quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

A questão da “igualdade” na Igreja

 


Vimos (no primeiro artigo da série) que os seres humanos - enquanto pessoas racionais, filhos e filhas do mesmo Pai-Mãe, que é Deus - todos e todas (incluindo as pessoas LGBTQIA+) têm a mesma dignidade. Ora - se têm a mesma dignidade - são também iguais, irmãos e irmãs em Cristo.

Na Igreja “reina (ou, deveria reinar) verdadeira igualdade quanto à dignidade e ação comum a todos os fiéis na edificação do Corpo de Cristo" (Concílio Vaticano II. A Igreja - LG 32).

Na prática e não só na teoria, "deve-se reconhecer cada vez mais a igualdade fundamental entre todos os seres humanos" (Ib. A Igreja no mundo de hoje - GS 29). Será que na Igreja há realmente esse reconhecimento? Não parece! Ao contrário, na Igreja a desigualdade entre as pessoas e entre as Comunidades (inclusive, Paróquias e Dioceses) tornou-se normal, natural e legitimada em nome de Deus. De fato, na Igreja (além da desigualdade entre as Comunidades) temos, três classes de cristãos e cristãs: a Hierarquia (1ª classe), a Vida Religiosa Consagrada (2ª classe), o Laicato (3ª classe) Ora, numa Igreja de classes (como também, numa sociedade de classes), falar de igualdade é mentira, é hipocrisia.

A Igreja precisa com urgência se libertar das influências negativas do Imperialismo, do Escravismo, do Feudalismo e do Capitalismo, que - no decorrer da história - incorporou em sua estrutura social e que desfiguraram (e continuam desfigurando) seu rosto evangélico. Infelizmente, a Igreja Instituição sucumbiu às tentações do poder, do luxo e do triunfalismo.

Do ponto de vista humano - portanto, ético - é o pecado social ou estrutural da Igreja: pecado institucionalizado.

“Desenvolvendo perspectivas já presentes no Concílio, mas ainda não explicitadas, vários teólogos - a começar por Congar - têm proposto pensar a estrutura social da Igreja em termos de 'Comunidade - Carismas e Ministérios' (e não em termos de Hierarquia - Laicato). O primeiro termo, 'Comunidade' (ou o teologicamente mais denso 'Comunhão'), inclui tudo o que há de comum a todos os membros da Igreja; e a dupla 'Carisma e Ministérios' inclui tudo o que positivamente os distingue. É esta, aliás, a perspectiva do Novo Testamento, onde nunca aparece o termo 'leigo' ou ‘leiga’ (e - podemos acrescentar - nem o termo ‘clero’), mas sublinham-se os elementos comuns a todos os cristãos e cristãs e, ao mesmo tempo, valorizam-se as diferenças carismáticas, ministeriais e de serviço. Neste sentido, os termos que designam os membros do Povo de Deus acentuam a condição comum a todos os renascidos pela água e pelo Espírito: 'santos e santas', 'eleitos e eleitas', 'discípulos e discípulas', 'irmãos e irmãs' (CNBB. Missão e Ministérios dos Cristãos Leigos e Leigas, 62 - 1999). É esse o caminho para “refundar” a Igreja, conforme as exigências do Evangelho de Jesus de Nazaré.

Por experiência pessoal, posso testemunhar: o que nós refletimos - e ainda refletiremos - nessa terceira série de artigos já faz parte (mesmo com limitações humanas) do jeito - novo e, ao mesmo tempo, antigo - de ser Igreja das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), que é o jeito de ser de Jesus de Nazaré e que - na pluralidade das culturas e na diversidade das experiências - deve tornar-se o jeito de ser de toda a Igreja.

Talvez seja por isso que, lamentavelmente, existe hoje na Igreja uma oposição silenciosa e organizada - muitas vezes, hipócrita - às CEBs. Os Documentos recentes da Igreja no Brasil não falam mais de CEBs. O silêncio é proposital. Existem cristãos e cristãs - inclusive padres e bispos - que têm medo de pronunciar as palavras “de Base” e “popular”.

Por exemplo, num Encontro de CEBs (reparem: de CEBs!) - um bispo fez uma palestra sobre Comunidade e nunca pronunciou, uma vez sequer, a palavra CEBs. Por que será? Por que tanta dificuldade de declarar que - como cristãos e cristãs - temos lado: o lado dos pobres, o lado de Jesus de Nazaré? Não é uma covardia?

As palavras “de Base” e “popular” lembram-nos que a Igreja - para ser a Igreja de Jesus de Nazaré - deve ser “inserida”, “encarnada” na vida do povo, ou seja, na vida dos pobres.

Voltemos às fontes! A Igreja - como Instituição - não pode se omitir e deixar de viver esse processo de libertação. Estaria traindo o Evangelho de Jesus de Nazaré. Uma “outra Igreja” é possível e necessária. Lutemos por ela!


