segunda-feira, 13 de setembro de 2021

Um processo de construção coletiva

 


Grito dos Excluídos e das Excluídas:

“espaço de animação e profecia” 




“Nestes 27 anos de história - afirma a Coordenação Nacional - o Grito dos Excluídos e das Excluídas mudou a cara do 7 de Setembro e da Semana da Pátria, chamando o povo para descer das arquibancadas dos desfiles cívicos e militares e participar, ativamente, na luta por seus direitos, nas ruas e praças, nos centros e nas periferias de todo o Brasil. Para ecoar seus gritos de denúncia e de anúncio de um projeto de país mais justo e igualitário, na defesa da dignidade da vida em primeiro lugar”. E ainda: “Estar nas ruas é um ato democrático e, na Semana da Pátria, é um tempo favorável para seguirmos firmes nessa defesa”.

O Grito dos Excluídos e das Excluídas é, portanto, “um processo de construção coletiva, é muito mais que um ato. Por isso, nossa luta não se encerra no dia 7 de Setembro. Nossa luta é uma maratona, não é uma corrida de 100 metros. O Grito é uma manifestação popular carregada de simbolismo, espaço de animação e profecia, sempre aberto e plural de pessoas, grupos, entidades, igrejas e movimentos sociais comprometidos com as causas da população mais vulnerável”.

Com coragem profética, a Coordenação Nacional apresenta-nos a realidade: “Estamos vivendo um momento de crises - social, ambiental, sanitária, humanitária, política e econômica - sobretudo causadas pela ação nefasta de um governo genocida, negacionista e promotor do caos que visa principalmente destruir, de qualquer forma, a democracia e a soberania do nosso país”.

Neste ano de 2021, em muitas capitais e cidades do Brasil, o Grito dos Excluídos e das Excluídas foi realizado em conjunto com a Campanha Nacional “Fora Bolsonaro”: um grito tão amplo e tão forte, que - na conjuntura atual - integra e sintetiza de alguma forma todos os gritos.

De fato - continua a Coordenação Nacional - o que nos motiva a gritar neste ano de 2021 são:

  • “as quase 580 mil mortes pela COVID-19, muitas das quais (a grande maioria) poderiam ter sido evitadas;
  • a corrupção na negociação de compra e distribuição das vacinas contra a COVID-19 (CPI);
  • o desmonte da saúde pública (SUS);
  • a carestia e a fome que voltaram com tudo e assolam as camadas empobrecidas da população;
  • o desemprego;
  • o desvio do dinheiro público, através do orçamento federal, para o pagamento de juros da dívida pública, ao invés de investir em políticas sociais;
  • a falta de moradia, que se agrava com os despejos criminosos;
  • a não demarcação das terras indígenas e o grito profético dos povos indígenas dizendo ‘Não ao Marco temporal’;
  • a denúncia contra o tratamento dado aos povos em situação de rua, sejam de qualquer origem, migrantes e refugiados ou deslocados internos, que lutam e resistem por dignidade e cidadania universal no Brasil;
  • a cultura do ódio disseminada pelo governo federal e seus aliados que ataca e retira os direitos humanos de mulheres, LGBTQIA+, negros/as, dos povos originários - Indígenas e Quilombolas, das pessoas portadoras de deficiência, dos/as trabalhadores/as, dos setores excluídos da sociedade”.

A Coordenação Nacional conclui, pois, dizendo: “Não podemos ficar indiferentes a essa realidade que atenta contra a vida do nosso povo, porque acreditamos que é possível e necessária a construção de um outro modelo de sociedade!!!” (https://www.gritodosexcluidos.com/post/nota-da-coordenacao-nacional).

Segundo o Papa Francisco, hoje os Pobres não são só Excluídos e Excluídas, mas Descartados e Descartadas (são lixo).

Por fim, como cristão católico (da Igreja renovada e libertadora), religioso dominicano e presbítero (padre), com profunda dor no coração, denuncio: apesar da Carta de apoio ao 27º Grito dos Excluídos e das Excluídas da Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Sociotransformadora da CNBB (31 de julho/21) e do Pronunciamento de Dom Walmor Oliveira de Azevedo, presidente da CNBB, a respeito do dia 7 de Setembro (03 de setembro/21), a grande maioria das Igrejas locais do Brasil (graças a Deus, não todas) - incluindo a Igreja de Goiânia (que viveu um retrocesso de mais de 50 anos) - em relação ao Grito dos Excluídos e das Excluídas, foram (com poucas e louváveis exceções) totalmente omissas (um silêncio que, do ponto de vista ético e cristão, é criminoso) e traíram Jesus nos Pobres.

