quinta-feira, 25 de outubro de 2018

O Brasil pede socorro à CNBB!



O Brasil encontra-se à beira do abismo e pede socorro à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). No momento, a CNBB é a única Entidade que - se quiser - tem condições de reverter essa situação de extrema gravidade e periculosidade, evitando que o país caia no abismo
     Basta que a presidência da CNBB (Dom Sérgio - presidente, Dom Murilo - vice-presidente e Dom Leonardo - secretário-geral), num gesto profético, tome com urgência as seguintes atitudes:
  • convoque a imprensa e os outros meios de comunicação;
  • dê uma entrevista coletiva a ser divulgada nos jornais, nas redes de rádio e televisão e em todas as redes sociais do Brasil;
  • anuncie o Evangelho da Paz de Jesus de Nazaré;
  • proclame, alto e bom som, que o projeto político do candidato Jair Bolsonaro - por ser um projeto que defende a violência, o porte de armas, a tortura, a pena de morte e outras barbaridades, inclusive com uma vulgaridade verbal que dá nojo - é total e frontalmente contrário ao Evangelho da Paz de Jesus de Nazaré;
  • comunique, com todas as letras, que - pelas razões acima expostas - nenhum cristão católico ou cristã católica deve votar no candidato a presidente,  Jair Bolsonaro;
  • declare, por fim, que os cristãos católicos e cristãs católicas que votarem no candidato Jair Bolsonaro, estarão impedidos/as de participar da Ceia do Senhor, que é comunhão de amor entre irmãos e irmãs.

Até o presente, muitos cristãos e cristãs de nossa Igreja Católica estão perplexos/as, decepcionados/as e indignados/as com o silêncio da presidência da CNBB. Esse silêncio é um contratestemunho que escandaliza o Povo de Deus, é um pecado de omissão, é uma traição do Evangelho da Paz de Jesus de Nazaré. Com esse comportamento, a presidência da CNBB torna-se cúmplice e responsável por tudo o que poderá acontecer no Brasil depois do dia 28 de outubro.
A Nota Conjunta “Repúdio a toda manifestação de ódio, violência, intolerância, preconceito e desprezo dos direitos humanos”, do dia 19 deste mês, assinada por Dom Leonardo (pela CNBB), Cláudio Pacheco (pela OAB) e por representantes de mais cinco Entidades é tímida, genérica e inócua. É uma Nota que diz tudo e, ao mesmo tempo, não diz nada. É uma Nota de quem olha a realidade sem sair de cima do muro.
Dom André de Witte, bispo de Rui Barbosa (BA) e presidente da Comissão Pastoral da Terra (CPT), depois de afirmar que “a eleição de Jair Bolsonaro para a presidência do Brasil representaria um perigo real para o país”, afirma: “Numerosos são os bispos que têm medo de falar francamente. Falta uma mensagem imediata e clara. O povo se ressente desta falta”.
     Diz ainda: “Bolsonaro tem um discurso racista, prega a discriminação contra as populações negras, contra as mulheres, quer suprimir a demarcação das terras indígenas na Amazônia”. “Sua atitude - contínua Dom André - é perigosa: ele prega a violência armada, afirmando que bandido bom é bandido morto... Ele quer mais repressão e até recompensar os policiais que saem atirando nos delinquentes. Ele quer mais prisões e menos recursos para a educação. Ele quer reforçar a segurança sem analisar os problemas sociais que são, em grande parte, a raiz da insegurança”. Termina, dizendo: “Espero, antes que seja tarde, que toda a sociedade acorde face ao grande perigo que se anuncia!” (http://www.ihu.unisinos.br/583929-bolsonaro-e-um-perigo-real-afirma-bispo-brasileiro).
    Adolfo Perez Esquivel, Prêmio Nobel da Paz, declara: “A vitória de Bolsonaro pode representar um perigo muito grande não apenas para o povo brasileiro, mas para o continente”. “O Bolsonaro - continua Adolfo Perez Esquivel - vai causar muito estrago ao Brasil porque voltam a surgir o que podem ser as consequências dos governos autoritários, com menos direitos cidadãos, em nome da segurança. Esperamos que o povo brasileiro tome consciência; do contrário, vai haver um obscurantismo e um estrago muito forte. A democracia é uma construção coletiva e é sempre passível de aperfeiçoamentos”.
Conclui dizendo: “A Igreja Católica deve levantar sua voz. Não acredito que a Igreja não se mete na política. A Igreja sempre fez política, da boa e da outra. A Igreja precisa ter uma presença ativa. Tem que estar presente. E não ficar de um lado, tangencial aos problemas da vida do povo do Brasil e da América Latina. E por isso é importante reviver Medellín, Puebla e Aparecida. Devemos retornar às fontes e ter uma presença junto aos povos” ((http://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/583922-a-igreja-catolica-brasileira-deve-levantar-a-voz-contra-o-bolsonaro-entrevista-com-adolfo-perez-esquivel).
Dom Sérgio, Dom Murilo e Dom Leonardo - que respectivamente prestam o serviço de presidente, vice-presidente e secretário-geral da CNBB - como irmão e confiando na sensibilidade humana e cristã de vocês, suplico: em nome do Evangelho da Paz de Jesus de Nazaré (não de um partido político), atendam ao pedido de socorro do Brasil; não tenham medo de desagradar, não sejam covardes, não coloquem a “diplomacia” no lugar da “profecia”. Vocês sabem muito bem que - no 2º turno das eleições presidenciais - não se trata de uma questão político-partidária, mas de uma questão de projeto de vida ou projeto de morte.
O tempo urge! Não dá mais para esperar! Sejam profetas de Jesus de Nazaré! O Brasil exige isso de vocês!