                                                           https://cebsdobrasil.com.br/



 

Marcos Sassatelli, Frade dominicano

Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP)

Professor aposentado de Filosofia da UFG

E-mail: mpsassatelli@uol.com.br

Goiânia, 15 de dezembro de 2021


O artigo foi publicado originalmente em:
https://portaldascebs.org.br/a-questao-da-igualdade-na-igreja/


sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

Criminalização dos Movimentos Sociais Populares e Lei antiterrorismo

 

“Direitos Humanos não se pede de Joelhos.

Exige-se de pé” (Dom Tomás Balduino)



O Comitê Goiano de Direitos Humanos Dom Tomás Balduino - que integra mais de 70 Entidades - promoveu, de 07 a 11 de dezembro de 2021, a V Jornada Goiana de Direitos Humanos com o tema: “Criminalização dos Movimentos Sociais Populares e Lei antiterrorismo”.

O Projeto de Lei (PL) 1595/2019 “altera a legislação antiterrorismo no país e, se aprovado, restringirá o direito ao protesto, à livre manifestação e à reunião de pessoas, que são direitos fundamentais e devem ser garantidos pelo Estado brasileiro” (https://www.andes.org.br/conteudos/noticia/nova-lei-antiterrorismo-e-aposta-de-bolsonaro-para-reprimir-protestos-sociais-no-pais1).

O PL estava parado desde 2019 e Arthur Lira autorizou a abertura de uma comissão especial - integrada por deputados da base governista - para analisar e debater o texto da proposta.

A retomada do projeto de Lei Antiterrorismo “se soma à escalada autoritária que Bolsonaro vem colocando em prática no momento em que o governo se vê cada vez mais pressionado com a ineficiente política de combate à pandemia da Covid-19” (Ib.). Caso o projeto seja aprovado, o governo - amparado pela lei - poderá criminalizar com mais facilidade os Movimentos Sociais Populares. Só unidos e organizados podemos combater e derrubar este projeto de lei que é criminoso.

Durante a V Jornada de Direitos Humanos foram realizadas diversas atividades (a maioria virtuais e algumas presenciais) sobre a Criminalização dos Movimentos Sociais Populares e a Lei antiterrorismo”:

  • Live de abertura com a apresentação do tema;
  • Live Midiativismo e ataques ao Jornalismo;
  • Oficina Sementes de Proteção: a violência policial em Goiás e a Proteção Popular de Defensores e Defensoras de Direitos Humanos;
  • Live Canção sem Medo Brasil: Vídeo Performance do Bloco Não é Não;
  • Live Lawfare (guerra jurídica): o Caso de Goiás;
  • Apresentação do Relatório 2021 de Violações de Direitos Humanos em Goiás (135 páginas) e homenagem às Defensoras e Defensores de Direitos Humanos na Câmara Municipal de Goiânia (presencial);
  • Direito de Trabalhar e Trabalhar com Direitos: Encontro com o Movimento de Trabalhadoras e Trabalhadores por Direitos - MTD (presencial)
  • Solenidade de entrega dos troféus do 3º Prêmio de Direitos Humanos Dom Tomás Balduino para a Imprensa e outras Defensoras e Defensores de Direitos Humanos.

O Relatório 2021 de Violações de Direitos Humanos em Goiás do Comitê Goiano Dom Tomás Balduino, a partir de situações concretas, aborda os temas:

  • Povos Indígenas em Goiás;
  • Direitos, que Direitos? Iniciativas de Proteção aos Indígenas deslocados da Venezuela, refugiados em Goiânia/Goiás;
  • Criminalização da Luta pela Terra - O laboratório Punitivista;
  • Monitoramento e Vigilância dos Movimentos Sociais Populares do Campo - A nova investida autoritária;
  • Violência Policial - Invisibilidade e sigilo;
  • Despejos em Goiás - Início, Experiências e Horizontes da Campanha Parem os Despejos/Despejo Zero em Goiás: um Relato;
  • Violação de Direitos Humanos LGBTQIA+ em Goiàs;
  • Lawfare - Guerra Jurídica: O Caso de Goiás;
  • População em Situação de Rua - Invisibilidade e violência na pandemia.

A V Jornada Goiana de Direitos Humanos foi muito boa e renovou a esperança das numerosas e numerosos participantes num outro mundo possível e necessário.

Por razões de espaço, faço somente uma breve referência à violação dos Direitos Humanos dos nossos Irmãos e Irmãs: os Povos indígenas e os Moradores em situação de Rua.

A respeito dos Povos Indígenas: “Goiás é um dos Estados Brasileiros, onde o genocídio dos Povos Indígenas aconteceu de forma extremamente cruel. Ao ponto da sociedade goiana não se lembrar de sua existência em um Estado, cujo nome é o nome do Povo Indígena Goiá, dizimado por causa da mineração de ouro e pedras preciosas”.