Por conhecer e ter vivido intensamente a história de renovação da Igreja de Goiânia desde o início da década de 1970, já tinha feito essa mesma denúncia - com as lágrimas nos olhos - na manifestação de Goiânia em frente à Catedral (de portas fechadas). Na ocasião, disse ainda que naquele momento Jesus não estava na Catedral, mas na Praça junto com o Povo que lutava por um novo Brasil.

Infelizmente, na manifestação de Goiânia (muito bem preparada e coordenada pelos Movimentos Populares e outras Entidades), da Igreja Católica estavam presentes somente alguns grupos de pessoas das Comunidades, algumas religiosas e (por aquilo que pude constatar) um padre, o autor deste escrito. É lamentável! Por ser feriado, a presença devia ser maciça. Os verdadeiros cristãos e cristãs - em nome de sua consciência cidadã e de sua fé - deveriam estar sempre na linha de frente de todas as lutas por um Brasil e um Mundo Novo (o Reino de Deus na história).

Ah, se ouvíssemos o convite do papa Francisco! “Soube que são muitos na Igreja aqueles/as que se sentem mais próximos dos Movimentos Populares. Muito me alegro por isso! Ver a Igreja com as portas abertas a todos vocês, que se envolve, acompanha e consegue sistematizar em cada Diocese, em cada Comissão ‘Justiça e Paz’, uma colaboração real, permanente e comprometida com os Movimentos Populares”.

“Convido-vos a todos, bispos, sacerdotes e leigos (todos os cristãos/ãs católicos/as), juntamente com as organizações sociais das periferias urbanas e rurais, a aprofundar este encontro” (2º Encontro Mundial dos Movimentos Populares. Santa Cruz de la Sierra - Bolívia, 09/07/15). A esperança nunca morre!

Unidos e unidas, continuemos a luta por um outro Brasil, verdadeiramente. independente”! (Os destaques em negrito são meus. Veja também: https://www.gritodosexcluidos.com).




Marcos Sassatelli, Frade dominicano

Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP)

Professor aposentado de Filosofia da UFG

E-mail: mpsassatelli@uol.com.br

Goiânia, 11 de setembro de 2021


quarta-feira, 8 de setembro de 2021

CEBs: uma Igreja que é sinal visível do Reino de Deus no Mundo

 


Na sinagoga de Nazaré, Jesus retomou as palavras do profeta Isaias e fez delas o seu programa de missão e de vida: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para anunciar a Boa Notícia (do Reino de Deus) aos pobres. Enviou-me para anunciar a libertação aos presos e a recuperação da vista aos cegos, para libertar os oprimidos e para anunciar o ano da graça do Senhor”. E acrescentou: “Hoje se cumpre essa passagem da Escritura que vocês acabaram de ouvir” (Lc 4,16-21).

O “hoje” de Jesus é também o nosso “hoje”, é o “hoje” das CEBs. O Reino de Deus - que o evangelista Mateus e sua Comunidade chamam Reino dos Céus - é a Sociedade do Bem Viver e do Bem Conviver (como dizem os nossos irmãos e irmãs indígenas); é o Mundo Novo acontecendo na história do ser humano, da Irmã Mãe Terra Nossa Casa Comum e do universo inteiro.

Em outras palavras, o Reino de Deus é a Páscoa acontecendo: passagem da morte (e tudo o que ela significa) para a vida nova em Cristo, até sua plenitude na meta-história (na eternidade), a casa de nosso Pai-Mãe, que é Deus. Essa é a salvação trazida por Jesus!

Costuma-se dizer: “Jesus veio para nos salvar”. Ora, “Jesus nos salva”, suscitando em nós o desejo de entrar livre e conscientemente - nele e com ele - no caminho da vida nova até sua plenitude, que é a meta final de todos e todas nós. É esse o caminho da realização humana, da felicidade, da salvação!

Como Igreja que “nasce do Povo pelo Espírito de Deus”, que “atualiza o jeito de ser de Jesus de Nazaré” e que “se constitui de irmãos e irmãs em comunhão”, as CEBs - mesmo com suas limitações humanas - são uma Igreja que, pelo testemunho e pela palavra, anuncia a Boa Notícia de Jesus de Nazaré - o Reino de Deus - aos pobres e a todos aqueles e aquelas que - ao lado dos pobres e junto com eles e elas - querem seguir Jesus, “o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14,6).

As CEBs são, pois, uma Igreja “em saída permanente”, que se encarna na vida do povo e se torna sal da terra, luz do mundo e fermento na massa.

As CEBs são ainda uma Igreja que escuta os sinais dos tempos à luz do Evangelho. “Para desempenhar sua missão a Igreja, a todo momento, tem o dever de perscrutar os sinais dos tempos e interpretá-los à luz do Evangelho”. Por isso, “é necessário conhecer e entender o mundo no qual vivemos, suas esperanças, suas aspirações e sua índole frequentemente dramática" (A Igreja no mundo de hoje - GS 4).

