terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Parem a execução de Moradores de Rua!

Em Goiânia, entre a noite do dia 4 e a madrugada do dia 5 deste mês, foram barbaramente executados mais três Moradores de Rua: Ricardo Jorge Teixeira Figueiredo (o português), de 30 anos e dois outros homens ainda sem identificação.  
O delegado Adriano Costa, adjunto da Delegacia Estadual de Investigações de Homicídios (DIH), disse que não há nenhuma ligação entre os três casos e nenhuma relação com grupo de extermínio, porque cada caso aconteceu de uma forma diversa do outro.
Delegado Adriano, o senhor não acha que assassinar Moradores de Rua, de forma diversa, pode ser proposital (para despistar), provando justamente o contrário daquilo que o senhor diz? Como o senhor tem o despudor de afirmar que se trata de “problemas pontuais”, quando, somente na capital, em pouco mais de um ano, foram executados 44 (ou 48, segundo uma outra fonte) Moradores de Rua?  Se realmente - pelas investigações feitas - a maioria das execuções está ligada ao acerto de contas entre Moradores de Rua e traficantes, o que tem - ou, quem está - por trás de tudo isso? O fato de a DIH se achar na obrigação de dizer - toda vez que acontecem assassinatos de Moradores de Rua - que não existe grupo de extermínio, não suscita muitas desconfianças?
Infelizmente, matar Moradores de Rua tornou-se habitual e Goiânia, em proporção à sua população, ocupa o primeiro lugar no Brasil. É uma situação que clama por justiça diante de Deus!
Apesar de tantas reuniões, de tantas conversas e de tantas promessas, a ineficiência dos Poderes Executivo e Legislativo (Municipal, Estadual e Federal) é assusdora, com a leniência do Judiciário e a omissão do Ministério Público.
Falou-se diversas vezes na federalização dos assassinatos de Moradores de Rua de Goiânia. Segundo a Midia noticiou, alguns pedidos já foram feitos, mas até agora nada de concreto aconteceu e a matança continua.
Diante dos três últimos assassinatos, na manhã do dia 6 do mês corrente, numa reunião extraordinária do Comitê Pop Rua (órgão da Prefeitura de Goiânia, criado para instituir políticas para a População em situação de Rua), com a participação de um representante da Secretaria Nacional de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos da Presidência da República (SDH-PR), foi anunciado que a referida Secretaria encaminhou o pedido ao Superior Tribunal de Justiça (STF) para a federalização das investigações dos crimes. A mesma ação já foi feita junto à Procuradoria-Geral da República (PGR).
A busca de uma solução para os assassinatos dos Moradores de Rua de Goiânia é de urgência urgentíssima. Não dá mais para esperar! O que todos e todas desejamos é que as providências tomadas não fiquem - mais uma vez - só em palavras, mas cheguem, com rapidez, a resultados concretos.
            Em nome da Pastoral do Povo de Rua do Vicariato Oeste da Arquidiocese de Goiânia e, penso poder dizer também, em nome de todos aqueles e aquelas que lutam na defesa dos Direitos Humanos, de maneira especial, da vida dos Moradores de Rua, faço novamente (já fiz no início do mês de abril deste ano) à ministra Maria do Rosário, da SDH-PR, quatro apelos dramáticos:
1.    Que, na Grande Goiânia, os Moradores de Rua sejam incluídos, com a máxima urgência, no Sistema de Proteção a Pessoas Ameaçadas do Governo Federal;
2. Que as investigações das mortes de Moradores de Rua sejam federalizadas imediatamente;
3.    Que os resultados das investigações sejam públicos e amplamente divulgados na Mídia;
4.    Que os responsáveis sejam processados, julgados e condenados com rigor e rapidez.

            Chega de tanta barbárie! Em nome de Deus, parem a execução de Moradores de Rua, nossos irmãos e irmãs! 

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Para que “nossa agenda” seja em favor da Vida [Agenda/Livro Latino-americana Mundial]

“Eu vim para que tenham Vida e a tenham em abundância” (Jo 10, 10)


Logo na primeira página, a Agenda/Livro Latino-americana Mundial, com palavras de extraordinária densidade humana, diz-nos - de modo resumido, mas claro - o que pretende ser e qual é o seu objetivo.

Ela é “sinal de comunhão continental e mundial entre as pessoas e as comunidades que vibram e se comprometem com as Grandes Causas da Patria Grande (América Latina), como resposta aos desafios da Patria Maior (mundo). Um anuário da esperança dos pobres do mundo, a partir da perspectiva latino-americana. Um manual companheiro para ir criando a ‘outra mundialidade’. Uma síntese da memória histórica da militância e do martírio da Nossa América. Uma antologia de solidariedade e criatividade. Uma ferramenta pedagógica para a educação, a comunicação, a ação social ou a pastoral popular. Da Pátria Grande para a Pátria Maior”.