“Hoje existem em Goiás apenas três Comunidades Indígenas, os Iny, conhecidos como Karajás, da Aldeia Buridina, que vivem em Aruanã, na beira do Rio Araguaia; os Tapuia, que vivem na região de Rubiataba; e o Povo Avá Canoeiro, na região de Minaçu”. A pandemia da Covid-19 agravou a situação dos Povos Indígenas.

A respeito dos Moradores em situação de Rua: “Segundo projeções do Movimento Nacional da População em situação de Rua de Goiás (MNPR-GO), atualmente, existem cerca de 2 mil pessoas em situação de Rua em Goiânia, entretanto os últimos censos realizados, em 2016 e em 2019, pelo Núcleo de Estudos sobre Criminalidade e Violência (NECRIVI) da Universidade Federal de Goiás (UFG), a pedido da Prefeitura de Goiânia, revelaram 351 e 353 respectivamente. Integrantes do MNPR-GO, que são os que já foram Moradores de Rua e compreendem bem os hábitos e rotinas dessas pessoas, e do Comitê Goiano de Direitos Humanos Dom Tomás Balduino, questionam a metodologia da pesquisa e o tempo de apenas um dia para fazer o levantamento”.

“O perfil apontado pelos dois censos é o mesmo: a grande maioria da população identificada é formada por homens adultos, negros, de baixa escolaridade, que vão para a rua por problemas familiares ou financeiros.

No primeiro censo de 2016, a onda de cerca 30 assassinados de Moradores de Rua foi amplamente relatada pelos entrevistados. E quase a metade deles revelou ter sofrido tentativa de assassinato (44%) e mais da metade (65%) disse ter sido vítima de violência. Os maiores agressores são agentes da polícia (41,3%)”.

“No segundo censo de 2019, a violência continua ocupando um lugar central na vida dessa população”. Em tempo de pandemia da Covid-19, a situação piorou. (Fonte: Programação da V Jornada e Relatório 2021).

O “Livro-Agenda Latino-Americana Mundial 2022” lembra-nos:  “Organização Popular” é “Esperança e Ação Tranformadora”.

(Leia os textos do Livro-Agenda, impresso ou online.  Vale a pena! É uma valiosa contribuição para a organização e a luta dos Movimentos Sociais Populares).

Termino com as palavras do Papa Francisco aos Movimentos Populares: “Atrevo-me a dizer que o futuro da humanidade está, em grande medida, nas mãos de vocês, na capacidade de vocês se organizarem e promoverem alternativas criativas na busca diária dos ‘3 T’ (trabalho, teto, terra), e também na participação de vocês como protagonistas nos grandes processos de mudança, regionais, nacionais e mundiais” (2º Encontro Mundial dos Movimentos Populares. Santa Cruz de la Sierra - Bolívia, 09/07/15).




Marcos Sassatelli, Frade dominicano

Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP)

Professor aposentado de Filosofia da UFG

E-mail: mpsassatelli@uol.com.br


Goiânia, 28 de dezembro de 2021




O artigo (em versão mais longa) foi publicado originalmente na Retrospectiva do Correio da Cidadania: https://www.correiocidadania.com.br/2-uncategorised/14866-criminalizacao-dos-movimentos-sociais-populares-e-lei-antiterrorismo.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

No Natal Jesus tem lado

 



No Natal - e em toda a sua vida - Jesus tem lado, o lado dos pobres: os oprimidos, os excluídos, os descartados e todos aqueles e aquelas que - na sociedade - não têm voz e vez. Desde o nascimento até a morte na cruz, Jesus sempre se identificou e solidarizou com os pobres, incluindo a Irmã Mãe Terra Nossa Casa Comum.

Ainda no seio de sua mãe Maria, Jesus foi “morador de rua”. Para cumprir o decreto de recenseamento, ordenado pelo imperador Augusto, “José, que era da família e descendência de Davi, subiu da cidade de Nazaré, na Galileia, até à cidade de Davi, chamada Belém, na Judeia, para registrar-se com Maria, sua esposa, que estava grávida” (Lc 2,4-5). Maria - antes de encontrar um estábulo para dar à luz - deve ter perambulado e dormido, com seu esposo José, nas ruas de Belém.

Jesus nasceu como “sem-teto”. Enquanto Maria e José estavam em Belém, “completaram-se os dias para o parto. Ela deu à luz seu filho primogênito. Envolveu-o em panos e o deitou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles dentro da casa” (Ib. 2,6-7).

Jesus anunciou a Boa Notícia do seu nascimento aos “sem-terra”, os pastores de ovelhas da época, malvistos e desprezados pelos poderosos, porque ocupavam os campos com seus rebanhos. O mensageiro de Deus disse aos pastores: “Não tenhais medo! Porque eis que lhes anuncio a Boa Notícia, uma grande alegria para todo o povo: hoje, na cidade de Davi, nasceu para vocês um Salvador, que é o Messias e Senhor” (Ib. 2,10-11).