“Como discípulos/as de Jesus Cristo, sentimo-nos desafiados/as a discernir os 'sinais dos tempos' à luz do Espírito Santo, para nos colocar a serviço do Reino, anunciado por Jesus, que veio ‘para que todos tenham vida e para que a tenham em plenitude' (Jo 10,10)" (Documento de Aparecida - DA 33).

Por fim, as CEBs são uma Igreja sinal visível (sacramento) do Reino de Deus no mundo. “O Reino de Deus está no meio de vocês” (Lc 17,21). “Felizes os Pobres no Espírito (no Amor), porque deles é o Reino dos Céus” (Mt 5,3). “Felizes os perseguidos por causa da Justiça, porque deles é o Reino dos Céus” (Mt 5,10).

O Reino de Deus (o Projeto de Vida de Jesus de Nazaré) é o Projeto de Vida mais “revolucionário” que existe. Nesse Projeto todos e todas - sem nenhum tipo de discriminação - são iguais em dignidade e valor, irmãos e irmãs em Cristo no Espírito Santo (no Amor), filhos e filhas do mesmo Pai-Mãe, que é Deus.

Em Cristo e no Espírito Santo (no Amor), Deus está sempre presente na nossa caminhada. “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome (por minha causa e do meu Projeto), aí estou eu no meio deles” (Mt 18,20) “Eu estou com vocês todos os dias, até o fim dos tempos” (Mt 28,20).

Para tomar consciência e fazer a experiência de quanto Deus nos ama, meditemos as palavras do Papa Francisco: “A presença de Deus no meio da humanidade não se concretizou num mundo ideal, idílico, mas neste mundo real, marcado por muitas situações boas e más, caracterizado por divisões, maldade, pobreza, prepotências e guerras. Ele quis habitar na nossa história como ela é, com todo o peso de seus limites e dos seus dramas. Agindo desse modo, demonstrou de modo insuperável a sua inclinação misericordiosa e repleta de amor pelas criaturas humanas. Ele é Deus Conosco; Jesus é Deus Conosco” (Audiência Geral, 18/12/13). Com esta certeza, continuemos a caminhada!


                                                                                                                                                                      






Marcos Sassatelli, Frade dominicano

Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP)

Professor aposentado de Filosofia da UFG

E-mail: mpsassatelli@uol.com.br

Goiânia, 15 de agosto de 2021




Artigo foi publicado originalmente em:

https://portaldascebs.org.br/cebs-uma-igreja-que-e-sinal-visivel-do-reino-de-deus-no-mundo/

segunda-feira, 26 de julho de 2021

CEBs: uma Igreja que se constitui de irmãos e irmãs em comunhão

 


Jesus de Nazaré quis e quer uma Comunidade de seguidores e seguidoras que seja uma Comunidade de irmãos e irmãs em comunhão.

Para se referir a essa Comunidade - o Povo de Deus da Nova Aliança - os autores do Novo Testamento adotaram o termo Igreja (em grego: Ekklesia), que quer dizer Assembleia: Comunidade reunida. Neste sentido, Jesus - dirigindo-se a Pedro - diz: "Você é Pedro e sobre esta pedra construirei a minha Igreja" (Mt 16,18). (Observamos que - com o passar do tempo - o termo Igreja adquiriu também o significado de ‘templo’: lugar de oração e de culto).

Portanto, desde a época em que foi escrito o Novo Testamento, a Comunidade dos seguidores e seguidoras de Jesus de Nazaré começou a ser chamada Igreja. Trata-se, porém, de uma Igreja de irmãos e irmãs em comunhão e não de uma Igreja de classes (clero, religiosos/as, leigos/as). Por ‘comunhão’ entende-se, pois, ‘comunhão eclesial’ e não ‘comunhão hierárquica’ (que não é verdadeira comunhão).

Essa Igreja de irmãos e irmãs em comunhão reconhece - na prática e não só na teoria - que todos os seres humanos - homens, mulheres e pessoas de outras orientações sexuais (integrantes da Comunidade LGBTQIA+) - são iguais em dignidade e valor. "Deve-se reconhecer cada vez mais a igualdade fundamental entre todos os seres humanos" (Concílio Vaticano II. A Igreja no mundo de hoje - GS 29), criados à imagem e semelhança de Deus (Cf. Gn 1,26-27). “Reina verdadeira igualdade quanto à dignidade e ação comum a todos os fiéis na edificação do Corpo de Cristo" (Concílio Vaticano II. A Igreja - LG 32). "A razão principal da dignidade humana consiste na vocação do ser humano para a comunhão com Deus" (GS 19). “É comum a dignidade dos filhos e filhas de Deus batizados e batizadas, no seguimento de Jesus, na comunhão recíproca e no mandamento missionário” (Exortação Apostólica Pós-sinodal “Ecclesia in America - EA 44). “Todos e todas são chamados à santidade (perfeição humana, felicidade) e receberam a mesma fé pela justiça de Deus” (LG 32). "O mistério do ser humano só se torna claro verdadeiramente no mistério do Verbo encarnado. (…) Cristo manifesta plenamente o ser humano ao próprio ser humano e lhe descobre a sua altíssima vocação" (GS 22).