A Agenda/Livro Latino-americana Mundial é uma “luz” que indica “caminhos”, para que “nossa agenda” seja em favor da Vida, da Justiça e da Paz, ou, em outras palavras, em favor do Reino de Deus. Ela pretende divulgar e celebrar os sinais da presença desse Reino entre nós e tudo aquilo que está sendo feito, para que estes sinais se multipliquem sempre mais. Com isso, ela fortalece a nossa esperança e nos faz acreditar que um mundo novo, igual e fraterno, é possível.  

A Agenda/Livro Latino-americana Mundial começou a ser publicada em 1990. Atualmente, ela é traduzida em seis idiomas e distribuída em 22 países. A edição 2014 traz como tema - que é um grande desafio - “Liberdade. Liberdade!”.

José Maria Vigil, apresentando a Agenda/Livro 2014, exlama: “’Liberdade, Liberdade!’. Um grito, uma bandeira, um suspiro, uma utopia perseguida e sonhada ao longo de toda a História Humana...”. Diz ainda: “faltava esse tema na já longa lista de Grandes Causas e grandes temas de reflexão do itinerário de nossa Agenda/Livro. E aqui estamos, frente a frente com ela, como ideal, como caminho, como compromisso de esperança”. 

A Agenda/Livro convida-nos a refletir sobre a liberdade a partir dos empobrecidos, oprimidos e excluídos (os “pequeninos” do Evangelho), ou seja, a partir do reverso da História. É o único caminho que torna possível a liberdade para todos e para todas. 

Na distribuição dos assuntos - tratados, como afirma José Maria Vigil, por autores “de reconhecido espírito latino-americano” - o esquema usado é sempre o do método latino-americano, tripartido: ver-julgar-agir ou analisar-interpretar-libertar. No ver, os autores analisam críticamente diversos aspectos da realidade da América Latina e do mundo. No julgar, interpretam esses aspectos da realidade com argumentos racionais (filosóficos) e argumentos racionais à luz da Fé (teológicos). No agir, indicam caminhos de libertação, que fazem acontecer a verdadeira liberdade. 

Costumamos dizer que o ser humano, enquanto ser racional, é livre. Considerando, porém, que o ser humano é um ser histórico, situado (num determinado lugar) e datado (num determinado tempo), o certo seria dizer que o ser humano tem a possibilidade de ser livre. A liberdade de fato acontece no processo histórico, que é um processo de libertação de tudo aquilo que nos impede de ser livres, em todas as dimensões da vida humana, pessoais, sociais (sócio-econômico-político-culturais-ecológicas) e cósmicas. Nós somos sujeitos desse processo histórico de libertação, mas condicionados ao lugar em que estamos e ao tempo em que vivemos. O ser humano é fruto do meio ambiente e, ao mesmo tempo, faz o meio ambiente.

Na introdução à Agenda/Livro 2014, Dom Pedro Casaldáliga, bispo emérito de São Félix, Mato Grosso, diz que o tema liberdade é abordado “em todas suas dimensões, buscando conhecer e viver a liberdade integral, que tem muitas vertentes, que é um dom e uma conquista”. 

Diz ainda o bispo: “ser livres, tornar-se livres, acolher a liberdade como um processo espiritual e uma vivência política é ir humanizando sempre mais nossa humanidade”.

Mercedes Sosa - relata Dom Pedro - “faz um convite entranhavelmente humano”: “Irmão, dá-me tua mão, vamos juntos buscar uma coisa pequenina, que se chama liberdade”.

Por fim, podemos dizer que a nossa liberdade não termina onde começa a liberdade dos outros e das outras (liberdade em competição), mas a nossa liberdade acontece com a liberdade dos outros e das outras (liberdade em comunhão).

“A verdade os fará livres” (Jo 8, 32). “Cristo nos libertou para que sejamos de fato livres” (Gl 5, 1). 

Um lembrete: no Brasil, a Agenda-Livro Latino-americana Mundial 2014 - lançada em novembro, em diversas cidades do país - pode ser adquirida pelo telefone ou via e-mail. A edição e publicação são de responsabilidade da Comissão Dominicana de Justiça e Paz do Brasil, sediada em Goiânia. Os pedidos devem ser feitos pelo correio eletrônico justpaz@dominicanos.org.br ou pelo telefone (62) 3229.3014, de segunda a sexta-feira, das 13:30 às 17h.

















terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Jovens desafiando jovens [10ª Assembleia do CMI]

A Rede Ecumênica de Juventude (REJU), com sede no Rio de Janeiro, participou - de 30 de outubro a 8 de novembro, na cidade sul-coreana de Busan - da 10ª Assembleia do Conselho Mundial de Igrejas (CMI). O testemunho dos jovens da Rede demonstra consciência crítica, maturidade humana e responsabilidade histórica. É realmente motivo de muita esperança. 

Quero comentar o depoimento de Alexandre Pupo Quintino, que é de uma sensibilidade e capacidade de discernimento extraordinárias. Diz o jovem: “participar de uma Assembleia do Conselho Mundial de Igrejas foi um sonho para mim desde que comecei a me envolver no Movimento Ecumênico. Apesar de saber que o Ecumenismo de verdade acontece na base, nas comunidades, nas paróquias, nos bairros e cidades, a perspectiva global é essencial para o próprio conceito de Ecumenismo”. 