Jesus - ainda criança - foi “migrante e refugiado” no Egito por causa da ganância de Herodes que queria matá-lo. O mensageiro de Deus falou em sonho a José: “Levante-se, pegue o menino e a mãe dele, e fuja para o Egito. Fique aí até que eu lhe avise, porque Herodes vai procurar o menino para matá-lo. Ele se levantou, e de noite pegou o menino e a mãe dele, e foi para o Egito. E aí ficou até a morte de Herodes” (Mt. 2,13-15).

Em sua vida anônima Jesus foi trabalhador. Foi carpinteiro com seu pai José. A respeito de Jesus, as pessoas diziam: “De onde vêm essa sabedoria e esses milagres? Esse homem não é o filho do carpinteiro?” (Ib. 13,54-55). “Esse homem não é o carpinteiro?” (Mc 6,3).

Em sua vida pública - anunciando a Boa Notícia do Reino de Deus - Jesus foi sempre próximo e entranhadamente solidário com os pobres. Entre os muitos exemplos que poderíamos lembrar, cito o do homem com a mão direita seca. “Jesus disse ao homem: ‘Levante-se e fique no meio’. ‘Estenda a mão’. O homem assim o fez e sua mão ficou boa” (Lc 6,8.10).

Jesus, cheio de indignação, denunciou a hipocrisia dos fariseus e doutores da Lei. “Ai de vocês, doutores da Lei e fariseus hipócritas! Vocês são como sepulcros caiados: por fora parecem bonitos, mas por dentro estão cheios de ossos de mortos e podridão! Assim também vocês: por fora parecem justos diante dos outros, mas por dentro estão cheios de hipocrisia e injustiça” (Mt 23,27-28).

Jesus celebrou a última Ceia com os discípulos e lavou seus pés. “Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim (Jo 13,1). “Não existe amor maior do que dar a vida pelos amigos” (Jo 15,13).

Jesus foi preso e acusado de “subverter” o povo. “Achamos este homem fazendo subversão entre o nosso povo” (Lc 23,2). Em seguida, foi morto na cruz como criminoso. “Jesus deu um forte grito: ‘Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito’. Dizendo isso, espirou” (Ib. 23,46).

Jesus - o Libertador, o Salvador, o Filho de Deus - ressuscitou dos mortos. Às mulheres, angustiadas por não ter encontrado o corpo de Jesus no túmulo, os mensageiros de Deus disseram: “Por que vocês estão procurando entre os mortos aquele que está vivo? Ele não está aqui! Ressuscitou!’” (Ib. 24,5-6).

Jesus Ressuscitado enviou o Espírito Santo aos discípulos e discípulas. “Ele lhes disse: ‘A paz esteja com vocês. Assim como o Pai me enviou, eu também envio vocês’. Tendo falado isso, soprou sobre eles e elas, dizendo: ‘Recebam o Espírito Santo’” (Jo 20,21-22).

Jesus Ressuscitado continua vivo na Comunidade dos seus seguidores e seguidoras. “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou aí no meio deles” (Mt 18,20). “Eu estarei com vocês todos os dias, até o fim dos tempos” (Ib. 28,20).

Perguntamo-nos:

  • Onde vai ser o Natal de Jesus, hoje? Com certeza, ele não vai ser nos palácios dos poderosos - opressores do povo - e nem nas Igrejas luxuosas e cheias de ouro. O Natal de Jesus vai ser nos Grupos de Moradores em situação de Rua, nas Ocupações urbanas e rurais, nas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), nos Movimentos Sociais Populares, nos Sindicatos de Trabalhadores e Trabalhadoras e nos Partidos Políticos Populares, que - com garra, coragem e muita fé - lutam pela Vida: Vida digna para todos e para todas. “Eu vim para que tenham Vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10).
  • E nós, que como seguidores e seguidoras de Jesus fazemos a memória - tornamos presente - o seu Natal hoje, temos lado? Qual é o nosso lado? É o lado de Jesus? É o lado dos pobres?
  •   Vivamos o Natal de Jesus e seremos felizes! Um Ano Novo de muita ESPERANÇA, JUSTIÇA E PAZ!


Moradores de Rua de Campos: presépio debaixo da “Ponte Rosinha” 
noticiaurbana.com.br
   




 

Marcos Sassatelli, Frade dominicano

Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP)

Professor aposentado de Filosofia da UFG

E-mail: mpsassatelli@uol.com.br

Goiânia, 22 de dezembro de 2021

 

 


 

terça-feira, 21 de dezembro de 2021

Trindade: um Santuário faraônico

 

Acabara de terminar o 1º Santuário Novo - hoje Basílica - do Divino Pai Eterno, em Trindade - GO, quando a Igreja Católica, imbuída do desejo de triunfalismo, grandeza, poder e luxo - que nada tem a ver com o Evangelho de Jesus de Nazaré - começou a pensar na construção de um 2º Santuário Novo: um Santuário faraônico, uma clara amostra daquilo que a Igreja não deve ser.