Nessa Igreja de Jesus de Nazaré, todas as relações são de comunhão entre irmãos e irmãs. Nelas, não há espaço para relações de dependência, submissão, subordinação, subserviência, dominação, inferioridade ou superioridade.

Nas relações de comunhão entre irmãos e irmãs, todos e todas - na diversidade dos carismas (dons) e dos ministérios (serviços) - são sujeitos conscientes e responsáveis de suas opções, atitudes e atos. “A cada um e a cada uma é dada a manifestação do Espírito em vista do bem comum” (1Cor. 12,7).

Sabemos, porém, que a Igreja (pessoas e Instituição) - que é no mundo com o mundo, que é mundo - é uma Igreja divina e humana, santa e pecadora, ao mesmo tempo. No decurso da história, a Igreja se deixou influenciar pela sociedade imperial, feudal e capitalista, e incorporou - em sua própria estrutura social - elementos (pompa, luxo, poder, triunfalismo e outros) que não têm nada a ver com o Evangelho: a Boa Notícia de Jesus de Nazaré. Para tomar consciência disso, basta fazer a memória de como Jesus viveu e de como as primeiras Comunidades cristãs viveram.

Por causa desses desvios - farisaicamente legitimados e sacralizados -  “desenvolvendo perspectivas já presentes no Concílio, mas ainda não explicitadas, vários teólogos - a começar por Congar - têm proposto pensar a estrutura social da Igreja em termos de 'comunidade - carismas e ministérios' (e não em termos de ‘hierarquia - laicato’). O primeiro termo, 'comunidade' (ou o teologicamente mais denso 'comunhão'), inclui tudo o que há de comum a todos os membros da Igreja; e a dupla 'carismas e ministérios' inclui tudo o que positivamente os distingue. É esta, aliás, a perspectiva do Novo Testamento, onde nunca aparece o termo 'leigo' ou ‘leiga’ (e - podemos acrescentar - nem o termo ‘clero’), mas sublinham-se os elementos comuns a todos os cristãos e cristãs e, ao mesmo tempo, valorizam-se as diferenças carismáticas, ministeriais e de serviço. Neste sentido, os termos que designam os membros do Povo de Deus acentuam a condição comum a todos os renascidos pela água e pelo Espírito: 'santos/as', 'eleitos/as', 'discípulos/as', 'irmãos/ãs'” (CNBB. Missão e Ministérios dos Cristãos Leigos e Leigas - 62, 1999, nº 105).

Por fim, é só o amor que - pelo seu grau de profundidade - pode dar um sentido maior ou menor (não, mais importante ou menos importante) à vida humana e à vida da Irmã Mãe Terra, Nossa Casa Comum.

Essa é a Igreja que as CEBs querem ser! Essa é a nossa Igreja!






Marcos Sassatelli, Frade dominicano

Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP)

Professor aposentado de Filosofia da UFG

E-mail: mpsassatelli@uol.com.br


25 de julho de 2021





quarta-feira, 21 de julho de 2021

Suspender os despejos já!

 


A defesa da vida dos pobres não pode esperar


No dia 3 do mês de junho, o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, “determinou a suspensão por seis meses de medidas que resultem em despejos, desocupações, remoções forçadas ou reintegrações de posse de natureza coletiva em imóveis que sirvam de moradia ou que representem área produtiva pelo trabalho individual ou familiar de populações vulneráveis que já estavam habitadas antes de 20 de março de 2020, quando foi aprovado o estado de calamidade pública em razão da pandemia de Covid-19”. 

Em relação a ocupações posteriores à pandemia, ele “decidiu que o poder público poderá atuar a fim de evitar a sua consolidação, desde que as pessoas sejam levadas para abrigos públicos ou que de outra forma se assegure a elas moradia adequada, conforme a Constituição”.

O Projeto de Lei - PL 827/2020 ( de autoria de André Janones - AVANTE/MG), Natália Bonavides - PT/MT) "estabelece medidas excepcionais em razão da Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional (ESPIN) decorrente da infecção humana pelo coronavírus SARS-CoV-2, para suspender o cumprimento de medida judicial, extrajudicial ou administrativa que resulte em desocupação ou remoção forçada coletiva em imóvel privado ou público, urbano ou rural, e a concessão de liminar em ação de despejo de que trata a Lei nº 8.245, de 18 de outubro de 1991, e para estimular a celebração de acordos nas relações locatícias” (Fonte: Agência Senado).