Continua relatando: “durante os últimos 20 dias trabalhei com 120 stewards (articuladores, orientadores, coordenadores). Jovens de todo mundo que, como eu, deixaram suas realidades, ou melhor, trouxeram um pouco delas, para Busan. Aqui nós recebemos formação e tivemos espaços de discussão e compartilhamento; além de trabalharmos na Assembleia. Fui designado para o grupo de Liturgia e Música. Nosso grupo era composto por brasileiros, canadenses, americanos, jamaicanos, coreanos, egípcios, polinésios, finlandeses, alemães, suíços, franceses. Metodistas, batistas, anglicanos, luteranos, ortodoxos, coptas, reformados, unidos”. 

Narra, ainda, Alexandre: “de partida já tivemos muitos desafios culturais e de respeito às diversidades. Imagine pensar em uma celebração que agrade a todos, não ofenda ninguém, e ao mesmo tempo seja significativa. Aí está a beleza do Movimento Ecumênico. Sob o tema ‘Deus da Vida, guia-nos à Justiça e à Paz’, nossas diferenças se tornam pequenas no distanciamento e grandes na beleza da diversidade dos dons de Deus. Cantamos em cantos gregorianos e árabes, oramos em voz alta com os coreanos, cantamos ao ritmo do tango argentino e com os tambores tradicionais da Coreia. A mensagem era uma, apesar das formas diversas. Essa grande diversidade nos lembra do primeiro ponto do tema da Assembleia: Deus da Vida. O nosso Deus é um Deus de Vida. Ele nos deu ela através do seu sopro, se submeteu a ela através do seu Filho e com ela venceu a morte através da Ressurreição. Como cristãos e cristãs, somos convidados a viver essa Vida, esse dom, essa dádiva. As diferentes culturas nos lembram da extensa dimensão desse conceito. A Vida vence a morte, a Vida é maior do que tudo que podemos entender dela, o nosso próprio Deus é Vida”.

O jovem descreve com realismo, mas com muita fé: “nestes dias ouvimos histórias e compartilhamos relatos de situações que afetam nossos contextos e nossas comunidades. Notícias de jornal, tão distantes de nós, como as situações na Síria ou no Paquistão, se tornam muito mais próximas quando as ouvimos direto daqueles que vivem na pele estas situações. Choramos com o relato do Genocídio Armênio, com as histórias do Apartheid na África do Sul, com a situação ainda sem resolução dos nossos irmãos palestinos. Aprendemos sobre questões de gênero e violência contra a mulher, sobre a história da Libéria, sobre a divisão das Coreias”. 

Alexandre faz, pois, um caloroso apelo: “olhando tudo isto, fomos desafiados por esse nosso Deus que é Vida. Sigamos em direção à Justiça e à Paz. A voz profética não terminou com os profetas do Antigo Testamento ou com a Ascensão do Cristo, ela seguiu como um mandamento a todos aqueles que estivessem dispostos ao discipulado de Jesus. Denunciar o pecado da injustiça, da morte, da opressão, da desigualdade, da guerra; e proclamar o ano aceitável, a Justiça, a Paz, a Vida plena, o Reino; é o que une cristãos do mundo inteiro ao Corpo de Cristo. É isso que nos lembra a própria Eucaristia, o Cristo que se faz realmente presente quando há partilha”.

Alexandre relata, ainda, que Olive - uma jovem coreana com a qual tiveram o prazer de conviver nos últimos dias - numa reunião com os stewards do grupo de Liturgia e Música - disse: “Vocês sabem que a sociedade coreana tem muita hierarquia e diferentes formas de tratamento de acordo com a sua idade. Hoje eu me dei conta que estamos trabalhando num comitê junto com dois dos mais famosos regentes da Coréia. Um deles, inclusive, me deu aula. Porém, aqui nos tratamos como iguais, todos dão suas opiniões, as discordâncias são reconhecidas e a igualdade prevalece, parece o Reino de Deus”. 

Que depoimento bonito e significativo! É isso que nos fortalece a todos e todas, e nos incentiva - com esperança, que já é certeza de vitória - a continuar a luta por um Mundo Novo, de justiça, igualdade, fraternidade e amor.

O jovem continua relatando: “em cada encontro e desencontro, oração, culto, conversa e jantar, nós tivemos a oportunidade única de viver essa experiência de diversidade e igualdade, unidade e respeito. Tudo foi muito intenso e vou levar muito tempo para entender o que realmente foi tudo isso, o quanto tudo isso mudou minhas perspectivas, aqueceu minha fé, renovou minha experiência com Deus”. 

Como ao fim de cada viagem, o jovem lembra, pois, do sábio ensinamento do avô: “Em uma viagem, o mais importante não são os lugares que você vai conhecer, as fotos que você vai tirar, mas as pessoas com que você vai encontrar pelo caminho que vão marcar sua vida”. 