“Ambiciosa, a obra foi idealizada para abrigar 100 mil pessoas, 20 vezes mais o número de fiéis do que comporta o atual Santuário. Lançada em 2010, foi orçada inicialmente em R$ 100 milhões, mas em uma das últimas entrevistas que concedeu, o então reitor, padre Robson de Oliveira, mencionou um custo de R$ 1,4 bilhão. Ocupando uma área de 146 mil m2, a construção começou em 2012. Um longo tempo foi dedicado às etapas de terraplenagem, fundações e estruturas subterrâneas” (O Popular, 11 e 12/12/21, p.14).

O 2º Santuário Novo terá uma cúpula “com 94 metros de altura, o que equivale a um prédio de 30 andares; e o campanário, com 100 metros de altura, que vai abrigar o maior sino do mundo’, já batizado de Vox Patris (Voz do Pai), com 54 toneladas e 4 metros de altura e com imagens fundidas que representam a devoção ao Divino Pai Eterno, e outros 72 sinos menores. O valor do Vox Patris foi estimado em R$ 17 milhões”. Os sinos foram “encomendados à empresa polonesa Metalodlew SA, referência no assunto” (Ib.). Que absurdo!

Enquanto isso, Jesus passando fome e morrendo de inanição na pessoa de milhões de pobres. Será que a “Vox Patris” deseja isso? Meditemos!

A Associação Filhos do Pai Eterno (AFIPE) encontra-se atualmente “no centro de denúncias feitas pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO) em agosto de 2020, quando foi desencadeada a Operação Vendilhões, que colocou como principal investigado o idealizador e então presidente da AFIPE, padre Robson de Oliveira. Ele foi acusado de desviar recursos doados por fiéis” (Ib.).          

De acordo com o MP-GO. Padre Robson “foi responsável por um esquema de desvio de dinheiro arrecadado junto aos devotos pela AFIPE e outras duas Associações vinculadas ao Santuário Basílica. Recursos que teriam sido destinados à compra de imóveis de luxo e fazendas” (Ib.).

Sempre “de acordo com a AFIPE, até a Operação Vendilhões, a Instituição arrecadava R$ 20 milhões por mês e as despesas fixas superavam a casa de R$ 17 milhões” (Ib.).

Em tudo isso, existe uma agravante: a exploração, em nome de Deus, do sentimento religioso do povo. Cito um exemplo. Num determinado dia, um senhor me confidenciou: eu pagava mensalmente a contribuição exigida para pertencer à Associação dos Filhos do Divino Pai Eterno. Há algum tempo, porém, devido a novos problemas que surgiram na família, não tenho mais condições de continuar pagando. Mas todo mês continuo recebendo a cartinha do Pe. Robson, cobrando o pagamento da contribuição. Notei que aquele senhor estava com escrúpulo de consciência. Tive que tranquilizá-lo, dizendo que - na situação na qual se encontrava - era mais filho do Divino Pai Eterno não pagando do que pagando. Logo percebi que o senhor ficou aliviado. Parecia ter tirado um peso de sua consciência. Dá para entender?

Voltando à Operação Vendilhões, as denúncias levantadas precisam ser investigadas e - se comprovada sua veracidade - os responsáveis deverão ser julgados, condenados e presos.

Ora - independentemente das falcatruas que tenham sido cometidas - o que eu quero denunciar neste artigo é o modelo de Igreja que está por trás do 2º Santuário Novo. Trata-se de um modelo de Igreja que não tem nada a ver com o Evangelho. É o oposto da Igreja que Jesus de Nazaré quer: uma Igreja pobre, para os pobres, com os pobres e dos pobres.

Além de tudo - diga-se de passagem - no 1º Santuário Novo só não cabe o povo em duas ou três Missas por ano, no dia da Festa. Se realmente a preocupação fosse não deixar - nas Missas Campais - o povo ao ar livre e debaixo do sol ou da chuva, com as técnicas modernas, podiam ser construídos galpões simples, seguros, bonitos e multiusos, que serviriam também para abrigar os romeiros do Divino Pai Eterno e para que os romeiros, sentados, pudessem tomar suas refeições e descansar.

Com certeza, uma Igreja triunfalista, poderosa e toda ornamentada com objetos de ouro, não é a Igreja de Jesus de Nazaré, que nasceu numa manjedoura, viveu como pobre ao lado dos pobres e morreu na cruz no meio de dois ladrões.

Que o Divino Pai Eterno nos ilumine a todos e a todas para que sejamos - em nossa realidade de hoje - verdadeiros seguidores e seguidoras de Jesus de Nazaré.

Desde já, desejo aos leitores e leitoras um Feliz Natal! Lembremos: Jesus nasce numa manjedoura, como “sem-teto”. “Não havia lugar para eles (Maria grávida e José) dentro de casa” (Lc 2,7).


