sábado, 19 de novembro de 2016

Demônios existem e serão vencidos!


Hoje, no Brasil, o traidor e golpista Michel Temer com seus adeptos (que propôs a PEC 241/55), os Deputados Federais (que a aprovaram) e os Senadores (que em breve a aprovarão), são prova concreta de que demônios existem. Esta PEC (PEC da Maldade, PEC da Morte) é realmente uma proposta iníqua e obscena, defendida com frieza e crueldade pelos demônios da política, que precisamos combater sem trégua e vencer. “Coragem! Eu venci o mundo” (Jo 16, 33).
No dia 9 deste mês, a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) do Senado aprovou - depois de sete horas de discussões - a íntegra do relatório da PEC em questão, que congela os gastos públicos por 20 anos. O que mais choca é ver a indiferença, a arrogância e o cinismo com que esses demônios da política votam a favor da PEC. A aprovação pela Comissão permite que a matéria seja encaminhada para votação no plenário da Casa. O que poderá acontecer a qualquer momento.
Em seu parecer, o relator, senador Eunício Oliveira (PMDB-CE) - de infeliz memória e um dos chefes dos demônios da política - rejeitou todas as 59 emendas apresentadas. Diante disso, a oposição protestou e apresentou um texto substitutivo e dois votos em separado; estes últimos, para condicionar a implementação das medidas de ajuste à aprovação da proposta por meio de uma consulta popular. As alternativas foram rejeitadas.
Duas jovens de um pequeno grupo de estudantes gritaram: “Vocês envergonham o país. É muito fácil para vocês falarem na crise econômica e na situação do povo brasileiro aprovando medidas como essa que só vão afetar a vida dos mais pobres”. A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), acompanhando a cena, ironizou: “nunca vi uma coisa dessas, de senadores vaiarem o povo na casa que é do povo”. Que descaramento! Que falta de consideração!
Com certeza, nas próximas eleições presidenciais, os trabalhadores e trabalhadoras votarão num candidato ou candidata que publicamente assumir - como primeira medida - o compromisso de lutar, com todos os meios possíveis, para derrubar a PEC 241/55.
As Centrais Sindicais (Central Única dos Trabalhadores - CUT, Central da Classe Trabalhadora - INTERSINDICAL, Central Sindical e Popular - CSP Conlutas, Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil - CTB, Nova Central - NCST/ES), que decretaram a greve geral do dia 11 último, no Boletim “Acorda!!!”, fazem-nos um alerta: Michel Temer e a maioria dos deputados federais e senadores - os demônios da política - estão tramando a maior retirada de direitos da classe trabalhadora de toda a história.
As medidas de “ajuste fiscal”, anunciadas pelo Governo ilegítimo de Michel Temer, promovem um verdadeiro ROUBO de DIREITOS dos trabalhadores e trabalhadoras do Brasil. São medidas para reduzir os gastos com direitos sociais e aumentar os gastos com o mercado financeiro - BANQUEIROS. Esse governo assume descaradamente a defesa dos latifundiários, monopólios industriais e financeiros, que atendem aos interesses estrangeiros, prejudicando a parcela brasileira mais empobrecida.
As Centrais denunciam essa situação política criminosa e reafirmam com veemência e garra: vamos nos organizar e protestar nas ruas para defender nossos Direitos! Somos Seres Humanos! Somos Povo! Não somos mercadoria! Somos Trabalhadores e Trabalhadoras que merecem respeito, dignidade e viver a Vida em sua plenitude e de cabeça erguida!
Enfim, as Centrais Sindicais - respeitando e valorizando as diferenças como uma riqueza - comprometem-se a combater os demônios da política, ou seja, do Projeto Político Neoliberal (que, como diz o Papa Francisco, “exclui, degrada e mata”), assumindo bandeiras de luta, que abrem caminhos novos para a construção de um projeto político alternativo, o Projeto Político Popular.
Eis as bandeiras: em defesa do SUS 100% público; em defesa da Previdência Pública; em defesa da Educação Pública gratuita e de qualidade; em defesa do emprego (do trabalho digno); em defesa dos serviços públicos; em defesa da Reforma Agrária Popular; pela preservação das florestas e terras indígenas; em defesa dos recursos naturais (da Irmã Mãe Terra); pela democratização dos meios de comunicação; contra a criminalização dos Movimentos Populares; pela unidade dos trabalhadores e trabalhadoras da cidade e do campo.
Nem um passo atrás! Nem um direito a menos! Classe trabalhadora unida, jamais será vencida! Parabéns às Centrais Sindicais pela contínua busca da unidade, que fortalece a luta por um outro Brasil possível!
Termino com as palavras do Papa Francisco sobre o “dinheiro divinizado”, que “torna escravos, rouba a liberdade, fere sem misericórdia alguns e ameaça constantemente os outros, para abater todos/as”.
O Papa pergunta e, ao mesmo tempo, responde: “Quem governa então? O dinheiro. Como governa? Com o chicote do medo, da desigualdade, da violência econômica, social, cultural e militar que gera sempre mais violência em uma espiral descendente que parece não acabar nunca. Quanta dor, quanto medo! Há um terrorismo de base que emana do controle global do dinheiro sobre a terra e ameaça toda a humanidade. Deste terrorismo de base se alimentam os terrorismos derivados, como o narcoterrorismo, o terrorismo de Estado e aquele que alguns erroneamente chamam de terrorismo étnico ou religioso”. Francisco conclui afirmando: “Esse sistema é terrorista” e, infelizmente, é hoje o sistema hegemônico no mundo e no Brasil. Seus defensores são demônios da política.
O Papa - referindo-se à situação dos refugiados e a outras situações desumanas - pergunta também: “O que acontece no mundo de hoje que, quando ocorre a bancarrota de um banco, imediatamente aparecem somas escandalosas para salvá-lo, mas quando acontece esta bancarrota da humanidade não há sequer uma milésima parte para salvar a estes irmãos que tanto sofrem?” (Papa Francisco. Discurso no 3º Encontro Mundial dos Movimentos Populares. Roma, 5 de novembro de 2016).

São palavras duras! Meditemos! 




Fr. Marcos Sassatelli, Frade dominicano
Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP)
Professor aposentado de Filosofia da UFG

Goiânia, 16 de novembro de 2016

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