Alexandre termina o seu depoimento, dizendo: “esta caminhada ecumênica é como uma grande peregrinação, na qual vamos encontrando pessoas diferentes que podem até se estranhar de princípio, mas que aos poucos se percebem caminhando na mesma direção. Então, os passos começam a entrar no mesmo compasso ao som da canção do Deus da Vida, e é nessa hora que lá no horizonte é possível começar a vislumbrar o Reino de Justiça e Paz. Somos todos peregrinos” (http://www.reju.org.br/noticias-conteudo.asp?cod=1634 - 14/11/13). 

Parabéns, Alexandre! O seu depoimento - que é o testemunho de uma maravilhosa experiência de Vida - é de uma profundidade teológica extraordinária, que, tenho certeza, fará um bem imenso a todos os jovens e a todas as jovens, libertando-os e libertando-as de tudo aquilo que impede a verdadeira Vida e a verdadeira Felicidade. Continue sendo profeta da Vida, sobretudo no meio dos jovens e das jovens! Um outro mundo é possível e necessário! Os jovens e as jovens são seus protagonistas, “no seguimento de Jesus Cristo, na vivência eclesial, e na construção da Vida, da Justiça e da Paz” (CF 2013: Fraternidade e Juventude). “Eis-me aqui, envia-me!” (Is 6, 8). Que o Natal de Jesus 2013 seja, para todos e todas nós, um Novo Natal! 

Leia também o artigo “Deus da Vida guia-nos à Justiça e à Paz” [10ª Assembleia do CMI], em:
http://www.dm.com.br/jornal/#!/view?e=20131122&p=19;
http://site.adital.com.br/site/noticia.php?lang=PT&cod=78785&langref=PT&cat=24.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

“Deus da Vida, guia-nos à Justiça e à Paz” [10ª Assembleia do CMI]

            Assembleia do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), a principal organização ecumênica em nível internacional, que reúne 345 denominações religiosas cristãs - protestantes, evangélicas, anglicanas e ortodoxas - de mais de 110 países e territórios.
            O tema - refletido e debatido na Assembleia de Busan - foi: “Deus da Vida, guia-nos à Justiça e à Paz”. Fez alusão ao primeiro encontro do CMI em Amsterdã, em 1948, que enviou, na época, mensagem às Igrejas e ao mundo destacando o desejo: “nós pretendemos ficar juntos”.
A Mensagem final de Busan de 2013 - um documento que resume as conclusões da Assembleia - convida as Igrejas: "junte-se à Peregrinação da Justiça e da Paz". Demonstrando o sentimento de união e consenso existentes entre as muitas denominações presentes, proclama: “no amor de Jesus Cristo e pela misericórdia do Espírito Santos nós, como uma comunhão dos filhos de Deus, caminhamos juntos para o cumprimento do Reino” e “temos a intenção de caminhar juntos”.
Destaca a experiência da busca da unidade na Coréia, como um sinal de esperança no mundo. "Essa não é a única terra onde as pessoas vivem divididas, na pobreza e na riqueza, felicidade e violência, bem-estar e guerra. Nós não somos autorizados a fechar os olhos para as realidades duras ou para descansar as mãos da obra transformadora de Deus. Como uma irmandade, o CMI está em solidariedade com o povo e as Igrejas na península coreana, e com todos os que lutam pela Justiça e a Paz".
A Mensagem lembra-nos que “o CMI representa cerca de 500 milhões de membros, o maior corpo cristão fora da Igreja Católica, que são motivados nesta iniciativa ecumênica de junção, união e partilha de interesses comuns. Por aqui vemos que, ao mais alto nível oficial, todo o cristianismo está com uma disposição clara para remover o que (ainda) os separa e concentrar-se no que os pode unir”.
Mesmo reconhecendo que a Igreja Católica Romana não é membro do CMI, a Mensagem faz questão de destacar que a Igreja de Roma, em caráter oficial, “participa ativamente no movimento ecumênico” e acrescenta “que não apenas participa ativamente como é o seu principal interessado”.
Com palavras de muita esperança, afirma: “posto isto, e sendo este caminho aprofundado, qual a dificuldade em, finalmente, todos os cristãos se juntarem a Roma ao abrigo das mesmas premissas de justiça, paz, união…? Fica óbvio que nenhuma” (http://www.otempofinal.org/?p=1491;
O papa Francisco, no dia 30 de outubro, enviou uma Mensagem à Assembleia do CMI - intitulada “Periferias existenciais e família” - que foi lida pelo Card. Kurt Koch, presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos. A Mensagem reconhece que “a Assembleia é o órgão de gestão mais importante do CMI, que “é convocada a cada sete anos” e que dela “participam mais de três mil representantes de 345 Igrejas e comunidades eclesiais”.
Lembrando, pois, que “a Assembleia precedente foi realizada em 2006 em Porto Alegre (RS), Francisco reitera “o empenho da Igreja Católica a continuar a cooperação de longa data com o Conselho”, destaca que “o mundo globalizado requer dos cristãos o testemunho do valor da dignidade da pessoa que vem de Deus” e defende “a educação integral dos jovens e uma promoção da pessoa que permita aos indivíduos e às comunidades crescerem em liberdade”.
            O papa Francisco explica que, “em fidelidade ao Evangelho, somos chamados a alcançar todos os que se encontram nas periferias existenciais da sociedade e a levar solidariedade aos irmãos e às irmãs mais vulneráveis”. E cita nomeadamente “os pobres, os deficientes, os nascituros e os doentes, os migrantes e os refugiados, os idosos e os jovens sem emprego”.
Francisco garante, ainda, a sua oração para que “a Assembleia contribua a dar novo impulso vital e nova visão a todos os que estão empenhados na causa sagrada da unidade dos cristãos”.