O Projeto - que propõe a suspensão das ações de despejo até o final de 2021 - foi aprovado pela Câmara dos Deputados, no dia 18 de maio passado, com 263 votos e enviado ao Senado. O senador Rodrigo Pacheco, presidente da Casa, retirou a proposta da pauta - a pedido de um grupo de senadores - para uma sessão de debate sobre o assunto, realizada no dia 11 do mês de junho. A questão central foi: os despejos coletivos de imóveis devem ser suspensos durante a pandemia?

Senadores/as, a defesa da vida dos pobres não pode esperar, deve ser imediata: 14 mil famílias já foram despejadas durante a pandemia e mais de 85 mil estão ameaçadas neste momento.

Reparem: os senadores/as que pediram o debate não estão preocupados/as com as famílias que moram nas Ocupações, mas com o fato que o Projeto pode enfraquecer a “segurança jurídica” (leia: dos detentores do poder econômico) e abalar o “direito à propriedade” (leia: dos latifundiários ou grileiros de terras no campo - os coronéis rurais - e dos donos de imobiliárias na cidade - os coronéis urbanos). O “direito à propriedade” - com sua “segurança jurídica” - é o ídolo que esses senadores/as adoram. Para eles e elas, os pobres, “excluídos” e “descartados” do sistema capitalista neoliberal - que é um sistema econômico perverso e iníquo - são “baderneiros”, “invasores” e “criminosos”. Quanta hipocrisia, quanta injustiça e quanta desumanidade!

Lembro aos senadores/as que o “direito à propriedade” - com sua “segurança jurídica” - não é um direito absoluto, mas deve ter sempre uma função social. Os latifúndios abandonados e improdutivos (no campo) e os terrenos cercados (malditas cercas!) para fins de especulação imobiliária (na cidade) não só podem, mas devem ser ocupados. Eles pertencem às pessoas que precisam deles para trabalhar, morar e viver dignamente. Como diz São Tomás de Aquino - ensinamento assumido pelo Pensamento Social Cristão - a destinação dos bens para uso de todos os seres humanos é de direito primário e a propriedade - com sua “segurança jurídica” - de direito secundário. Quando o segundo impede o acesso ao primeiro - ele é injusto, desumano, antiético e anticristão (mesmo se for legal).

Do ponto de vista ético, todo despejo é injusto e - em época de pandemia - chega a ser diabólico (só se despeja lixo não reciclável e não pessoas humanas). Pessoas humanas somente podem ser removidas - e com todo respeito - nos casos de o terreno ocupado ser de utilidade pública ou de preservação ambiental e - mesmo nesses casos - somente depois que estiverem prontas outras moradias dignas para as pessoas a serem removidas.

Finalmente, depois de tantos adiamentos, no dia 23 do mês de junho o Senado aprovou, por 38 votos favoráveis e 36 contrários, o PL 827/2020 que suspende despejos e remoções durante o período da pandemia, até o final de 2021. Além de ter sido uma vitória muito apertada, a aprovação do PL foi somente pela metade. A bancada ruralista conseguiu a aprovação de um destaque que exclui da proteção contra os despejos as famílias das áreas rurais. É lamentável!

O PL voltou, pois, para a Câmara dos Deputados, que no dia 14 deste mês de julho aprovou em votação simbólica o Projeto, mantendo o texto do Senado. Reparem a demora na aprovação do Projeto (no Senado: 23 de junho e na Câmara: 14 de julho). Ela diz tudo!

Por fim, termino com um testemunho: os moradores das Ocupações urbanas e rurais, em sua grande maioria (digo isso por experiência pessoal) são verdadeiros heróis e heroínas. Com a nossa solidariedade e o nosso apoio, sua luta pelo direito à terra de trabalho e à terra de moradia - parte integrante do direito à vida - continua. A esperança nunca morre!


Campanha Nacional DESPEJO ZERO!

Em defesa da Vida no Campo e na Cidade!




Marcos Sassatelli, Frade dominicano

Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP)

Professor aposentado de Filosofia da UFG

E-mail: mpsassatelli@uol.com.br

Goiânia, 20 de julho de 2021


segunda-feira, 5 de julho de 2021

A Igreja se prostituindo

 


No dia 1º deste mês de julho, o presidente Jair Bolsonaro participou - com seguranças, batedores, familiares e parlamentares - de uma Missa na Paróquia Nossa Senhora da Saúde, na Asa Norte de Brasília, transmitida pela TV Brasil. O evento religioso tinha sido combinado com a administração da Paróquia. Na hora da Comunhão, Bolsonaro entrou na fila e recebeu a Eucaristia das mãos de dom Paulo Cezar Costa, arcebispo de Brasília.

