Continua o tema do artigo-coluna anterior - parte 3)
Vimos que a Práxis - por ser “o modo
de ser no mundo conscienemente” do Ser humano - é Práxis Histórica e
Práxis meta-histórica.
A Práxis histórica é, pois, Práxis
social e Práxis individual
A Práxis social
(socioeconômico-político-ecológico-cultural-religiosa) ou estrutural
(infraestrutural e superestrutural) é "o modo de ser-no-mundo
socialmente ou estruturalmente” do Ser humano histórico.
A Práxis individual é "o modo de
ser-no-mundo individualmente” do Ser humano histórico: como Opção
fundamental (projeto de vida), como Atitudes (hábitos, costumes) e
como Atos (ações).
Ora, como ser-no-mundo individualmente
significa - para o Ser humano individual - ser-no-mundo corpórea, biopsíquica e
espiritualmente ou pessoalmente, a Práxis individual é Práxis corpórea,
biopsíquica e espiritual ou pessoal.
A Práxis corpórea é "o modo de
ser-no-mundo corporeamente” do Ser humano individual. A Práxis
biopsíquica é "o modo de ser-no-mundo biopsiquicamente” do Ser humano
individual. A Práxis espiritual ou pessoal é "o modo de ser-no-mundo
espiritualmente ou pessoalmente” do Ser humano individual.
A Práxis meta-histórica (meta-social e
meta-individual) é "o modo” de ser-no-mundo meta-historicamente (meta-social
e meta-individualmente: meta-corpórea, meta-biopsíquica e
meta-espiritualmente ou meta-pessoalmente) do Ser humano.
Na Práxis e pela Práxis - que é
"projeto" e "processo" histórico permanente - o
Ser humano meta-históriciza-se (transcende-se) permanentemente até à plena
meta-historicização após a morte.
A Práxis - como "o modo de ser-no-mundo
histórica e meta-historicamente” - é, pois, para o Ser humano - Práxis
prático-teórica (Prática, Ação) e, ao mesmo tempo, Práxis
teórico-prática (Teoria, Conhecimento). Na realidade humana não existe a
Prática em si e a Teoria em si. O ser (a identidade) da Prática (praticidade),
para ser, depende - em seu ser - do ser da Teoria (teoricidade), e o ser da
Teoria, para ser, depende - em seu ser - do ser da Prática (cf. BORNHEIM, A.
Gerd. Dialética Teoria Práxis. Ensaio para uma crítica da fundamentação
ontológica da Dialética. Globo, Porto Alegre - Rio de Janeiro, 19832,
p. 326-327).
Na relação Prática-Teoria, a categoria da
causalidade não se aplica de maneira mecanicista, linear e unilateral (a
Prática causa a Teoria ou vice-versa), mas de maneira dialética. Todas as
determinações reais da Prática e da Teoria desembocam na Práxis, que é como o
leito final de um grande rio, que cresce pela afluência e confluência dos
riachos e arroios, para desembocar pujante no mar que é o mundo (cf. DUSSEL, E.
Para uma Ética da Libertação latino-americana: I- Acesso ao ponto de partida da
Ética, p. 88).
Na verdade, a Práxis é atividade
prático-teórica e teórico-prática, ou seja, tem um lado prático (material) e um
lado teórico (ideal) dialeticamente articulados entre si. É tão unilateral
reduzir a Práxis ao elemento prático, como reduzi-la ao elemento teórico (cf. VÁSQUEZ, A.
Sánchez. Filosofia da Práxis. Paz e Terra, Rio de Janeiro, 1977², p. 241).
No Ser humano, a relação de unidade
dialética entre a Prática e a Teoria pressupõe sua mútua dependência. Isso,
todavia, não impede que haja uma certa autonomia (autonomia relativa) entre a
Prática e a Teoria, como, aliás, entre todas as suas manifestações concretas.
A Prática e a Teoria, portanto,
são "duas formas de comportamento do Ser humano em face da realidade, que
se desenvolvem, em estreita unidade, ao longo da história humana" (ib., p.
240-241). Só por
um processo de abstração (artificialmente) podemos distinguir (não separar) o
momento prático (atividade prática) do momento teórico (atividade teórica).
Isso para um maior aprofundamento e compreensão do significado de cada momento
e de seu relacionamento mútuo.
É o que faremos em seguida.
(No próximo artigo-coluna,
continua o mesmo tema: parte 4)
Marcos Sassatelli, frade
dominicanoDoutor em Filosofia (USP) e
em Teologia Moral (Assunção - SP)Professor aposentado de
Filosofia da UFG
Goiânia, 17 de fevereiro de
2026
O artigo foi publicado
originalmente em:
https://portaldascebs.org.br/o-ser-humano-como-ser-de-praxis-3/
(18/03/26)

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