Termina a Mensagem, dizendo que “o Secretário do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, Dom Brian Farrell, guia a delegação oficial católica, composta por 25 pessoas” e reafirma que “a Igreja Católica, mesmo não sendo membro do CMI, colabora ativamente com o organismo, através principalmente do “Grupo Misto de Trabalho”, instituído em 1965. Por fim, afirma que “a Rádio Vaticano acompanha os trabalhos da Assembleia com a enviada, Philippa Hitchen (BF)” (http://www.news.va/pt/news/periferias-existenciais-e-familia-a-mensagem-do-pa).
Retomando o tema da Semana de Oração para a Unidade dos Cristãos deste ano (12 a 19 de maio) do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC), perguntemo-nos: o que Deus exige de nós?

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

A volta do auxílio-moradia: uma sem-vergonhice parlamentar

Coitados dos deputados estaduais de Goiás! Estão sem moradia! Passam fome! Não têm dinheiro para colocar gasolina no carro! Trabalham exaustivamente em benefício do povo! Que pena! Vamos fazer uma vaquinha para ajudá-los! Eles merecem!

Ironias a parte, quando pensamos que, em matéria de sem-vergonhice, não pode ter mais nada de novo, é aí que nos surpreendemos e ficamos boquiabertos. Parece que, nessa matéria, a esperteza não tem limites. Bem que Jesus alertou: “os filhos deste mundo são mais espertos no trato uns com os outros do que os filhos da luz” (Lc 16,8).

Um exemplo paradigmático dessa sem-vergonhice é a volta do auxílio-moradia dos deputados estaduais de Goiás. Que descaramento! Após oito meses suspenso, o auxílio-moradia - por ato da mesa diretora, publicado no Diário Oficial da Casa em meados do mês passado - voltou a ser pago aos deputados estaduais de Goiás, retroativo a 1º de outubro. Além disso, o valor foi reajustado.e passa a ser de R$ 2.850, que corresponde a 75% do que é pago aos deputados federais. Até janeiro, o valor era de R$ 2.250.

O presidente da Assembleia, Helder Valin (PSDB), justifica a volta do auxílio-moradia, dizendo: “recebi o pedido assinado pelos deputados e enviei para análise da Procuradoria da Casa, que manifestou pela legalidade da concessão do benefício. Administro um colegiado e se o pedido foi feito pela maioria e não há impedimento legal, não posso me opor” (O Popular, 05/11/13, p. 10).

Senhor presidente, a mim e - tenho certeza - a todos os que têm um mínimo de senso ético, pouco importa saber se o auxílio-moradia é legal ou não. Se for legal, a lei é injusta e deve ser mudada. Digo mais: o auxílio-moradia é um deboche, uma afronta aos trabalhadores e um pontapé na cara do povo. É totalmente antiético não só para os deputados que moram na capital, mas também para os que moram no interior.

Os trabalhadores, mesmo os que trabalham na capital e moram no interior, não recebem o auxílio-moradia. Pergunto: os direitos não são iguais? Por que, então, os deputados - no lugar de pensar só nos seus interesses - não elaboram um projeto de lei que institui o auxílio-moradia para todos os trabalhadores que ganham menos de dois salários mínimos? E por que não usar o dinheiro do auxílio-moradia dos parlamentares para implementar políticas públicas em benefício dos Moradores de Rua?

É bom lembrar que, além do auxílio-moradia, os deputados - que recebem um salário aproximado de R$ 20.000 - podem gastar até R$ 23.000 mensais para a manutenção do mandato. É a chamada verba indenizatória. O dinheiro pode ser utilizado, por exemplo, com combustíveis, consultorias, diárias e na produção de materiais gráficos. O auxílio-moradia é realmente uma sem-vergonhice parlamentar! Não tem outro nome mais apropriado para tamanha falcatrua.

Não sei se por convicção ou por conveniência política, até o dia 6 deste mês, dez deputados abriram mão do valor do auxílio-moradia. Parece que, em breve, mais alguns deverão fazer o mesmo. Fiquemos de olho!
Em nome da Lei de Acesso à Informação (nº. 12.527/11), vamos exigir - como já fez a OAB-GO no dia 6 deste mês - a lista completa dos deputados estaduais de Goiás que voltaram a receber o auxílio-moradia, para que seus nomes sejam amplamente divulgados na mídia e para que esses deputados sejam definitivamente banidos da vida pública.

Tudo o que dissemos dos deputados estaduais de Goiás, vale também para os parlamentares de outros Estados e do Governo Federal, que recebem o auxílio-moradia. O pagamento do auxílio-moradia a parlamentares é uma verdadeira farra com dinheiro público.