Em tempo: Dia 24 deste mês, a CNBB publicou a Nota “Por ocasião do segundo turno das eleições de 2018”. A Nota reafirma valores e condena antivalores  (o que é positivo), mas não “escuta” e não “interpreta” os sinais dos tempos à luz do Evangelho. Os sinais dos tempos são fatos ou acontecimentos históricos concretos que têm nome, data e lugar (por exemplo, os projetos políticos dos candidatos a presidente em 2018, as eleições em 2018 e outros). A “escuta” e “interpretação” dos sinais dos tempos (tão recomendadas pelo Concílio Vaticano II) leva a Igreja e a todos/as nós a fazer “opções”, a tomar “atitudes” e a realizar “ações” (ou “atos”) situadas no tempo e no espaço.
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Que loucura! Que irresponsabilidade!
É isso que o Brasil quer?!
A Igreja pode ficar calada diante desse absurdo?!


Marcos Sassatelli, Frade dominicano
Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP)
Professor aposentado de Filosofia da UFG
Goiânia, 24 de outubro de 2018

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Votemos pela Vida!



“Eu vim para que todos e todas tenham vida
e a tenham em abundância” (Jo 10,10)

Carta aberta aos Irmãos e Irmãs da minha Igreja Cristã Católica e a quem possa interessar:

