sexta-feira, 5 de abril de 2013

Que decepção, presidenta Dilma!

A presidenta Dilma não aprendeu, ou não quis aprender, a lição do nosso irmão Francisco, bispo da Igreja de Roma, que preside na caridade todas as Igrejas. Nos seus gestos e atitudes, ele nos deixou - e continua nos deixando - um exemplo de simplicidade, humildade e, sobretudo, despojamento. Infelizmente, não são estes os gestos e as atitudes da presidenta Dilma e comitiva, em Roma.
“A viagem de três dias da comitiva da presidenta Dilma Rousseff para a Missa inaugural do papa Francisco, em Roma, envolveu o aluguel de 52 quartos de hotel e 17 veículos (...). Dilma, quatro ministros, assessores mais próximos e seguranças se hospedaram no hotel Westin Excelsior, na Via Veneto, um dos endereços mais sofisticados de Roma, num total previsto de 30 quartos. Um deles foi transformado em escritório para a Presidência da República. A diária da suíte presidencial custa cerca de R$ 7.700, enquanto o quarto mais barato fica por R$ 910. Os outros 22 quartos, para pessoal de apoio, ficaram em local próximo” (Folha de S. Paulo, 20/03/13, p. A12).
Vejam que falta de sensibilidade humana da presidenta Dilma e comitiva. Dilma não quis ficar na residência oficial da Embaixada do Brasil, um palacete no centro histórico de Roma (mesmo que estivesse temporariamente sem embaixador), porque prefere hotéis (reparem: “prefere”). Trata-se de uma questão de gosto. A presidenta pode permitir-se todo esse luxo e toda essa mordomia, porque quem paga a conta não é ela com o seu dinheiro, mas é o povo, são os trabalhadores, inclusive os que ganham salário mínimo, que são a grande maioria.
A frota de carros alugada “inclui sete veículos sedã com motorista, um carro blindado de luxo, quatro vans executivas com capacidade para 15 pessoas cada, um micro-ônibus e um veículo destinado aos seguranças. Apenas para o transporte de bagagens e equipamentos, Dilma contou com um caminhão-baú e dois furgões” (Ib.).
Só para lembrar: um trabalhador que ganha salário mínimo, deveria trabalhar mais de 11 meses para pagar uma diária da suíte presidencial. É realmente um absurdo. É uma afronta e um pontapé na cara do povo. É uma vergonha nacional. É um atraso cultural. É um comportamento que se assemelha à suntuosidade e à ostentação que costuma acompanhar um príncipe árabe. É, enfim, um crime que clama por justiça diante de Deus.
Não dá para entender, sobretudo sabendo que Dilma, na época da ditadura militar, foi torturada e é atualmente do Partido dos Trabalhadores. Infelizmente, com raras e louváveis exceções de alguns de seus membros, o PT poderia ser chamado hoje Partido dos Traidores.
Os quatro ministros (mesmo sem saber o porquê de quatro), que faziam parte da comitiva da presidenta Dilma, foram Gilberto Carvalho (Secretaria Geral da Presidência), Helena Chagas (Secretaria de Comunicação), Aloízio Mercadante (Educação) e Antonio Patriota (Relações Exteriores). O ministro Gilberto Carvalho, ao ser questionado sobre os gastos da comitiva da presidenta Dilma em Roma, disse que “faltou percepção para assuntos mais importantes” (Ib., 22/03/13, p. A16).
É lamentável que o ministro Gilberto Carvalho - que se diz ligado ao Movimento Fé e Política e aos Movimentos Sociais Populares - fale de maneira tão irresponsável, demagógica e desrespeitosa para com o povo. O que realmente faltou, senhor ministro, no comportamento da presidenta Dilma e comitiva foi, em primeiro lugar, a ética e, em segundo lugar, o senso do ridículo. Existem fatos, que mesmo pontuais, revelam todo um estilo de vida e todo um jeito de fazer política.
Sugiro que a coordenação do Movimento Fé e Política e dos Movimentos Sociais Populares declarem publicamente o ministro Gilberto Carvalho “persona non grata” ("pessoa não bem-vinda"). Tudo indica que ele tornou-se especialista em cooptar e enganar os trabalhadores/as.
Uma outra prática política é possível, urgente e necessária. Lutemos por ela.
Que a Páscoa - que se celebra nestes dias e que para os cristãos/ãs significa vida nova em Cristo (vida de irmãos e irmãs, iguais em dignidade e valor) - seja sempre mais, para todos e para todas, “passagem” de condições de vida menos humanas para condições de vida mais humanas. Uma Feliz Páscoa!











Fr. Marcos Sassatelli, Frade dominicano,
Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP),
Professor aposentado de Filosofia da UFG
Goiânia, 28 de março de 2013
E-mail: mpsassatelli@uol.com.br
“A presidenta Dilma não aprendeu, ou não quis aprender, a lição do nosso irmão Francisco, bispo da Igreja de Roma, que preside na caridade todas as Igrejas”

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