segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Ética estrutural e pessoal nas próximas eleições

 


Nem UDR na Presidência,
nem Operação Triunfo em Goiás
e nem candidatos/as de sua Cia. Ltda.
em outros Estados  

Jesus nos ensina: “Digam apenas ‘sim’, quando é ‘sim’; e ‘não’, quando é ‘não’. O que vocês disserem além disso, vem do Maligno” (Mt. 5,37). E ainda: “Conhecerão a verdade, e a verdade libertará vocês” (Jo 8,32).

Se nas próximas eleições - à luz dessas palavras de Jesus - queremos ser coerentes do ponto de vista humano, cristão (radicalmente humano) e ético (estrutural e pessoal) não devemos votar:

- nem no Ronaldo Caiado da União Democrática Ruralista (UDR), candidato à presidência do Brasil;

- nem no Daniel Vilela - seu aliado e apoiador - candidato ao governo do Estado de Goiás e

- nem no Marconi Perillo, novamente candidato ao governo do Estado de Goiás, responsável (até hoje   

  impune) da diabólica “Operação Triunfo”, no despejo de cerca 14.000 pessoas da Ocupação “Sonho

  Real” no Parque Oeste Industrial, no dia 16 de fevereiro de 2005.

O desrespeito desses políticos, e de muitos outros, para com o povo - trabalhadores e trabalhadoras - é de uma hipocrisia e iniquidade acintosas. São políticos que, por não terem nenhuma vergonha na cara, tratam o povo como se fosse um bando de idiotas.

Daniel Vilela - apesar de ser um candidato ainda jovem - fez uma opção política que é totalmente condenável. Antes de tudo, traiu seu pai Maguito, que historicamente nunca fez aliança com políticos de Organizações criminosas como UDR e outras semelhantes, mas construiu sua trajetória política nas bases tradicionais do MDB e no trabalhismo moderado. 

Em seguida, o candidato adotou uma postura político-partidária totalmente alinhada ao campo mais conservador e contrária aos interesses dos trabalhadores e das trabalhadoras. Trata-se de uma postura de submissão serviçal aos interesses dos poderosos: uma aliança que dá nojo em qualquer pessoa com um mínimo de dignidade humana.

“Continuidade e segurança dão o tom em convenção da base” (O Popular, 6 de agosto de 2026. Manchete, pág. 4). Que pena!

“Ao lançar o slogan ‘futuro seguro’ em evento, Daniel Vilela promete ser o ‘mais fiel e obstinado defensor’ do legado de Caiado; ato evidenciou fissuras no grupo após definição da chapa” (ib.).

Que bajulação vergonhosa! Que falta de dignidade! Com certeza, o pai de Maguito Vilela seria o primeiro a repudiar esse comportamento.

Para presidente do Brasil, governador do Estado de Goiás e dos outros Estados do Brasil, precisamos eleger candidatos e candidatas que estejam realmente do lado do Povo (trabalhadores e trabalhadoras) e lutem para mudar o sistema capitalista, estruturalmente desumano, injusto, antiético e anticristão.

Precisamos construir um Projeto estruturalmente novo de sociedade: um Projeto Social Popular (PSP). Por social entendemos sempre: socioeconômico-político-cultural-religioso popular.  

“Sem amor isto não se compreende”. “Se o amor é eliminado como categoria teológica, categoria ética, econômica e política, perde-se o rumo”. Por isso, “a justiça social - e a ecologia integral - só podem ser compreendidas por meio do amor”, porque “sem amor não somos nada”. E este amor deve ser vivido na vida cotidiana e em cada espaço comunitário: nas relações familiares, socioambientais, políticas, econômicas, culturais e religiosas.

Na ganância do individualismo, prepondera a "lei do mais forte" que justifica primeiro a “indiferença”, depois a “crueldade” e, finalmente, o “extermínio”. Tudo isto “vem do Maligno”.

Papa Francisco destaca, pois, as muitas formas de criminalidade organizada que “crescem nas terras aradas pela pobreza e pela exclusão”: “tráfico de drogas, prostituição infantil, tráfico de Seres humanos e violência brutal dos bairros”.

Este drama deve ser enfrentado: "Sei que vocês - diz Francisco aos Movimentos Sociais Populares - não são polícias, sei que não podem enfrentar diretamente os grupos criminosos", mas "continuem a combater a economia criminosa com a economia popular.  Não desistam...”

(Fonte: https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2024-09/papa-movimentos-populares-sao-calisto-justica-social-amor.html). 



Marcos Sassatelli, frade dominicano
Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP)
Professor aposentado de Filosofia da UFG
E-mail: mpsassatelli@uol.com.br - Cel. e WA: (62) 9 9979 2282

Goiânia, 18 de agosto de 2026


segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Nem União Democrática Ruralista na Presidência e nem Operação Triunfo em Goiás

 


O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou, no dia 2 de março de 2026, a Resolução nº. 23.760, que estabelece o calendário oficial das Eleições de 2026.

Elas ocorrerão no dia 4 de outubro deste ano (1º turno). Serão pessoas eleitas para os cargos de presidente da República, governadores, senadores e deputados federais, estaduais e distritais. Nos casos em que houver necessidade de 2º turno, a votação ocorrerá no dia 25 do mesmo mês.

Votar é - para todos e todas nós - uma grande responsabilidade sociopolítica, humana, ética e cristã.

