dos tempos (os acontecimentos históricos) e interpretando-os à luz do Evangelho.
A Igreja, “para desempenhar sua missão, a todo momento (reparem: a todo momento), tem o dever de escutar (perscrutar) os Sinais dos Tempos e interpretá-los à luz do Evangelho (ou seja, desde os pobres, na ótica dos pobres), de tal modo que possa responder, de maneira adaptada a cada geração, às interrogações eternas sobre os significados da Vida presente e futura e de suas relações mútuas”.
Por conseguinte, é necessário conhecer e entender o Mundo no qual vivemos, suas esperanças, suas aspirações e sua índole frequentemente dramática" (Con. Vat. II - GS 4).
E ainda: “Como Discípulos e Discípulas de Jesus Cristo, sentimo-nos desafiados/as a discernir os 'Sinais dos Tempos' à luz do Espírito Santo, para nos colocar a serviço do Reino, anunciado por Jesus, que veio ‘para que todos e todas tenham vida e para que a tenham em plenitude' (Jo 10,10)" (Documento de Aparecida - DA 33).
No Brasil, a CNBB (que representa oficialmente a Igreja Católica) periodicamente reafirma princípios e valores humanos e cristãos, mas não escuta os sinais dos tempos à luz do Evangelho, pronuciando-se sobre fatos históricos concretos, como, por exemplo, as eleições políticas para presidente. Agindo dessa forma, comete um pecado de omissão, que tem conseguências sociais gravissimas, sobretudo para os pobres.
Como cristão, faço agora - à luz do Evangelho - a leitura crítica (análise e iterpretação) de um dos sinais dos tempos: o segundo turno das eleições para presidente do Brasil: dia 25 deste mês de outubro.
Dois fatos: LULA, candidato a reeleição para presidente com sua equipe e FLÁVIO BOLSONARO, também candidato à presidente com sua equipe.
Para a nossa escuta dos sinais dos tempos e o nosso discernimento, cito dois exemplos: um do passado e um do presente,
Do passado: entre muitos, lembro Santo Ambrósio de Milão. Ele fechou a porta da Catedral ao Imperador Teodósio I (também conhecido como Teodósio, o Grande) no ano de 390. O bispo barrou a entrada do governante e o excomungou temporariamente após o imperador ordenar o brutal Massacre de Tessalônica, que resultou na morte de milhares de cidadãos inocentes em uma represália militar. Ambrósio exigiu que o homem mais poderoso do Império Romano fizesse uma humilhante penitência pública. Teodósio aceitou a punição, despojou-se de suas vestes imperiais, vestiu trajes de penitente e pediu perdão publicamente antes de ser readmitido na Igreja. E nós - diante das injustiças - temos a coragem de Santo Ambrósio? Meditemos!
Do presente: Lembro as palavras do Papa Leão XIV (já citadas) quando - fazendo a leitura de fatos políticos concretos atuais diz: “as idéias da extrema direita não representam o verdadeiro cristanismo”.
Concordo totalmente com Leão XIV e afirmo: “As idéias da extrema direita de Frávio Bolsonaro e seu grupo político (inclusive, os responsáveis pela trama golpista) não representam o verdadeiro cristanismo”. Quem é cristão/ã, por coerência de vida, não vota nesse grupo político.
POR ISSO, COMO CRISTÃO, EU VOTO NO LULA E SEU GRUPO POLÍTICO E VOCÊ? ACOMPANHE-ME! CRISTÃOS E CRISTÃS, VAMOS SALVAR O BRASIL. NÃO COMETAMOS UM PECADO DE OMISSÃO.