Irmãos e Irmãs - à luz da razão iluminada pela Fé - vamos refletir sobre o momento histórico que o Brasil vive hoje. O momento é gravíssimo. O Brasil encontra-se numa encruzilhada perigosíssima, à beira de um abismo. Que o Espírito Santo nos ilumine e nos dê a verdadeira sabedoria para discernirmos o que é melhor para o nosso país. Os responsáveis para que o Brasil não caia no abismo somos todos e todas nós, cada um e cada uma de nós, e teremos que prestar contas a Deus.
Antes de tudo, lembro que não existem partidos “cristãos” ou “católicos”. Só existem partidos, que (como todas as realidades temporais) são autônomos, ou seja, têm “consistência, verdade, bondade e leis próprias” (Concílio Vaticano II. A Igreja no mundo de hoje - GS 36). Os partidos não têm de prestar contas a nenhuma Igreja.
A Igreja Católica, portanto, não tem partido, mas tem projeto que é o projeto de Jesus de Nazaré: a Boa Notícia do Reino de Deus, ou, em outras palavras, a Sociedade do Bem Viver e do Bem Conviver, que é um Mundo Novo.
A realidade social do Brasil hoje é essa. De um lado, temos um candidato a Presidente da República, apoiado por um grupo de partidos políticos, que defende um Governo ditatorial (fascista). Vejamos uma amostra daquilo que o candidato diz:
"Eu tenho cinco filhos. Foram quatro homens, a quinta nós deu uma fraquejada e veio uma mulher". "Pela memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o pavor de Dilma Rousseff. Eu voto sim". "O erro da ditadura foi torturar e não matar". "Pinochet devia ter matado mais gente". "Seria incapaz de amar um filho homossexual. Prefiro que um filho meu morra num acidente do que apareça com um bigodudo por aí". "Não te estupro porque você não merece". "Eu não corro esse risco, meus filhos foram muito bem educados" (resposta para Preta Gil, sobre o que faria se seus filhos se relacionassem com uma mulher negra ou com homossexuais). "A PM devia ter matado 1.000 e não 111 presos" (sobre o Massacre do Carandiru). "Não vou combater nem discriminar, mas, se eu vir dois homens se beijando na rua, vou bater" (quando FHC segurou uma bandeira com as cores do arco-íris). "Você é uma idiota. Você é uma analfabeta. Está censurada!" (declaração ao ser entrevistado pela repórter Manuela Borges, da Rede TV. A jornalista decidiu processar o deputado após os ataques). "Mulher deve ganhar salário menor porque engravida" (justificou a frase: 'quando ela voltar - da licença-maternidade - vai ter mais um mês de férias, ou seja, trabalhou cinco meses em um ano') (https://www.brasil247.com/pt/colunistas/geral/344232/Bolsonaro-%C3%A9-um embuste.htm).
"E eu também defendo a pena de morte. Se levar o cara para a cadeira elétrica, ele nunca mais vai matar, nem vai assaltar” (https://br.blastingnews.com/politica/2017/02/bolsonaro-reafirma-posicao-favoravel-a-pena-de-morte-e-reducao-da-maioridade-001495307.html).
Enfim, reparem! “Existe outro megapicareta chamado Dom Paulo Evaristo Arns, que teve a cara-de-pau de publicar carta aos leitores do Jornal Folha de São Paulo - assinada por mais 155 desocupados e vagabundos como ele - criticando minha possível eleição para a presidência da Comissão de Direitos Humanos”.  “Esse D. Paulo Evaristo Arns deve se recolher a sua insignificância, ao seu trabalho demagogo” (durante discurso no plenário da Câmara, em março de  1998) (https://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc20039828.htm).
Frases como essas (é só uma amostra) - que Incitam ao estupro, à injúria, à xenofobia, à homofobia e à discriminação racial, que fazem a apologia da tortura, do uso indiscriminado de armas, da violência e da morte, que defendem a pena de morte (o Papa Francisco nos lembra que a pena de morte não se justifica em hipótese alguma), que insultam pessoas como Dom Paulo Evaristo - revelam um ser humano que só pode ser ou mentalmente desequilibrado ou conscientemente mau (diabólico).
De outro lado, temos um candidato a Presidente da República, também apoiado por um grupo de partidos políticos que - apesar de limites e de erros cometidos por alguns políticos desses partidos (errar é humano) - abre caminhos e oferece espaços para que possamos lutar por um projeto de sociedade justa e igualitária, uma sociedade de irmãos e irmãs, que é o Reino de Deus na história ou a Sociedade do Bem Viver e do Bem Conviver.