                                          https://iserassessoria.org.br/e-de-outra-igreja-que-precisamos/


Marcos Sassatelli, Frade dominicano

Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP)

Professor aposentado de Filosofia da UFG

E-mail: mpsassatelli@uol.com.br

Goiânia, 16 de dezembro de 2021



terça-feira, 30 de novembro de 2021

A questão da “dignidade” na Igreja

 


A respeito da questão da “dignidade”, a Igreja - influenciada pela cultura dominante na sociedade, que é a cultura capitalista neoliberal e não a cultura popular - coloca primeiramente a dignidade no cargo que a pessoa humana ocupa e não na própria pessoa humana. Com isso, consciente ou inconscientemente, ela nega um valor humano e cristão (radicalmente humano, evangélico) fundamental, causando muitas injustiças.

Como exemplo, vejam o que reza uma Oração (depois da Benção do Santíssimo Sacramento ou do Rosário) muito conhecida pelo povo: “Derramai as vossas bênçãos sobre o nosso Santo Padre, o papa, sobre o nosso bispo, sobre o nosso pároco e todo o clero, sobre o chefe da nação e do Estado e sobre todas as pessoas constituídas em dignidade para que governem com justiça”.

Pergunto: Existe alguma pessoa humana que não é “constituída em dignidade”? É verdade que os defensores dessa maneira de ver a realidade fazem uma distinção e dizem que existe uma dignidade inerente a pessoa humana e uma dignidade inerente ao cargo que ela ocupa. É “uma conversa pra boi dormir”, que pretende “naturalizar” e “legitimar” essa mentalidade.

A dignidade está somente na pessoa humana e é ela que dá valor ao cargo ocupado. O meu irmão ou irmã que mora na rua - vítima de uma sociedade injusta, iníqua e perversa - tem a mesma dignidade do papa ou do presidente da República. Toda pessoa humana é “constituída em dignidade”.

Infelizmente, em nossa sociedade - e na Igreja - existem muitos preconceitos a respeito da dignidade humana. “Para reconhecermos que a dignidade humana é fundamental, precisamos fazer algumas perguntas: Qual é o nível de humanidade e dignidade atribuído a pessoas negras, indígenas, LGBTQIA+, aos migrantes e às mulheres? Quais mortes causam mais comoções e quais delas a sociedade considera aceitáveis? Quem são as pessoas que têm mais oportunidades?”.

E ainda: “O principal fundamento dos Direitos Humanos é a garantia da dignidade humana. Todos os seres humanos devem ter reconhecido seu direito a ter direitos (saúde, educação, emprego, moradia, saneamento básico, justiça, etc.). Portanto, violências no campo físico, moral, psíquico, social e cultural são inaceitáveis. Mas, os princípios que norteiam a dignidade humana estão longe de serem realidade na nossa sociedade (e na Igreja). Ainda temos hoje, diversos grupos sociais privados do direito à vida” (https://usinadevalores.org.br/dignidade-humana/).

Apesar de tudo isso, podemos afirmar que “os seres humanos de hoje tornam-se cada vez mais conscientes da dignidade da pessoa humana e, cada vez em maior número, reivindicam a capacidade de agir segundo a própria convicção e com liberdade responsável, não forçados por coação mas levados pela consciência do dever” (Concílio Vaticano II. Dignitatis Humanae - DH, 1).

Todos os seres humanos, homens, mulheres e pessoas com identidade de gênero ou orientação sexual diferentes (LGBTQIA+) - por serem imagem e semelhança de Deus - têm a mesma dignidade e o mesmo valor. “Deus disse: ‘Façamos o ser humano à nossa Imagem e semelhança’. (...) E Deus criou o ser humano à sua imagem, à imagem de Deus ele o criou, macho e fêmea os criou” (Gn 1,26-27).

“Na Igreja, Povo de Deus, é comum (deveria ser comum...) a dignidade dos filhos e filhas de Deus batizados e batizadas, no seguimento de Jesus, na comunhão recíproca e no mandamento missionário” (Exortação Apostólica Pós-sinodal “Ecclesia in America - EA 44).

Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade” (Declaração Universal dos Direitos Humanos - 1948, art. 1). É esse o nosso ideal! Lutemos por ele!

Com o presente texto inicio a terceira série de artigos - reflexões eclesiológicas na perspectiva libertadora - sobre algumas questões, que são fundamentais e que só foram mencionadas de passagem em outros artigos: as questões da “dignidade” (este artigo), da “igualdade”, da “democracia”, da “sinodalidade”, da “comunhão”, da “participação”, da “missão”, da “radicalidade”, do “pecado estrutural”, do “pecado individual”, da “graça estrutural” e da “graça individual” na Igreja. (Os destaques em negrito são meus).