Lendo a notícia, fiquei profundamente indignado e com muita dor no coração. Foi realmente um ato público de prostituição da Igreja e de profanação da Eucaristia. É inacreditável!

Como pode um presidente, genocida e assassino, ser recebido ostensiva e deliberadamente numa Igreja e receber a sagrada Eucaristia? Além disso, Bolsonaro sempre demostrou que não tem uma opção religiosa definida e nem um comportamento macro - ecumênico que respeite e valorize todas as Igrejas e Religiões. Ele fala o nome de Deus em vão e usa hipócrita, cínica e oportunisticamente todas as manifestações religiosas para legitimar sua prática política criminosa.

Embora só Deus julgue a consciência das pessoas, objetivamente falando (ou seja, pelos fatos), podemos afirmar que Bolsonaro é um pecador público e a denúncia profética de seu mau comportamento deve ser também pública. A Igreja não pode ser conivente com uma política perversa e iníqua como a do presidente.

Abro um parêntese e cito mais um fato que mostra claramente que o presidente é um cafajeste hipócrita.

No último dia 16 - para tratar da demarcação de terras - centenas de indígenas “representantes de mais de 35 Povos originários, com o apoio da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), marchavam na capital federal e esperavam ser recebidos por um representante da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), mas a tropa de choque da PM cercou o prédio da entidade e atacou os manifestantes com bombas de efeito moral e spray de pimenta”.

Os nossos irmãos e irmãs indígenas - verdadeiros donos do Brasil - foram recebidos em Brasília pela PM do governo Bolsonaro com bombas. A líder indígena Sonia Guajajara, coordenadora executiva da APIB, escreveu:  “Um grande retrocesso que estamos sofrendo! Um órgão que deveria defender nossos direitos e interesses, agora nos ataca” (Em: https://www.brasildefato.com.br/2021/06/17/). Que absurdo! Quanta maldade e quanta crueldade!

Ora, diante do fato que aconteceu na Igreja de Brasília, lembrei-me da grande figura de Santo Ambrósio, bispo de Milão. Segundo o relato de Sozomeno em sua História da Igreja - depois do massacre de 7000 pessoas em Tessalônica (390), às portas da Igreja em Milão, aconteceu a seguinte cena: “Quando Teodósio se aproximou dos portões do edifício, ele foi recebido por Ambrósio, o bispo da cidade, que se apoderou de seu manto de púrpura, e disse-lhe, na presença da multidão: ‘Afaste-se! Um homem renegado pelo pecado, e com as mãos encharcadas no sangue injustamente derramado, não é digno, sem arrependimento, de entrar neste recinto sagrado, ou participar dos Santos Mistérios’” (Citado por: Marcus Cruz - UFMT. Um homem renegado pelo pecado. A penitência de Milão e as relações entre a Igreja e o Império no final do IV século. Em: www.dialogosmediterranicos.com.br  Número 5 - Novembro/2013, p. 34).

Lamentavelmente, Bolsonaro - segundo pesquisas divulgadas nas redes sociais - é responsável pelo massacre de mais de 375 mil mortes (ao menos, de 3 em cada 4 mortes), que podiam ter sido evitadas: um massacre muito maior que o de Tessalônica (7 mil pessoas) do imperador Teodósio.

É verdade que o contexto histórico na qual viveu S. Ambrósio era diferente do nosso, mas com certeza sua atitude profética continua sendo uma luz que nos mostra como devemos agir hoje para sermos verdadeiros seguidores e seguidoras de Jesus de Nazaré. A Igreja não pode ser conivente com a bandidagem, mesmo que - muitas vezes - seja legalizada.

Quem sabe!? Se o arcebispo de Brasília tivesse tomado a atitude profética de S. Ambrósio, poderia ter acontecido com Bolsonaro o mesmo que aconteceu com Teodósio: “O imperador, impressionado e admirado com a coragem do bispo, começou a refletir sobre sua própria conduta e, com muita contrição, refez seus passos” (Ib.). Tudo é possível, com a graça de Deus.

Que o Espírito Santo nos ilumine para que sejamos sempre uma Igreja profética e nunca uma Igreja prostituta!





Marcos Sassatelli, Frade dominicano

Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP)

Professor aposentado de Filosofia da UFG

E-mail: mpsassatelli@uol.com.br

Goiânia, 04 de julho de 2021


quarta-feira, 30 de junho de 2021

Presidente: “o tirano que mata nossa gente”

 

“Senhor, tu que fugiste de jegue para o Egito, mostra-nos um meio de nos livrar desse fascista brasileiro. Tu que entraste em Jerusalém montado num jumento, dá-nos a coragem de enfrentar o tirano que mata nossa gente. Livra-nos, Senhor, do desgoverno da morte. Está pesado demais” (Dom Vicente Ferreira, bispo auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte, 13/06/21).

