O Tribunal Superior
Eleitoral (TSE) aprovou, no dia 2 de março de 2026, a Resolução nº.
23.760, que estabelece o calendário oficial das Eleições de 2026.
Elas ocorrerão no dia 4
de outubro deste ano (1º turno). Serão pessoas eleitas para os cargos de presidente
da República, governadores, senadores e deputados federais, estaduais e
distritais. Nos casos em que houver necessidade de 2º turno, a votação
ocorrerá no dia 25 do mesmo mês.
Votar é - para todos e todas
nós - uma grande responsabilidade sociopolítica, humana, ética e cristã.
Em consciência, não podemos
votar em candidatos e candidatas que - teórica e praticamente – já provaram que
são contra mudanças sociopolíticas estruturais que levem à superação do Sistema
Capitalista Neoliberal: um
“sistema econômico iníquo” (Documentos de Aparecida, 385).
Ronaldo Caiado,
pré-candidato à presidência, foi um dos fundadores da União Democrática Ruralista
(UDR), que teve uma atuação marcante na defesa da propriedade privada e na
oposição aos Movimentos Populares. A UDR foi criada em 1985 no contexto de
redemocratização e discussões sobre a Reforma Agrária na Constituinte. É uma
entidade criminosa que sempre foi contra a Reforma Agrária. Assassinou
impunemente muitos trabalhadores/as rurais e seus companheiros/as de militância
pelo direito à terra: o direito de viver, morar e trabalhar dignamente.
Ronaldo Caiado, enquanto
presidente da UDR, de 1986 a 1989, liderou proprietários de terras contra a
Reforma Agrária na Assembleia Constituinte antes de se licenciar para concorrer
à Presidência da República. Ele foi responsável por diversos conflitos agrários
e episódios de violência no campo contra Movimentos Populares: o Movimento
dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e outros.
Um dos casos mais
emblemáticos, ligado diretamente à Presidência da UDR foi o assassinato do trabalhador
rural sem-terra Sebastião Camargo de 65 anos, morto com um tiro na cabeça em 7
de fevereiro de 1998 durante uma ação de despejo num acampamento da Fazenda Boa
Sorte, no município de Marilena, no noroeste do Paraná.
Marcos Menezes Prochet,
ex-presidente da UDR no Paraná, foi acusado de envolvimento na execução do
trabalhador. Depois de muitas tramitações e anulações durante décadas, Prochet
foi absolvido pelo Tribunal do Júri de Curitiba em maio de 2026. Mais um crime
- como muitos outros - até hoje impune.
Entre os companheiros/as de
militância dos trabalhadores/as rurais que poderiam ser lembrados, cito o caso
do Pe. Josimo Tavares.
Nascido em Marabá (PA) no
ano de 1953, Josimo Morais Tavares - devido a uma grande enchente em 1957 -
mudou-se com a família para o município de Xambioá (GO). Com 11 anos de idade, ingressou
no Seminário Menor Leão XIII, na cidade de Tocantinópolis (TO). Ele também
estudou Filosofia em São Paulo e Teologia em Petrópolis.
Retornou ao então norte
goiano como padre e, posteriormente, assumiu a coordenação da CPT-TO.
O mártir foi assassinado em
Imperatriz (MA), no dia 10 de maio de 1986, a mando de latifundiários da região
do Bico do Papagaio, no Tocantins (cf.
https://cptnacional.org.br/martir/padre-josimo-tavares-martir-da-terra/).
Padre Josimo Tavares nos
deixou o seguinte testemunho: “Nem o medo me detém. É a hora de assumir. Morro
por uma justa causa. Agora quero que vocês entendam o seguinte: tudo isto que
está acontecendo é uma consequência lógica resultante do meu trabalho, na luta
pelos Pobres, em prol do Evangelho que me levou a assumir até as últimas
consequências” (ib.).
Relatórios de Entidades de
Direitos Humanos e da Comissão Pastoral da Terra apontam que o período de
intensas disputas de terra na década de 1990 e início dos anos 2000 registrou
dezenas de mortes de trabalhadores rurais em muitos Estados. Os altos índices
de impunidade nas investigações envolviam e envolvem até hoje grandes
proprietários de terra. Entre muitos outros pré-candidatos nos quais - se
confirmados - ninguém deve votar, lembro mais um: o pré-candidato à reeleição
para governador do Estado de Goiás, que em 16 de fevereiro de 2005 (então
governador) foi o responsável pelo despejo - numa hora e meia - de cerca 14.000
pessoas (4 mil famílias) da Ocupação Sonho Real no Parque Oeste Industrial em
Goiânia (GO) da forma mais perversa possível.
O diabólico despejo foi
cinicamente chamado “Operação Triunfo”, precedida da chamada “Operação Inquietação”,
durante a qual - por uma semana inteira - de meia-noite às 6 horas, a Polícia
Militar jogava contra a população naquela Ocupação bombas chamadas de efeito
moral (o certo seria dizer, de efeito imoral), assustando as pessoas e
traumatizando as crianças.
A operação militar produziu
duas vítimas fatais (Pedro e Vagner), 16 feridos à bala, tornando-se um desses
paraplégico (Marcelo Henrique) e 800 pessoas detidas (suspeita-se com razão que
o número de mortos e feridos tenha sido bem maior).
Marconi Perillo é o principal responsável por esse crime diabólico até hoje impune. E ainda, tem a cara-de-pau de se apresentar novamente como pré-candidato a governador. Dá para entender? Por fim, diante desse quadro de assassinatos e de impunidade - no campo e na cidade – peço que - se confirmados - ninguém vote nos pré-candidatos acima citados e Cia. Ltda. Seria um crime contra os trabalhadores/as rurais e seus companheiros/as, clamando a Deus por justiça.
Foto: Arquivo CPT Nacional