Em 20
de abril, escrevi o artigo “Tribunal de Justiça de Goiás: descaradamente
injusto”, denunciando as injustiças despudoradas do TJ-GO.
Lamentavelmente,
no TJ-GO a prática da injustiça continua. “Uma auditoria determinada pela
Corregedoria Nacional de Justiça, órgão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ)
apontou R$ 35 milhões em pagamentos indevidos nas folhas do pessoal de março,
abril e maio de magistrados ativos e inativos do Tribunal de Justiça de Goiás
(TJ-GO). O montante é relacionado a itens como verbas retroativas vedadas,
passivos funcionais acima do limite mensal e indenização de férias maior que o
teto legal” (O Popular, 22/05/26, p. 6).
Infelizmente,
no Poder Público, a prática despudorada da injustiça em benefício próprio não
acontece somente no TJ-GO, mas é bastante comum.
Cito
mais um caso do Estado de Goiás (nos outros Estados do Brasil e até nos
outros países não é muito diferente).
“A
Assembleia Legislativa de Goiás (ALEGO) atinge 5.874 cargos de livre nomeação:
143 por deputado. Estrutura supera números da Câmara dos Deputados, onde o
máximo é de 25 cargos de confiança por congressista” (O Popular, 25/05/26, p.
6).
“Reportagem
publicada pela Folha de S. Paulo mostrou que a ALEGO tem 14 comissionados para
cada um dos 41 deputados estaduais. Com o resultado, o Legislativo de Goiás
registrou a maior relação entre parlamentares e comissionados do País. A
matéria destacou que o prédio da ALEGO tem gabinetes de 100 metros quadrados
para cada parlamentar. Diante disso, caso todos fossem trabalhar ao mesmo
tempo, cada funcionário teria menos de um metro quadrado de espaço” (O Popular,
29/05/26, p. 4).
E
ainda: “A ALEGO pagou R$ 36,8 milhões a comissionados em abril” (Ib. Manchete
da 1ª página). Que absurdo! Quanta malandragem!
Diante
dessa situação de imoralidade pública, que grita por justiça diante de
Deus, pessoalmente, o que mais me dói é o silêncio e a omissão dos
parlamentares que estão (ao menos, dizem que estão) do lado do povo
pobre, explorado e descartado.
Pelo
amor de Deus, não tenham medo, denunciem publicamente essa prática perversa
e imoral. Não a aceitem em hipótese alguma. Sejam coerentes.
De um
lado, é verdade que “os seres humanos fazem sua própria história, mas não a
fazem como querem; não a fazem sob circunstâncias de sua escolha e sim sob
aquelas com que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado”
(MARX, Karl. O 18 Brumário de Luis Bonaparte, Rio de Janeiro: Paz e Terra, 5ª edição,
1986, p. 17).
De
outro lado, é verdade também que aqueles e aquelas que acreditam num projeto
de sociedade estruturalmente novo, um projeto igualitário de irmãos e irmãs:
humano, ético, justo e comunitário (socialista e comunista no verdadeiro
sentido da palavra), não podem deixar de anunciá-lo e testemunhá-lo
publicamente sem barganhas e falsas alianças com aqueles e aquelas que defendem
o projeto capitalista neoliberal ou ultraneoliberal, estruturalmente desumano, antiético
e injusto.
A
palavra “aliança”, que significa “comunhão de projetos”, foi
muito banalizada, sobretudo na política partidária. Entre aqueles/as que
defendem o projeto capitalista de sociedade e aqueles/as que lutam por um
projeto alternativo de sociedade - igualitário e comunitário - não pode haver
alianças. O máximo possível são acordos pontuais para resolver ou
amenizar situações emergenciais que não podem esperar um novo projeto de
sociedade com mudanças estruturais.
Lembremo-nos:
os cristãos e as cristãs somos chamados e chamadas a ser “radicalmente seres
humanos” (Hans Kung).
"Todo
aquele e aquela que segue Cristo, o Ser humano perfeito, torna-se ele e ela
também mais Ser humano" (GS 41). "A fé esclarece
todas as coisas com luz nova. Manifesta o plano divino sobre a vocação integral
do Ser humano. E por isso orienta a mente para soluções plenamente
humanas" (GS 11). Reparem: o texto não diz “soluções não somente naturais,
mas também sobrenaturais” (visão dualista da vida humana), mas diz “soluções
plenamente humanas”.
“O
mistério do Ser humano só se torna claro verdadeiramente no mistério do Verbo
encarnado”. Cristo “revela o Ser humano ao próprio Ser humano e lhe descobre a
sua sublime vocação” (GS 22). O
plenamente humano, para os cristãos e cristãs, inclui a dimensão da fé.
O ser
humano é também natureza (Irmã Mãe Terra Nossa Casa Comum), é a parte pensante
da natureza e a natureza é também ser humano. O verdadeiro humanismo é um humanismo
plenamente natural e - ao mesmo tempo - um naturalismo plenamente humano.
Meditemos! Que assim seja!
Em
tempo: No dia 1º de junho deste ano de 2026, completaram
41 anos da Páscoa plena e definitiva de Dom Fernando Gomes dos Santos, primeiro
arcebispo da Arquidiocese de Goiânia. Ele foi um verdadeiro profeta, que lutou
com coragem “sem violência e sem medo” contra a ditadura civil-militar, por uma
sociedade mais justa de irmãos e irmãs e - ao mesmo tempo - por uma Igreja
pós-conciliar renovada e libertadora à luz da Conferência de Medellín. Em
Assembleia Geral da Arquidiocese, as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs)
tornaram-se a prioridade das prioridades do Plano de Pastoral. Por diversos
anos tive a alegria de ser amigo e colaborador dele como pessoa de total
confiança no serviço de Coordenador da Pastoral e Vigário Geral da Arquidiocese
de Goiânia. Por isso, sei também de quanto ele sofreu (sofrendo junto com ele) na
sociedade e na própria Igreja. Dom Fernando, presente!
(Veja
o Artigo: https://freimarcos.blogspot.com/2026/04/arquidiocese-de-goiania-70-anos.html)

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