Com Leonardo Boff e fazendo minhas suas palavras, “uno-me nesta oração para que Deus e a Mãe Terra tenham piedade de sua gente e nos livrem de quem está produzindo um holocausto”.

No dia 19 deste mês de junho, o Brasil - com uma população de 214 milhões - registrou 500 mil mortes pela Covid-19. “É a maior tragédia brasileira. Nunca houve um evento tão mortífero quanto a pandemia do novo coronavirus (mesmo com subnotificações). Foram 195 mil vidas perdidas em 2020 e já são mais de 300 mil em 2021... Das 500 mil mortes, 150 mil foram de pessoas abaixo de 60 anos e 350 mil de idosos (60 anos e mais), sendo 280 mil homens e 220 mil mulheres” (https://www.ecodebate.com.br/2021/06/21/). Um verdadeiro massacre!

Segundo estudo do professor e epidemiologista Pedro Hallal, das 500 mil mortes, 375 mil (ou seja, 3 em cada 4) poderiam ter sido evitadas caso o Brasil tivesse adotado uma política de saúde - cientifica e tecnicamente planejada, com medidas de controle da pandemia (como vacinação eficiente, isolamento social e uso de máscaras) - que colocasse a vida em primeiro lugar. O principal responsável por essas mortes é Jair Bolsonaro, que - a toda hora - fala o nome de Deus em vão para, hipócrita e oportunisticamente, acobertar e legitimar seu comportamento político criminoso.

Infelizmente, estamos diante do desgoverno de um presidente frio e insensível, cínico e assassino, para o qual a vida dos seres humanos - sobretudo dos pobres - e da Mãe Terra não vale nada. Além de tudo, com suas palavras e seus atos, debocha da gravidade da pandemia e demostra ser uma pessoa totalmente desiquilibrada.

Comparemos as 500 mil mortes pela Covid-19 do Brasil com as de outros países que têm uma população similar. Conforme foi divulgado nas redes sociais, na Indonésia - com uma população de 276 milhões - as mortes foram 54 mil; no Paquistão - com uma população de 225 milhões - as mortes foram 22 mil; na Nigéria - com uma população de 211 milhões (quase igual à do Brasil: 214 milhões), as mortes (reparem!) foram 2 mil; no Bangladesh - com uma população de 166 milhões - as mortes foram 13 mil. Esse quadro não precisa de comentários, fala por si mesmo.

Em 19 deste mês de junho - dia no qual o país atingiu 500 mil mortes - a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), com o lema “toda vida importa”, realizou um tempo de sensibilização em memória dos mortos pela Covid-19 - manifestando conforto, solidariedade e esperança - e fez a seguinte Oração (que é nossa também):


Pai de bondade!
Há mais de um ano, temos chorado por tantos irmãos e irmãs

que a triste e violenta pandemia arrancou de junto de nós.
Chegamos agora a quinhentos mil mortos.
Não são apenas números! São pessoas!

São nossos filhos e filhas, irmãos, irmãs, amigos, parentes, conterrâneos.
Sabemos que uma única morte já é suficiente para entristecer nossos corações.
Quanto mais todas essas mortes,

muitas vezes sem o mínimo necessário

para o tratamento digno como ser humano.
Por isso, vos pedimos:
acolhei cada um desses filhos e filhas e concedei-lhes a paz eterna!
E a nós dai a graça de trabalhar por um mundo onde se respire

solidariedade, acolhimento, partilha, compreensão e resiliência.
Que nossas lágrimas nos lavem da indiferença, do egoísmo e da omissão!
Que a saudade seja estímulo à fraternidade!
E que a fé seja o sustento de nossa esperança!
Pela intercessão da Virgem Mãe Aparecida,

olhai pelo Brasil, olhai pelo povo brasileiro.
Amém.




Ato inter-religioso - Goiânia - GO - 21/06/21







Marcos Sassatelli, Frade dominicano

Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP)

Professor aposentado de Filosofia da UFG

E-mail: mpsassatelli@uol.com.br

Goiânia, 28 de junho de 2021


sexta-feira, 25 de junho de 2021

CEBs: uma Igreja que atualiza o jeito de ser de Jesus de Nazaré

 


Como as primeiras Comunidades Cristãs, as CEBs - movidas pelo Espírito Santo - atualizam o jeito de ser de Jesus de Nazaré. Elas fazem hoje o caminho que Jesus fez em sua época. Mas, qual foi esse caminho? Vejamos!

Maria grávida e José seu esposo tinham ido a Belém para o recenseamento. Enquanto estavam perambulando na cidade à procura de um abrigo, chegou a hora de Maria dar à luz. Tudo indica que - ainda no seio de sua mãe Maria e junto com seu pai José - Jesus foi “morador de rua”, pousando debaixo das marquises de Belém. Finalmente, alguém que estava passando - vendo a situação - ficou com pena e abriu um estábulo para que Maria pudesse dar à luz. Jesus nasceu numa manjedoura como “sem-teto”. “Não havia lugar para eles dentro de casa” (Lc 2,7).