Estava terminando este escrito, quando - tomado de profunda indignação, que revolveu as minhas entranhas - li a reportagem que relata: “além do salário, do auxílio moradia, da verba indenizatória, da verba de gabinete, dos veículos à disposição e das viagens internacionais (só em viagens internacionais, a Assembleia gastou, em um ano, cerca de R$ 900 mil), os deputados goianos também podem contar com a ajuda de custo para realizar viagens dentro do País. De julho do ano passado até o início de outubro deste ano, 18 parlamentares gastaram R$ 198,2 mil em viagens a diversos Estados brasileiros, com duração de um dia a uma semana. Até para ir a Brasília, com retorno no mesmo dia, deputados receberam ajuda de custo (R$ 500) - embora tenham carro oficial e verba indenizatória para custear despesas com alimentação e combustível” (O Popular, 11/11/13, p. 10).
  
O levantamento da reportagem não considera as viagens dentro do Estado, também pagas pela Casa. Pergunto: por que, então, a verba indenizatória de até R$ 23.000 mensais? Trata-se de um verdadeiro roubo do dinheiro público (Leia a íntegra da reportagem com a lista dos deputados que viajaram á custa do dinheiro público, em: http://www.opopular.com.br/editorias/politica/viagens-custam-quase-r-200-mil-1.425154).

Enfim, veja o absurdo. Estudo da organização Transparência Brasil “concluiu que os parlamentares brasileiros são os mais caros do mundo. Um minuto trabalhado aqui custa R$ 11.545,00 ao contribuinte. Por ano cada senador não sai por menos de R$ 33 milhões. O custo anual de um deputado é de R$ 6 milhões e 600 mil. Os valores gastos com o Congresso causam ainda mais espanto quando comparados a países mais ricos que o Brasil. Se fizermos a média dos custos de deputados e senadores, cada parlamentar no Brasil sai por R$ 10 milhões e 200 mil por ano, quando na Itália é de R$ 3 milhões e 900 mil, França: R$ 2 milhões e 800 mil, Argentina: R$ 1 milhão e 300 mil e Espanha: R$ 850 mil. Esse custo se repete nas Assembleias Legislativas e, o pior exemplo, está em Brasília. Cada um dos deputados distritais custa por ano quase R$ 10 milhões. E os vereadores do Rio e São Paulo cada um sai por pelo menos R$ 5 milhões” (http://cliquepiripiri.com.br/noticias/estudo-parlamentares-brasileiros-sao-os-mais-caros-do-mundo - 13/07/13).

Apesar de tudo o que foi dito, não podemos perder a esperança e, como afirma o papa Francisco, "o desprestígio do trabalho político precisa ser revertido, porque a política é uma forma mais elevada de caridade social. O amor social se expressa no trabalho político para o bem comum" (http://saberepoder57.blogspot.com.br/2013/07/para-meditardez-pensamentos-politicos.html - 27/07/13).

E ainda: “O futuro exige hoje a capacidade de reabilitar a política. Reabilitar a política que é uma das formas mais altas da caridade. O futuro nos exige também uma visão humanista da economia e uma política que leve cada vez mais e melhor a participação das pessoas. Evite o elitismo e erradique a pobreza” (http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2013/07/ou-se-aposta-no-dialogo-ou-todos-perdemos-diz-papa-em-discurso.html - 27/07/13)...

Lutemos para que este ideal - do qual estamos ainda tão longe - se torne realidade.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Comissão Dominicana de Justiça e Paz do Brasil Comentando a Carta Final do 24º Encontro

Nos dias 5 e 6 de outubro aconteceu em Goiânia o 24º Encontro da Comissão Dominicana de Justiça e Paz do Brasil.

A Carta Final - dirigida aos irmãos e irmãs da Família Dominicana do Brasil - começa dizendo: “como irmãos e irmãs de caminhada pela construção da Justiça e Paz, nós, as 66 pessoas participantes deste Encontro, vindos dos Estados do Maranhão, Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte, Tocantins, Pará, Minas Gerais, São Paulo, Paraná e Goiás, nos reunimos (...) para refletirmos sobre nosso trabalho de base e a articulação das ações de Justiça e Paz”.

O Encontro foi assessorado pela Irmã Pompea Bernasconi, religiosa das Irmãs de Nossa Senhora Cônegas de Santo Agostinho.

A Carta, logo no início, afirma: “fomos convidados/as a abrir nossos ouvidos, nossos corações e todo nosso sentimento aos anseios e sofrimentos do povo”. Depois pergunta: “mas, qual a melhor maneira de se ouvir com nitidez? E a resposta é: “a melhor forma de ouvir é estar bem próximo das pessoas, olho no olho, ‘sentindo o cheiro das ovelhas’, tocá-las”. 

A Carta nos lembra que “este foi o método de Jesus. Este deve ser o nosso”. Citando o Documento de Aparecida, afirma: é necessário “que dediquemos tempo aos pobres, prestar a eles amável atenção, escutá-los com interesse, acompanhá-los nos momentos difíceis, escolhê-los para compartilhar horas, semanas ou anos de nossas vidas, e, procurando, a partir deles, a transformação de sua situação” (397). 