Em poucas palavras, estamos diante de um Projeto de Morte e um Projeto de Vida.  “Hoje estou colocando diante de você a vida e a felicidade, a morte e a desgraça. Estou colocando diante de vocês o caminho da vida e o caminho da morte” (Jr 21,8). “Eu lhes propus a vida ou a morte, a bênção ou a maldição. Escolham, portanto, a vida” (Dt 30,19).
Diante de uma situação gravíssima como a que estamos vivendo hoje, a Igreja, em todas as suas instâncias de serviço - nacionais, regionais e locais - não pode se omitir e deixar de cumprir, em nome do Evangelho, sua missão profética. O silêncio e a omissão são um pecado gravíssimo, do qual os responsáveis terão de prestar contas a Deus.
Dia 15 deste mês de outubro, as Pastorais Sociais, as Pastorais do Campo e outras Entidades da CNBB divulgaram a Nota Pública “Democracia: mudança com Justiça e Paz”, destacando a Importância da preservação e defesa do Estado Democrático, no 2º turno das eleições presidenciais, no dia 28 deste mesmo mês.
(Assinam a Nota: Cáritas Brasileira, CBJP - Comissão Brasileira Justiça e Paz, CCB - Centro Cultural de Brasília, CIMI - Conselho Indigenista Missionário, CJP-DF - Comissão Justiça e Paz de Brasília, CNLB - Conselho Nacional do Laicato do Brasil, CPT - Comissão Pastoral da Terra, CRB - Conferência dos Religiosos/as do Brasil, FMCJS - Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Social, OLMA - Observatório De Justiça Socioambiental Luciano Mendes De Almeida, Pastoral Carcerária Nacional, Pastoral da Mulher Marginalizada, Pastoral Operária, SPM - Serviço Pastoral do Migrante).
A Nota é uma valiosa contribuição na defesa da Democracia e dos Direitos Humanos. mas pergunto: Onde está a CNBB? Por que - devido à gravidade e urgência da situação - não envia uma Mensagem, assinada pela Presidência da Entidade, à Igreja Católica do Brasil (Comunidades, Paróquias, Dioceses e demais Instituições), exortando a todos e todas a votarem pela Vida? A CNBB é - talvez - a única Entidade que nesse momento pode salvar o Brasil do abismo. Por que o silêncio e a omissão? Não se trata de uma questão partidária, mas de uma questão humana e ética, de uma questão de Vida ou Morte, sobretudo para os trabalhadores/as e para todos os pobres e excluídos/as da sociedade. A nossa frágil democracia corre riscos gravíssimos.
Alguns bispos com suas Igrejas, se posicionaram de maneira muito clara - sem rodeios diplomáticos e farisaicos - a favor do Projeto de Vida. Infelizmente, porém, a grande maioria dos bispos com suas Igrejas e a própria CNBB preferem o silêncio e a omissão, que - na prática - é conivência com o Projeto de Morte.
É com muita dor e muita indignação que - como cristão, católico, religioso dominicano e padre - denuncio esse silêncio e essa omissão da Igreja como sendo uma covardia e um crime que clama diante de Deus. Nesse momento histórico, a Igreja Cristã Católica (sem falar das outras) tornou-se a Igreja de Pilatos que lava as mãos, ou - pior ainda - a Igreja de Judas que trai Jesus nos Pobres.
A visita - no dia 15 deste mês - de dom Antônio Augusto Dias Duarte, bispo auxiliar da Arquidiocese do Rio de Janeiro, ao candidato do Projeto de Morte e a retribuição da visita - no dia 17 - desse mesmo candidato ao cardeal arcebispo de Rio de Janeiro, Dom Orani Tempesta, representa hoje o beijo de Judas a Jesus. É uma verdadeira traição!
Os cristãos e cristãs católicos e católicas que votam pelo Projeto de Morte, não podem participar da Ceia do Senhor, que é Vida, comunhão de Vida. “Vocês não podem beber o cálice do Senhor e o cálice dos demônios. Não podem participar da mesa do Senhor e da mesa dos demônios” (1Cr 10,21). “Todo aquele que comer do pão ou beber do cálice do Senhor indignamente, será réu do corpo e sangue do Senhor. Portanto, cada um examine a si mesmo antes de comer deste pão e beber deste cálice, pois aquele que come e bebe sem discernir o corpo, come e bebe a própria condenação” (Ib. 11,27-29).
Meus Irmãos e minhas Irmãs, apesar do silêncio e da omissão de muitos bispos e da própria CNBB - que são hoje uma das faces do pecado estrutural de nossa Igreja Cristã Católica - não percamos a esperança!  A justiça de Deus tarda, mas não falha! Meditemos!
Peçamos a Deus a verdadeira sabedoria e as luzes do Espírito Santo! Votemos pela Vida!
O Irmão de vocês, Frei Marcos.

