terça-feira, 8 de novembro de 2016

Outra Ecologia é possível


“Deixaremos de destruir a natureza e a nós mesmos
apenas quando adotarmos uma nova visão
que nos faça conscientes da dimensão sagrada da natureza
e de nosso caráter plenamente e orgulhosamente natural” 
(Associação Ecumênica de Teólogos/as do Terceiro Mundo)

 A página de abertura do Livro-Agenda latino-americana mundial -com palavras simples e, ao mesmo tempo, profundas - lembra-nos sempre: é “o livro latino-americano mais difundido, cada ano, dentro e fora do Continente”. Ele é “sinal de comunhão continental e mundial entre as pessoas e as comunidades que vibram e se comprometem com as Grandes Causas da Pátria Grande, como resposta aos desafios da Pátria Maior”.
      Ele é ainda “um anuário de esperança dos pobres do mundo a partir da perspectiva latino-americana; um manual companheiro para ir criando a ‘outra mundialidade’; uma síntese da memória histórica da militância e do martírio de Nossa América; uma antologia de solidariedade e criatividade; uma ferramenta pedagógica para a educação, a comunicação, a ação social e a pastoral popular”. 
    O Livro-Agenda latino-americana mundial “além de ser para uso pessoal, foi pensado como instrumento pedagógico para comunicadores, educadores populares,  agentes de pastoral, animadores de grupos e militantes” (p. 9).                                                              
  O tema do Livro-Agenda 2017 é “Ecologia Integral: reconverter tudo”. Ele revela “um objetivo ambicioso incomum: incitar nossa conversão ecológica, para, a partir dela, reconverter tudo”. Revela também “um objetivo urgente, pois somente uma sociedade marcada por uma cultura profundamente ecológica, com uma opinião pública em sintonia intelectual e cordial com a Ecologia, poderá evitar a catástrofe climática que nos ameaça”.
    O Livro-Agenda 2017 afirma que “é urgente a conscientização ecológica, por uma Ecologia Integral com a qual poderemos transformar e reconverter tudo: estilos de vida, sistema energético e de produção, pensamento, religiosidade, etc.” (p. 8).                                                             
  A “Laudato Si” diz que “faz falta uma conversão ecológica”. Uma conversão “que chegue a seruma verdadeira ‘revolução cultural’. E propõe, como eixo operativo, um novoconceito que suscitou uma boa acolhida, a Ecologia Integral, que une o social e o político, o cultural e o pessoal, todas as dimensões da realidade, interpenetradas e articuladas” (p. 10-11).
  O Livro-Agenda 2017 “aposta decididamente na  Ecologia  Integral e se engaja vigorosamente na tarefa, pondo-se a serviço dos educadores, dos militantes da Causa da Terra e dos Pobres, para, entre todos e todas, ajudar os leitores, as leitoras e osgrupos e comunidades a assumirem a Nova Visão, o novo software que nos permitirá amar a Natureza como a nós mesmos e mesmas, e sentir sua sacralidade como se fosse nossa”. Enfim, soma-se ao clamor mundial crescente, ao grito da Irmã Mãe Terra e ao grito dos Pobres.
     É “uma tarefa urgente. Uma causa nobre. Um trabalho árduo. Um resgate de emergência”. Após a COP21, é talvez “a última oportunidade para salvar a vida do Planeta tal como a conhecemos hoje. Vale a pena. Mãos à obra” (p. 11).
    Por falarmos do compromisso “com as Grandes Causas da Pátria Grande (América Latina) como resposta aos desafios da Pátria Maior (mundo)”, antes de terminar, parabenizo (embora pretenda voltar sobre o assunto em outro escrito) os jovens estudantes secundaristas do Movimento Primavera Estudantil.
  A luta de vocês, jovens, por um ensino público de qualidade para todos/as é justa e uma das Grandes Causas da Pátria Grande. A garra que vocês, unidos e organizados, demostram - ocupando escolas no Brasil inteiro e se posicionando contra a PEC 241 (no Senado: PEC 55), que congela gastos públicos em diversas áreas de interesse social, como educação, saúde, infraestrutura, segurança e outros por  20 anos - nos edifica a todos/as e fortalece a nossa esperança num outro Brasil possível e necessário. Continuem firmes! Vocês já são vitoriosos! Estamos com vocês!
     Vocês jovens, com a ocupação de escolas no Brasil inteiro, lutam por um ensino público de qualidade para todos/as e se posicionam contra a PEC 241 (no Senado: PEC 55), que congela por 20 anos os gastos públicos em diversas áreas de interesse social, como educação, saúde, infraestrutura, segurança e outros. A luta de vocês é uma das “Grandes Causas da Pátria Grande” e é justa. Com sua garra, união e organização, vocês nos edificam a todos/as e fortalecem a nossa esperança num outro Brasil possível e necessário. Continuem firmes! Estamos com vocês!







Fr. Marcos Sassatelli, Frade dominicano
Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP)
Professor aposentado de Filosofia da UFG
Goiânia, 02 de novembro de 2016

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A palavra do Frei Marcos: uma palavra crítica que - a partir de fatos concretos e na escuta dos sinais dos tempos - aponta caminhos novos