Por isso - continua a Carta - “fizemos, em forma de mutirão, uma análise da conjuntura atual para sentir o que o mundo, o país, a cidade, a comunidade estão dizendo. ‘Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!’”.

Nesta análise “foi dada ênfase às manifestações que tomaram as ruas, neste ano”. Perguntamos: “em tempos de crise de trabalho de base e dificuldades mil em mobilizar o povo, como explicar essa ‘explosão de manifestações’”? 

Constatamos que “as explicações foram inúmeras e diversas. Mas, o fato delas terem partido de necessidades concretas (o transporte coletivo, e outras), sem iniciativa específica nem de Partidos Políticos, nem de Igrejas (diferente do que acontecia nos anos 70 e 80), elas têm muito a nos dizer. É necessário ouvi-las com atenção”! 

Do lado eclesial, constatou-se: “surpreendentemente, há esperanças que vêm de Roma, mas com muitos retrocessos nas Igrejas Locais”. 

Enfim, tivemos a fraterna e sábia visita do Frei Humberto, que, vindo em cadeira de rodas, fez questão de nos lembrar: “Vocês são profetas de Deus, profetas da vida”. Perguntamos, pois: “como fazer que nossas instituições eclesiais recuperem a profecia, carregando a bandeira dos anseios que vem dos gritos das ruas”? 

A Carta reconhece que do Encontro “brotaram desafios e orientações significativas”. Foram assim sintetizados:
1. “Precisamos encontrar a porta de entrada para nosso trabalho, diminuir a distância física da base. Conhecer as necessidades sentidas pelo povo. Nem sempre o que eu/nós penso/pensamos é o que povo quer; ouvir seus sonhos, desejos, esperanças, lutas, conquistas. A partir daí, conhecer suas potencialidades, despertar para a defesa e a promoção de sua dignidade e anunciar outro mundo possível, viver a solidariedade; 
2. Fomos provocados/as a nos deter na questão da mulher, que é a verdadeira protagonista no trabalho de base, mas ao mesmo tempo discriminada na sociedade e na nossa Igreja. Se na sociedade, ela vai encontrando seu espaço, mesmo que isso não atinja todas as classes, alcançando o cargo máximo na República, por que em nossa Igreja continua tão fora das instâncias de decisão (as mulheres fortes na base e fracas na hierarquia)?; 
3. Não existe trabalho de base à distância, nem por telefone ou internet, nem só nos finais de semana; 
4. Fazer com o povo, e não para o povo ou pelo povo; 
5. Formar lideranças (que pensem na comunidade) e não líderes individuais (que querem se projetar);
6. Lutar para conseguir um objetivo de cada vez e ir celebrando as pequenas vitórias; 
7. Descobrir novas praças, novas bases, para construir, a partir das ações de Justiça e Paz na ótica dos Direitos Humanos, o outro mundo que sonhamos, e que é possível e urgente. 
8. Recuperar o Jesus histórico, como condição fundamental para o trabalho de base. 
9. Celebrar o Jubileu dos 25 anos de nossa caminhada, garantindo a memória crítico-propositiva”.

A Carta termina dizendo: “agradecidos pela riqueza do Encontro, iniciamos o processo de preparação para o próximo” e estamos “cientes de que o próximo ano (2014) será marcado por comemorações importantes para toda nossa Família Dominicana: 25 anos desta Comissão de Justiça e Paz, 40 anos do martírio de Frei Tito e 500 anos da conversão de Frei Bartolomeu de Las Casas”.

Conclui, fazendo um convite: “a caminho da celebração de 800 anos de caminhada dominicana, convidamos toda a Família Dominicana do Brasil, as pessoas, Comunidades, Movimentos Sociais Populares e outras entidades parceiras a participarem de nosso 25° Encontro (Jubileu de Prata da Comissão Dominicana de Justiça e Paz do Brasil) nos dias 21 e 22 de novembro de 2014, com a participação especial de Frei Timothy Radcliffe, ex Mestre da Ordem Dominicana”.

Desejando que a Família Dominicana do Brasil seja, em sua missão apostólica, sempre mais “profética”, os participantes saudámo-nos com “abraços fraternos e sororais”.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Real Conquista, palco de mentira e demagogia

Em 2012, nesta mesma época, escrevi o artigo Real Conquista, palco de covardia e arrogância. (Leia o artigo em: http://www.dmdigital.com.br/novo/#!/view?e=20121113&p=20 ou http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=71983).

