quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Carta de Santa Cruz, do 2º EMMP (3ª e última parte)



Neste artigo dou continuidade ao anterior, destacando, com alguns comentários e questionamentos, os pontos da Carta de Santa Cruz, do 2º EMMP.
  1. Combater a discriminação. Comprometemo-nos a lutar contra qualquer forma de discriminação entre os seres humanos, seja por diferenças étnicas, cor de pele, gênero, origem, idade, religião ou orientação sexual. Todas e todos, mulheres e homens, devemos ter os mesmos direitos. Condenamos o machismo, qualquer forma de violência contra a mulher, em particular os feminicídios, e gritamos: nenhuma a menos!”.
As Pastorais Sociais e Ambientais da Igreja e todos/as nós temos consciência dessa realidade e da necessidade de nos comprometermos, lutando contra todas as formas de discriminação, em particular contra o machismo? Pensemos!
  1. Promover a liberdade de expressão. Promovemos o desenvolvimento de meios de comunicação alternativos, populares e comunitários, frente ao avanço dos monopólios midiáticos que ocultam a verdade. O acesso à informação e à liberdade de expressão são direitos dos povos e fundamento de qualquer sociedade que se pretenda democrática, livre e soberana. O protesto é também um forma legítima de expressão popular. É um direito e aqueles que o exercem não devem ser perseguidos”.
A liberdade de expressão é de fundamental importância na luta para a transformação da sociedade. As Pastorais Sociais e Ambientais da Igreja e todos/as nós estamos convencidos da necessidade de promover “o desenvolvimento de meios de comunicação alternativos, populares e comunitários, frente ao avanço dos monopólios midiáticos que ocultam a verdade”? Esses meios de comunicação alternativos são, sobretudo hoje, o caminho para nos libertar da dominação ideológica e cultural do sistema dominante (que - por ocultar as outras - é a pior das dominações) e para fazer acontecer o projeto de uma nova sociedade. Não temos o direito de esmorecer! A esperança nunca morre!
  1. Colocar a ciência e a tecnologia a serviço dos povos. Comprometemo-nos a lutar para que a ciência e o conhecimento sejam utilizados a serviço do bem-estar dos povos. Ciência e conhecimento são conquistas de toda a humanidade e não podem estar a serviço do lucro, exploração, manipulação ou acumulação de riquezas por parte de alguns grupos. Persuadimos a que as universidades se encham de povo e seus conhecimentos sejam orientados a resolver os problemas estruturais mais que a gerar riquezas para as grandes corporações. Devemos denunciar e controlar as multinacionais farmacêuticas que, por um lado, lucram com a expropriação de conhecimentos milenares dos povos originários e, por outro, especulam e geram lucros com a saúde de milhões de pessoas, colocando o negócio na frente da vida”.
Colocar a ciência e a tecnologia a serviço dos povos e a serviço da vida é uma necessidade urgente. A ciência e a tecnologia não são neutras. Elas acontecem e se desenvolvem dentro de um projeto de sociedade e a serviço dele. As Pastorais Sociais e Ambientais da Igreja e todos/as nós temos consciência disso? Chegou a hora de olharmos para essa realidade com responsabilidade. Não podemos ser ingênuos ou omissos. Temos que tomar atitudes concretas.
  1. Rechaçamos o consumismo e defendemos a solidariedade como projeto de vida. Defendemos a solidariedade como projeto de vida pessoal e coletivo. Comprometemo-nos a lutar contra o individualismo, a ambição, a inveja e a ganância que se aninham em nossa sociedade e muitas vezes em nós mesmos. Trabalharemos incansavelmente para erradicar o consumismo e a cultura do desperdício. Seguiremos trabalhando para construir pontes entre os povos, que nos permitam derrubar os muros da exclusão e da exploração!”.

Companheiros e companheiras, irmãos e irmãs, são esses os pontos que a Carta de S. Cruz coloca em destaque. A Carta é realmente um programa de vida para todos e todas nós, principalmente para as Pastorais Sociais e Ambientais da Igreja. Ela nos apresenta, com muita clareza e com muito realismo, os maiores desafios do mundo de hoje, que - para quem tem fé - são os apelos de Deus. Ela nos anima e renova a nossa esperança. Sejamos próximos e próximas, solidários e solidárias para com os Movimentos Populares. Por sua experiência, eles nos mostram - com propostas concretas - o caminho que precisamos percorrer para fazer acontecer um novo projeto de sociedade e de mundo, que seja profundamente humano e evangélico. Vamos à luta! Parabéns aos Movimentos Populares!


Fr Marcos Sassatelli, Frade dominicano
Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP),
Professor aposentado de Filosofia da UFG
Goiânia, 02 de dezembro de 2015


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