Neste
ano de 2026 celebramos 40 anos do 6º Encontro Intereclesial das CEBs,
que aconteceu na cidade de Trindade (GO), de 21 a 25 de julho de 1986,
Participaram
do 6º Encontro 1647 pessoas, das quais 742 eram representantes das bases, 203
agentes de pastoral, 30 assessores, 51 bispos, 16 representantes de Igrejas
evangélicas, 10 representantes dos povos indígenas, 56 observadores
latino-americanos, 35 observadores nacionais, 17 observadores de outros países,
além do pessoal da imprensa, documentação e equipes de serviço.
O
tema escolhido foi: CEBs, Povo de Deus em busca da Terra Prometida,
ligado ao tema da Campanha da Fraternidade de 1986 como também provocado pelo
agravamento da situação agrária no Brasil (cf. https://cebsdobrasil.com.br/intereclesiais/).
A
Arquidiocese de Goiânia - com o apoio de Dom Fernando Gomes dos Santos, seu 1º
arcebispo - tinha em 1986 um Secretariado de Pastoral (SPAR) bem organizado
e um Plano de Pastoral no qual as CEBs eram a prioridade das prioridades.
À
época Dom Fernando escreveu: "O Secretariado da Pastoral Arquidiocesana
(SPAR) tem sido o grande centro de convergência e de irradiação de tudo o que
se passa na Arquidiocese no campo pastoral... Hoje o SPAR conta com o
Coordenador da Pastoral, Frei Marcos Sassatelli, OP que é também Vigário Geral,
e com uma extraordinária equipe de sacerdotes, religiosas/os e leigas/os
competentes, de rara dedicação e eficiência. No SPAR, funcionam oito Comissões
que dinamizam as atividades fundamentais, referentes às prioridades do Plano
Pastoral, elaborado em Assembleia Arquidiocesana e constantemente estudado nas
reuniões e encontros...” (Veja o depoimento completo na Revista Eclesiástica
Brasileira - REB, março de 1985).
Dom
Fernando, que dizia ter-se convertido no Concílio Vaticano II (do qual particiou),
o SPAR e toda a Arquidiocese acolheram o 6º Intereclesial e, com muito
entusiasmo, começaram os preparativos.
Inesperadamente,
no dia 1º de junho de 1985 (há 41 anos) Dom Fernando faleceu, ou
melhor, fez sua Páscoa definitiva (a plenitude da Páscoa). A partida de Dom
Fernando (que certamente continuou e continua presente de outra forma) nos
abalou a todos e a todas, principalmente aqueles e aquelas que eram seus
colaboradores diretos na Coordenação Pastoral.
Vivemos
um período de certa perplexidade por estarmos preocupados e preocupadas com
a continuidade da opção pastoral da Arquidiocese. Nesse período, foram
tomadas algumas decisões e assumidas algumas posições de maneira um tanto
autoritária e antifraternas. Tudo isso é humano e faz parte de nossas
limitações.
Superado
esse período, a preparação do Encontro continuou e, ainda em 1985, “foi
criada, em nível regional, uma Comissão Ampliada. É significativo
assinalar a origem da Ampliada Nacional, constituída nos preparativos do
Encontro de Trindade, como grupo de apoio e serviço de preparação à Igreja que
sediava o Intereclesial. Sua criação foi uma maneira de se garantir a presença
dos Regionais como um trabalho coordenado nacionalmente e de se garantir também
a preservação da memória dos Encontros”.
O
novo jeito de ser Igreja que caracteriza as CEBs “foi um dos temas de reflexão
e aprofundamento que surgiram nesse Encontro. Clodovis Boff
destacou três ideias fortes que definiram este novo jeito de ser Igreja:
a Palavra de Deus, a participação e a luta. A analogia da roda serviu
para ele demonstrar melhor a experiência das Comunidades como conjunto
organizado: o eixo é a Palavra de Deus; os raios são os ministérios, as tarefas;
o aro são as lutas da Comunidade, que fazem o povo caminhar na história”.
Outro
aspecto relevante do 6º Encontro “foi a reflexão sobre a especificidade da
luta das mulheres, negros e indígenas. É um marco na caminhada das CEBs,
pois se reconhece agora outros planos de opressão social: a racial, a étnica e
a de gênero (sexual). Dois outros temas assumirão um lugar de destaque nos Encontros
subsequentes: a questão latino-americana e o ecumenismo” (https://cebsdobrasil.com.br/intereclesiais/).
Falou-se
muitas vezes no Encontro que a Trindade é a melhor Comunidade. A comunhão entre
irmãos e irmãs - iguais em dignidade e valor, mas diferentes nos dons e
serviços - é a mensagem central das CEBs.
Lembro,
enfim, que Dom Antonio Ribeiro de Oliveira, sucessor de Dom Fernando e novo arcebispo
de Goiânia, apoiou e deu continuidade a preparação do 6º Intereclesial.
Ele gostava de dizer que se converteu no Encontro de Trindade.
Foi
em memória do 6º Encontro, que a Comissão de CEBs da Arquidiocese de Goiânia
realizou no dia 30 de maio deste ano de 2026 uma Romaria ao Santuário do Divino
Pai Eterno em Trindade (veja a programação no final do texto). Participaram
ativamente dessa Romaria cerca de 300 pessoas.
Concluo,
afirmando com toda convicção: a proposta de vida de Jesus e das primeiras
Comunidades Cristãs - que é hoje a proposta das CEBs - se for bem entendida, é
a mais revolucionária que existe. Ela faz o Mundo Novo acontecer,
que é um mundo de irmãos e irmãs de verdade: o Reino de Deus na história
do Ser humano e da Irmã Mãe Terra Nossa Casa Comum.
Marcos Sassatelli, frade
dominicanoDoutor em Filosofia (USP) e em
Teologia Moral (Assunção - SP)Professor aposentado de
Filosofia da UFGE-mail: mpsassatelli@uol.com.br - Cel. e WA: (62) 9 9979 2282
Goiânia, 06 de maio de
2026