Hoje, reafirmo tudo o que escrevi nesse artigo e acrescento que o Real Conquista tornou-se também palco de mentira e demagogia.
No dia 24 deste mês, em que Goiânia completou 80 anos, o governador Marconi Perillo, logo cedo - como primeiro compromisso de sua agenda - fez uma visita ao Residencial Real Conquista, na Capital, para entregar dois mil cheques Mais Moradia Melhoria, no valor total de R$ 6 milhões. Ele atendeu a todas as pessoas cadastradas pela Agência Goiana de Habitação (AGEHAB), faltando somente, para serem contempladas, cerca de 400 famílias, que ainda não concluíram seus cadastros.
Estiveram também presentes no evento o secretário chefe da Casa Civil, Vilmar Rocha; o coordenador geral da OVG, Afrêni Gonçalves, entre outras lideranças políticas e do bairro.
Marconi declarou: “estou aqui para reafirmar que todos nesse Residencial serão atendidos”. Que governador bonzinho! Será que é uma dor de consciência de efeito retardado? Tenho minhas dúvidas, mas - se fosse - seria melhor tarde do que nunca.
Em todo caso, é bom refrescar a memória do governador, que foi (e ainda é) o principal responsável da pior barbárie praticada em toda a história (80 anos) de Goiânia e uma das piores do Brasil. A respeito do caso do Parque Oeste Industrial, as operações de despejo “Inquietação” e “Triunfo” de fevereiro de 2005 - verdadeiras operações de guerra - foram realizadas por ordem do governador Marconi, que, mentindo, se submeteu covardemente aos interesses financeiros dos “coronéis” de Goiânia (leia: os donos das grandes imobiliárias).
À epoca, existiam todas as condições legais e constitucionais para que aquela área, ocupada por cerca de quatorze mil pessoas, fosse desapropriada. Só não foi feita a desapropriação, porque o governador, aliado dos “coronéis” de Goânia, não quis. A ganância e a iniquidade prevaleceram. O requinte de maldade das operações acima foi tão gritante, que até hoje clama por justiça diante de Deus.
Pedro e Wagner foram assassinados à queima-roupa (suspeita-se, com razão, de outras mortes), diversas pessoas ficaram feridas e muitas outras - sobretudo crianças e idosos - morreram depois, em consequência das condições de vida subumans a que foram relegadas por mais de três anos.
O governador, recordando o seu envolvimento com a comunidade, há mais de oito anos, declarou: “eu venho a essa região antes mesmo de ela se transformar nessa cidade dentro de Goiânia. Me recordo de pedir ao então secretário Ademir Menezes que encontrasse uma área vasta, com excelente vista e propícia para acolher famílias que sofriam com aquela situação. Retornei aqui diversas vezes desde então, e hoje tenho a satisfação de trazer mais um benefício que contribuirá para dar mais dignidade às famílias que conquistaram o seu lar”. E finalizou, dizendo: “tenho satisfação de viver em Goiânia e de ajudar esse bravo povo que a elegeu para contribuir com a sua evolução” (http://www.dm.com.br/texto/148987-marconi-entrega-cheques-moradia-no-residencial-real-conquista).
Marconi, junto com os moradores presentes, cantou os "parabéns" em comemoração ao aniversário de Goiânia. "Não quis ir ao desfile hoje. Preferi estar aqui com vocês, entregando este presente, sentindo a vibração de todos e, juntos, comemorando os 80 anos da nossa Capital" (http://www.aredacao.com.br/noticias/35466/marconi-repassa-r-6-milhoes-em-cheque-mais-moradia-a-2-mil-familias). Que descaramento!
 Governador, o senhor não entregou nenhum presente. O senhor foi eleito para servir ao povo. Com os cheques Mais Moradia Melhoria, o senhor só devolveu uma pequena parte do dinheiro, que já é do povo. É mera obrigação sua e nada mais do que isso.
Na ocasião, Marconi afirmou ainda: “para mim, palavra dita é palavra cumprida. Estamos resgatando todos os nossos compromissos de campanha e entregando para o povo importantes obras e benefícios que acreditamos serem fundamentais para a melhoria da qualidade de vida dos goianos. Governo bom é aquele que investe em obras. Mas melhor ainda é o governo que investe no ser humano”. Que palavras bonitas, senhor governador!
Veja o que, à época, o governador Marconi falou a respeito da Ocupação “Sonho Real” do Parque Oeste Industrial. “O que eu vim dizer aqui agora é que eu não vou mandar a policia. Se tiver algum policial lá, algum comandante lá, vai ser demitido e eu não aceito - essa decisão está tomada. (...) Em relação a vocês, eu já tomei uma decisão: eu não vou cumprir a ordem de reintegração (...)” (http://www.midiaindependente.org/pt/red/2005/02/307719.shtml).
Sempre à época, numa reunião da qual participei, o governador declarou, em entrevista coletiva, que já estava decidida a despropriação da área. Lembro que os moradores da Ocupação “Sonho Real” fizeram festa.
Governador, o senhor não diz: “para mim, palavra dita é palavra cumprida”. Julgue o leitor!
Afinal, por que tanta mentira e tanta demagogia? Mesmo que, por interesses pessoais escusos, algumas falsas lideranças do povo, tenham traido seus companheiros/as (um comportamento mesquinho e repugnante), passando a bajular o seu algoz (e o senhor se aproveita disso), o nosso povo, governador, sabe o que quer. Pode, às vezes, por necessidade de sobrevivência, se fazer de bobo, mas não é bobo.

Chega de enganação! Lembre-se, senhor governador, a justiça humana pode falhar, mas a justiça divina nunca falha!
A palavra do Frei Marcos: uma palavra crítica que - a partir de fatos concretos e na escuta dos sinais dos tempos aponta caminhos novos