Os que, em primeira mão, receberam a Boa Notícia do nascimento de Jesus foram os pastores, os “sem-terra” da época. “Eu anuncio a vocês a Boa-Notícia, que será uma grande alegria para todo o povo: hoje, na cidade de Davi, nasceu para vocês um Salvador, que é o Messias, o Senhor” (Lc 2,10-11). Os pastores eram pessoas de má fama, mal vistos pelos poderosos e “pessoas de bem”, porque ocupavam as grandes propriedades de terra com seus rebanhos e - por necessidade de sobrevivência - vendiam seus produtos a preços exorbitantes. Segundo uma antiga lei, um pastor não podia ser juiz ou testemunha no tribunal. Não era considerado uma pessoa idônea.

Por que será que Jesus foi “morador de rua” ainda no seio de sua mãe, nasceu como “sem-teto” e anunciou a Boa-Notícia de seu nascimento aos “sem-terra”? Aos olhos dos poderosos e das “pessoas de bem”, de ontem e de hoje, não foi um comportamento absurdo e de muito mau gosto? Os critérios de Jesus não são radicalmente diferentes dos nossos? O que Ele quis nos dizer com isso? Pensemos!

Jesus manifestou-se aos reis magos - pessoas sábias que representavam todos os povos de todas as culturas - enfrentando a ganância e a obsessão pelo poder de Herodes. Jesus - juntamente com sua mãe Maria e seu pai José - fugiu para o Egito e se fez “migrante” para escapar à vingança assassina de Herodes.

Jesus cresceu, em sabedoria e graça, numa família pobre e - vivendo uma vida simples e anônima - trabalhou por muitos anos como operário, como carpinteiro com seu pai José. “Não é este o carpinteiro?” (Mc 6,3). “Não é este o filho do carpinteiro?” (Mt 13,55).

Em sua vida pública - anunciando a Boa-Notícia do Reino de Deus a todos e a todas, mas “a partir da manjedoura” - Jesus, como o Profeta e o Enviado do Pai, sempre foi próximo, compassivo e solidário para com o povo: os doentes, os leprosos, os sofredores, os descartados, os pobres e todos aqueles e aquelas que não tinham voz e não tinham vez na sociedade. Jesus nunca morou numa mansão, num palácio “episcopal” ou qualquer outro palácio. “As raposas têm tocas e as aves do céu têm ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde repousar a cabeça” (Mt 8,20).

Pela sua proximidade, compaixão e solidariedade tornou-se defensor intransigente do povo; denunciou, com indignação e firmeza, a hipocrisia dos fariseus e doutores da Lei. “Serpentes! Raça de cobras venenosas!” (Mt 23,33). Pela sua pregação, foi considerado subversivo. “Achamos este homem fazendo subversão entre o nosso povo” (Lc 23,2).

Jesus celebrou a última Ceia com os discípulos e - depois de lavar seus pés - disse: “Eu vos dei o exemplo para que vocês façam o que eu fiz” (Jo 13,16). Jesus morreu na Cruz por amor. “Ele, que tinha amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (Jo 13,1). “O meu mandamento é este: amem-se uns aos outros, assim como eu amei vocês. Não existe amor maior do que dar a vida pelos amigos. Vocês são meus amigos, se fizerem o que eu estou mandando” (Jo 15,12-14).

Jesus ressuscitou, venceu a morte e todos os males. Ele está vivo em nosso meio. “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou aí no meio deles” (Mt 18,20). “Eu estarei com vocês todos os dias, até o fim do mundo” (Mt 28,20).

É esse o caminho que Jesus de Nazaré fez em sua vida terrena e é esse o caminho que as CEBs - com seu “trenzinho” - fazem hoje. Na imensa variedade de experiências, bonitas e profundamente humanas, as CEBs são o jeito de ser Igreja “a partir da manjedoura” de Belém e de tudo o que ela significa para nós hoje.

Enfim - pelo caminho que fez, a verdade que anunciou e a vida que viveu - Jesus é para as CEBs “o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14,6). 





Marcos Sassatelli, Frade dominicano

Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP)

Professor aposentado de Filosofia da UFG

E-mail: mpsassatelli@uol.com.br

Goiânia, 14 de junho de 2021

 

 

 

O artigo foi publicado originalmente em:

https://portaldascebs.org.br/2021/06/21/cebs-uma-igreja-que-atualiza-o-jeito-de-ser-de-jesus-de-nazare/

 

 

 

 


A palavra do Frei Marcos: uma palavra crítica que - a partir de fatos concretos e na escuta dos sinais dos tempos aponta caminhos novos