Em consciência, não podemos votar em candidatos e candidatas que - teórica e praticamente – já provaram que são contra mudanças sociopolíticas estruturais que levem à superação do Sistema

Capitalista Neoliberal: um “sistema econômico iníquo” (Documentos de Aparecida, 385).

Ronaldo Caiado, pré-candidato à presidência, foi um dos fundadores da União Democrática Ruralista (UDR), que teve uma atuação marcante na defesa da propriedade privada e na oposição aos Movimentos Populares. A UDR foi criada em 1985 no contexto de redemocratização e discussões sobre a Reforma Agrária na Constituinte. É uma entidade criminosa que sempre foi contra a Reforma Agrária. Assassinou impunemente muitos trabalhadores/as rurais e seus companheiros/as de militância pelo direito à terra: o direito de viver, morar e trabalhar dignamente.

Ronaldo Caiado, enquanto presidente da UDR, de 1986 a 1989, liderou proprietários de terras contra a Reforma Agrária na Assembleia Constituinte antes de se licenciar para concorrer à Presidência da República. Ele foi responsável por diversos conflitos agrários e episódios de violência no campo contra Movimentos Populares: o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e outros.

Um dos casos mais emblemáticos, ligado diretamente à Presidência da UDR foi o assassinato do trabalhador rural sem-terra Sebastião Camargo de 65 anos, morto com um tiro na cabeça em 7 de fevereiro de 1998 durante uma ação de despejo num acampamento da Fazenda Boa Sorte, no município de Marilena, no noroeste do Paraná.

Marcos Menezes Prochet, ex-presidente da UDR no Paraná, foi acusado de envolvimento na execução do trabalhador. Depois de muitas tramitações e anulações durante décadas, Prochet foi absolvido pelo Tribunal do Júri de Curitiba em maio de 2026. Mais um crime - como muitos outros - até hoje impune.

Entre os companheiros/as de militância dos trabalhadores/as rurais que poderiam ser lembrados, cito o caso do Pe. Josimo Tavares.

Nascido em Marabá (PA) no ano de 1953, Josimo Morais Tavares - devido a uma grande enchente em 1957 - mudou-se com a família para o município de Xambioá (GO). Com 11 anos de idade, ingressou no Seminário Menor Leão XIII, na cidade de Tocantinópolis (TO). Ele também estudou Filosofia em São Paulo e Teologia em Petrópolis.

Retornou ao então norte goiano como padre e, posteriormente, assumiu a coordenação da CPT-TO.

O mártir foi assassinado em Imperatriz (MA), no dia 10 de maio de 1986, a mando de latifundiários da região do Bico do Papagaio, no Tocantins (cf. https://cptnacional.org.br/martir/padre-josimo-tavares-martir-da-terra/).

Padre Josimo Tavares nos deixou o seguinte testemunho: “Nem o medo me detém. É a hora de assumir. Morro por uma justa causa. Agora quero que vocês entendam o seguinte: tudo isto que está acontecendo é uma consequência lógica resultante do meu trabalho, na luta pelos Pobres, em prol do Evangelho que me levou a assumir até as últimas consequências” (ib.).

Relatórios de Entidades de Direitos Humanos e da Comissão Pastoral da Terra apontam que o período de intensas disputas de terra na década de 1990 e início dos anos 2000 registrou dezenas de mortes de trabalhadores rurais em muitos Estados. Os altos índices de impunidade nas investigações envolviam e envolvem até hoje grandes proprietários de terra. Entre muitos outros pré-candidatos nos quais - se confirmados - ninguém deve votar, lembro mais um: o pré-candidato à reeleição para governador do Estado de Goiás, que em 16 de fevereiro de 2005 (então governador) foi o responsável pelo despejo - numa hora e meia - de cerca 14.000 pessoas (4 mil famílias) da Ocupação Sonho Real no Parque Oeste Industrial em Goiânia (GO) da forma mais perversa possível.

O diabólico despejo foi cinicamente chamado “Operação Triunfo”, precedida da chamada “Operação Inquietação”, durante a qual - por uma semana inteira - de meia-noite às 6 horas, a Polícia Militar jogava contra a população naquela Ocupação bombas chamadas de efeito moral (o certo seria dizer, de efeito imoral), assustando as pessoas e traumatizando as crianças.

A operação militar produziu duas vítimas fatais (Pedro e Vagner), 16 feridos à bala, tornando-se um desses paraplégico (Marcelo Henrique) e 800 pessoas detidas (suspeita-se com razão que o número de mortos e feridos tenha sido bem maior).

Marconi Perillo é o principal responsável por esse crime diabólico até hoje impune. E ainda, tem a cara-de-pau de se apresentar novamente como pré-candidato a governador. Dá para entender? Por fim, diante desse quadro de assassinatos e de impunidade - no campo e na cidade – peço que - se confirmados - ninguém vote nos pré-candidatos acima citados e Cia. Ltda. Seria um crime contra os trabalhadores/as rurais e seus companheiros/as, clamando a Deus por justiça.


           
                                                             Foto: Arquivo CPT Nacional 



Marcos Sassatelli, frade dominicano
Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP)
Professor aposentado de Filosofia da UFG
E-mail: mpsassatelli@uol.com.br - Cel. e WA: (62) 9 9979 2282

Goiânia, 03 de agosto de 2026

A palavra do Frei Marcos: uma palavra crítica que - a partir de fatos concretos e na escuta dos sinais dos tempos aponta caminhos novos