sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

A respeito do artigo “Casa da Acolhida Cidadã”?

Não quero polemizar com ninguém, mas - considerando a reação da psicóloga Gardenia de Souza Furtado, Diretora de Proteção Social Especial na Secretaria da Assistência Social do Município de Goiânia (Diário da Manhã, 11/02/14) ao meu artigo (Diário da Manhã, 07/02/14) - reafirmo tudo o que escrevi e faço os seguintes esclarecimentos:

1.    No artigo eu denunciei um fato concreto e, a partir dele, fiz alguns questionamentos. Gardenia, não respondeu aos questionamentos, mas deu a volta por cima, tentando convencer o leitor com muitas palavras. Não se trata, Gardenia, de opinião pessoal, mas de uma história real, que, pelo requinte de desumanidade, desqualifica qualquer Instituição. Felizmente, o leitor não é bobo! Posição reducionista e simplista não é a minha, mas a sua, Gardenia.

2.    Uma Casa que - como aconteceu no caso denunciado (Deus queira não seja revelador de muitos outros casos como esse) - joga uma moça na rua (pouco importa o motivo), que não sabe para onde ir, não pode - com certeza - ser chamada “da acolhida” e “cidadã”. Talvez um dia possa sê-lo! A esperança nunca morre!

3.    Será que os responsáveis da Casa da Acolhida não pensaram que essa moça, jogada na rua com tanta frieza e insensibilidade humana, poderia ser violentada, estuprada e até assassinada? Não dá para entender como, em pleno século XXI, possa acontecer isso.

4.    Se realmente os funcionários da Casa da Acolhida “se sentiram constrangidos com a matéria”, façam uma revisão de vida e mudem de comportamento, para que nunca mais aconteça tamanha desumanidade.

5.    O fato que outras instituições, públicas ou privadas, religiosas ou não, manifestem “pavorosas cenas de insensibilidade cotidianamente”, não justifica nada. Um erro não legitima o outro. Todas as violações de direitos humanos devem ser denunciadas e combatidas.

6.    Enfim, quero dizer que eu não trabalho - como insinua Gardenia - “sob a égide do modelo assistencialista ou da caridade simplista”, mas participo, como ser humano e cristão, de movimentos sociais populares e outras organizações que abrem caminhos novos e visam criar as condições históricas para mudar as estruturas injustas da sociedade capitalista neoliberal, na qual vivemos...

7.    “Hoje devemos dizer ‘não a uma economia da exclusão e da desigualdade social’. Essa economia mata” (Francisco. A Alegria do Evangelho - EG, 53).

É isso o que eu tinha a dizer. Uma outra sociedade é possível e necessária! Sejamos “bons samaritanos” e “boas samaritanas”, para que todos e todas vivamos, um dia, como irmãos e irmãs.

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