                                                        Ilustração da V Jornada Mundial dos Pobres no Brasil - CNBB - 2021


Marcos Sassatelli, Frade dominicano

Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP)

Professor aposentado de Filosofia da UFG

E-mail: mpsassatelli@uol.com.br

Goiânia, 15 de outubro de 2021


O artigo foi publicado originalmente em:
https://portaldascebs.org.br/a-questao-da-dignidade-na-igreja/


terça-feira, 9 de novembro de 2021

Direito famélico

 

No Jornal O Popular (Goiânia - GO) do dia 30 e 31 de outubro próximo passado, na página 14, sobre a VIDA URBANA, lemos a seguinte manchete: “Furto famélico está em 20% das prisões”.

Mariana Carneiro - autora da reportagem -  começa o seu texto com estas palavras: “Uma a cada cinco prisões em flagrante por furto, em Goiânia, nos dias úteis de julho a 26 de outubro deste ano, foi por furto famélico, quando a pessoa comete o delito para se alimentar”.

A jornalista, de um lado, relata que Gilles Gomes, advogado criminalista, “durante inspeções em presídios já conheceu pessoas que estavam presas por terem cometidos furtos famélicos”; de outro lado, relata que “desde 2004, existe um entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) de que casos com esse perfil devem ser arquivados, segundo o princípio da insignificância, casos em que o valor do furto é tão irrisório que não causa prejuízo à vítima do crime. Entretanto, a norma não é obrigatória”.

Na reportagem, Leonardo Stutz, defensor público da área criminal, afirma que “a situação reflete o cenário de pobreza estrema que muitos brasileiros enfrentam”: situação que - acrescento eu - é fruto de um sistema hipócrita e perverso, estruturalmente antiético (ou seja, desumano) que é o sistema capitalista ultraneoliberal.

Mesmo reconhecendo a gravidade da situação, a respeito dos chamados “furtos famélicos”, os juízes - com poucas exceções - não estão preocupados em salvaguardar o direito à alimentação das pessoas que se encontram em extrema necessidade. A preocupação deles é que o “furto” não cause prejuízo à vítima do “crime”.

Infelizmente, nesses casos, as decisões dos juízes são quase sempre muito ambíguas e - na maioria das vezes - descaradamente a favor dos poderosos. Também, dá para entender! Vejam só!

“Em Goiás (nos outros Estados não deve ser muito diferente), 170 juízes (do TJ) receberam mais de R$ 100 mil em outubro” (deste ano), incluindo os adicionais, chamados “penduricalhos”.  No mesmo mês, “o maior rendimento bruto foi de R$ 162 mil. Neste caso, o magistrado recebeu subsídio de R$ 35,4 mil e R$ 5 mil em direitos pessoais (abono permanência)” (https://opopular.com.br/noticias/politica/em-goi%C3%A1s-170 ju%C3%ADzes-receberam-mais-de-r-100-mil-em-outubro-1.2348767). Como podemos acreditar na justiça desses juízes?

Mesmo que os pobres e, sobretudo, os mais pobres entre os pobres -que, por extrema necessidade, praticaram “furtos famélicos” - não cheguem a ser presos ou fiquem presos por pouco tempo por serem os casos arquivados, seguindo o princípio da insignificância, eles e elas são sempre humilhados com maus-tratos e palavras desrespeitosas, como: “furtam bolacha, leite, macarrão”, “furtam alimentos vencidos”, “presos por cometerem furtos famélicos”, “presos em fragrante furto”, “cometem delito para se alimentar”, “praticam uma conduta ilícita”, etc.

Segundo o ensinamento ético (o ético é o humano) de Santo Tomás de Aquino (1225-1274) - que integra o Pensamento Social Cristão - quando uma pessoa ou um grupo de pessoas encontra-se em situação de miséria ou de extrema necessidade, “tudo é comum ou seja, todos os bens são de todos e de todas(“In casu extremae necessitatis, omnia sunt communia”: Suma Teológica. IIa IIae, questão 32, artigo 7, resposta 3). 

Portanto, do ponto de vista ético - humano e cristão (radicalmente humano) -  o chamado “furto famélico” não é “furto”, não é “crime”, não é “delito”, não é “conduta ilícita”, mas é “direito famélico”, “direito à alimentação”, que é um direito fundamental de toda pessoa humana e é parte integrante do direito à vida.

Lutemos por esse direito e por um novo modelo de sociedade: justo, igualitário, de irmãos e irmãs.

(Todos os destaques em negrito - menos a manchete da reportagem - são meus)








Marcos Sassatelli, Frade dominicano

Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP)

Professor aposentado de Filosofia da UFG

E-mail: mpsassatelli@uol.com.br

Goiânia, 05 de novembro de 2021




CEBs: uma Igreja que vive a Espiritualidade da Libertação

 


“O seguimento de Jesus é fruto de uma fascinação

que responde ao desejo de realização humana,

ao desejo de vida plena”

 (Documento de Aparecida - DA, 277)


Toda verdadeira Espiritualidade é “da Libertação”, porque “liberta” de tudo aquilo que impede a vida. “Eu vim para que todos e todas tenham vida e a tenham em plenitude” (Jo 10,10).

As Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) - mesmo diante dos inúmeros desafios que precisam enfrentar no dia a dia - são uma Igreja que vive a Espiritualidade da Libertação: uma espiritualidade humana, cristã, pascal e do seguimento de Jesus.

A Espiritualidade da Libertação é, antes de tudo, espiritualidade humana. Ela envolve o ser humano todo, em todas as suas dimensões (corpóreas, biopsíquicas e espirituais ou pessoais) e em todas as suas relações (sociais, econômicas, políticas, ecológicas, culturais e religiosas) com o mundo material e vivente, com os outros-semelhantes e com o Outro absoluto-Deus. A Espiritualidade perpassa, impregna e absorve a totalidade do ser humano, a totalidade de sua existência.

Portanto, ser espiritual significa antes de tudo ser “humano”, viver o “humano” em graus crescentes de profundidade. Nunca o ser humano é “humano” demais, nunca o ser humano exagera em ser “humano”.

“Não se encontra nada verdadeiramente humano que não ressoe no coração dos discípulos e discípulas de Cristo” (Concílio Vaticano II. A Igreja no mundo de hoje - GS 1).

Para os que somos cristãos e cristãs, à luz da fé, a espiritualidade humana é espiritualidade cristã (evangélica). Não são duas espiritualidades diferentes. É a mesma espiritualidade. A espiritualidade não pode ser cristã se não for humana e, se for humana, é - implícita ou explicitamente - cristã.

"A fé esclarece todas as coisas com luz nova. Manifesta o plano divino sobre a vocação integral do ser humano. E por isso orienta a mente para soluções plenamente humanas" (GS 11).

O plenamente humano inclui a dimensão da fé. Quando verdadeira, a fé humaniza, torna o ser humano mais ser humano. O autêntico cristianismo é um humanismo pleno (radical). Ser cristãos e cristãs é ser plenamente (radicalmente) humanos.

Trata-se de uma solidariedade (compaixão) entranhável dos que somos cristãos e cristãs para com todos os seres humanos e com a Irmã Mãe Terra Nossa Casa Comum, a partir dos pobres, marginalizados, explorados, oprimidos, excluídos e descartados.

A espiritualidade cristã é, pois, espiritualidade pascal, ou seja, espiritualidade que brota da vivência, sempre mais profunda, da Páscoa (o mistério do Cristo crucificado, sepultado e ressuscitado). Para os que somos cristãos e cristãs, o mistério pascal é o centro da nossa vida na sociedade e no mundo. Do ponto de vista celebrativo, ele é o centro do ano litúrgico. A liturgia é a celebração do mistério pascal na vida e a celebração da vida no mistério pascal.

Viver o mistério pascal - a espiritualidade pascal - significa viver como Jesus viveu, morrer como Jesus morreu, ressuscitar como Jesus ressuscitou.

A espiritualidade pascal é "espiritualidade de comunhão" (DA 181, 307, 316); é “espiritualidade de comunhão com todos os e as que creem em Cristo” (DA 189); e é “espiritualidade de comunhão missionária" (DA 203).

A alma (a vida) da espiritualidade pascal é o Espírito Santo, o Amor de Deus, que nos faz mergulhar no mistério da Santíssima Trindade, a “melhor Comunidade”, nos torna testemunhas do Cristo Ressuscitado e nos compromete com o seu Projeto de Vida, que é o Reino de Deus na sociedade e no mundo.

A espiritualidade pascal é, pois, espiritualidade do seguimento de Jesus de Nazaré. "Todo aquele que segue Cristo, o Homem perfeito, torna-se ele também mais ser humano" (GS 41).

“No seguimento de Jesus Cristo, aprendemos e praticamos as bem-aventuranças do Reino, o estilo de vida do próprio Jesus: seu amor e obediência filial ao Pai, sua compaixão entranhável frente à dor humana, sua proximidade aos pobres e aos pequenos, sua fidelidade à missão, seu amor serviçal até à doação de sua vida” (DA 139).

Os cristãos e cristãs somos chamados a ser hoje “profetas e profetisas da vida” nas situações concretas da realidade do ser humano e do mundo. Vivamos essa espiritualidade! É o caminho da felicidade!







Marcos Sassatelli, Frade dominicano

Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP)

Professor aposentado de Filosofia da UFG

E-mail: mpsassatelli@uol.com.br

Goiânia, 15 de outubro de 2021



O Artigo foi publicado originalmente no Portal das CEBs:
https://portaldascebs.org.br/cebs-uma-igreja-que-vive-a-espiritualidade-da-libertacao/


A palavra do Frei Marcos: uma palavra crítica que - a partir de fatos concretos e na escuta dos sinais dos tempos aponta caminhos novos