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Marcos Sassatelli, Frade dominicano
Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP)
Professor aposentado de Filosofia da UFG
Goiânia, 17 de outubro de 2018

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Vida Religiosa em processo de transformação e transformadora


Nos dias 21 (com a abertura às 8:30 horas) e 22 (terminando às 15:30 horas com a Missa de Envio da Nova Coordenação) de setembro, aconteceu - no Instituto São Francisco, Setor Coimbra - a 45ª Assembleia Eletiva da Conferência dos Religiosos/as do Brasil (CRB) Regional Goiânia, constituída pelos:
- coordenadores/as (superiores/as) dos Institutos Religiosos, ou delegados/as;
- membros da Coordenação Regional em exercício;
- presidente/a da CRB Nacional ou seu delegado/a;
- coordenadores/as e um delegado/a de cada Núcleo;
- um representante de cada Grupo de Reflexão;
- outros religiosos/as, residentes na Regional Goiânia, que estavam presentes.
Como tinha sido comunicado com antecedência pela Coordenação, os objetivos da Assembleia foram:  
  1. aprofundar o tema: “Vida Religiosa em processo de transformação e transformadora”;
  2. avaliar e planejar a caminhada da nossa CRB Regional dentro do Plano Trienal 2015-2018;
  3. partilhar questões financeiras da Regional;
  4. eleger a Coordenação para 2018-2021;
  5. eleger dois delegados/as e dois suplentes para a Assembleia Geral Eletiva da CRB Nacional;
  6. aprofundar a comunhão na caminhada da nossa CRB Regional;
Para o aprofundamento do tema da Assembleia tivemos a assessoria da Irmã Bárbara Pataro Bucker, da Congregação das Irmãs Mercedárias; doutora em Teologia Sistemática pela PUC do Rio de Janeiro e mestra no Instituto de Teologia Vitae Religiosae Claretianum pela Pontifícia Universidade Lateranense; atualmente professora na PUC do Rio de Janeiro.
Contamos também com a presença do Irmão Edgar Genuíno Nicodem, Lassalista - integrante da Coordenação da CRB Nacional - que veio como delegado da Irmã Maria Inês, Presidenta da CRB Nacional.
Participei da Assembleia por interesse pessoal e representando também - a pedido do Provincial Frei José Fernandes - a nossa Província Dominicana Frei Bartolomeu de Las Casas. Éramos cerca de 70 participantes: a maioria Religiosas, poucos Religiosos e menos ainda Religiosos Padres. Parece que nós, os Religiosos - sobretudo Padres - ainda não tomamos consciência que somos membros da CRB, que somos CRB.
A Assembleia foi marcada por um verdadeiro espírito de irmãos e irmãs, preocupados/as em aprofundar - a partir das nossas experiências concretas e à luz da Palavra de Deus - o sentido da Vida Religiosa (vida de peculiar consagração a Deus, a serviço do Povo) no mundo e na Igreja hoje. Apesar das nossas limitações, a partilha das luzes e também de algumas sombras da Vida Religiosa foi muito enriquecedora. Destacamos a necessidade de reafirmar - com a palavra e, sobretudo, com o testemunho - a dimensão profética da Vida Religiosa na sociedade e na própria Igreja. O Documento de Aparecida (220) afirma que a Vida Religiosa deve ser “radicalmente profética”. Reparem: radicalmente!
Papa Francisco diz aos Religiosos/as: “Espero que ‘desperteis o mundo’, porque a nota característica da Vida Religiosa é a profecia. Como disse aos Superiores Gerais, ‘a radicalidade evangélica não é própria só dos Religiosos/as: é pedida a todos/as. Mas os Religiosos/as seguem o Senhor de uma maneira especial, de modo profético’. Esta é a prioridade que agora se requer: ‘ser profetas/profetisas que testemunham como viveu Jesus nesta terra (...). Um Religioso/a não deve jamais renunciar à profecia’ (29 de Novembro de 2013). O profeta/profetisa recebe de Deus a capacidade de perscrutar a história em que vive e interpretar os acontecimentos: é como uma sentinela que vigia durante a noite e sabe quando chega a aurora (cf. Is 21, 11-12). Conhece a Deus e conhece os homens e as mulheres, seus irmãos e irmãs. É capaz de discernimento e também de denunciar o mal do pecado e as injustiças, porque é livre, não deve responder a outros senhores que não seja a Deus, não tem outros interesses além dos de Deus. Habitualmente o profeta/profetisa está da parte dos pobres e indefesos, porque sabe que o próprio Deus está da parte deles” (Carta Apostólica Às Pessoas Consagradas para a proclamação do Ano da Vida Consagrada, 21 de novembro de 2014, II, 2).
Os Religiosos/as somos realmente profetas/profetisas no mundo e na Igreja, hoje? O que significa para nós “testemunhar como viveu Jesus nesta terra”, “perscrutar a história em que vivemos e interpretar os acontecimentos”? Meditemos!
Francisco lembra-nos ainda: “A Vida Religiosa não cresce, se organizarmos belas campanhas vocacionais, mas se as jovens e os jovens que nos encontram se sentirem atraídos por nós, se nos virem homens e mulheres felizes! De igual forma, a eficácia apostólica da Vida Religiosa não depende da eficiência e da força dos seus meios. É a vossa vida que deve falar, uma vida da qual transparece a alegria e a beleza de viver o Evangelho e seguir a Cristo” (Ib. II, 1).
Por fim, a nova Coordenação da CRB Regional Goiânia 2018-2021 ficou assim composta:
- Ir. Maura  Margarett Finn - Irmãs de São José de Rochester - Coordenadora
- Ir. Davi Nardi -  Irmãos Maristas
- Pe. Volimar Aimi - MSF
- Ir. Maria Auxiliadora Pereira (Dorinha) - Dominicanas de Santa Catarina de Sena
- Ir. Rita Petra Kallabis - Missionárias de Cristo.
    Desejamos à nova Coordenação um bom trabalho na animação da Vida Religiosa na Regional. Que o Espírito Santo ilumine a todos/as nós!

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Marcos Sassatelli, Frade dominicano
Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP)
Professor aposentado de Filosofia da UFG
Goiânia, 10 de outubro de 2018

A palavra do Frei Marcos: uma palavra crítica que - a partir de fatos concretos e na escuta dos sinais dos tempos - aponta caminhos novos