Grazielly
Silva de Souza, jovem de 25 anos, morreu na quarta-feira (dia
5 deste mês de março), “enquanto aguardava vaga em alguma Unidade de Terapia Intensiva
(UTI) em Goiânia” (O Popular, 8-9/03/25, p. 18).
Segundo
depoimento da mãe Luzia Almeida, “a filha Grazielly foi diagnosticada
com um aneurisma em novembro de 2024 (reparem: em novembro de 2024) e,
desde então, esperava por uma tomografia que nunca foi realizada. Nesse
período, passou por diversas idas e vindas em Unidades de Saúde. Ela teve uma
parada cardíaca e disseram que tentaram reanimá-la por 45 minutos, mas ela não
aguentou.
A
mãe relata que Grazielly desmaiou na terça-feira (dia 4) no banheiro de casa e
a famíla a levou às pressas para a UPA Maria Pires Perillo, na Região Noroeste
de Goiânia. A jovem foi internada e ficou à espera de uma vaga na UTI” (Ib.).
A
solicitação por um leito da UTI foi feita somente às 9 horas de quarta-feira
(dia 5) à Secretaria Municipal de Saúde (SMS), que - por sua vez - enviou o
pedido à Secretaria Estadual de Saúde (SES-GO). Até a hora da morte de Grazielly
(17h do mesmo dia) nada tinha sido resolvido. Não dá para entender!
A
maldade, a perversidade e a crueldade dos responsáveis pela Saúde do Poder
Público, Municipal e Estadual, é diabólica. Os Pobres são tratados como “rejeitos”
da sociedade.
Será
que o Governador Ronaldo Caiado e o Prefeito Sandro Mabel não
sabem que, em caso de urgência, os responsáveis pela Saúde
Pública, são - legalmente e, sobretudo, humana e eticamente - obrigados a
internar imediatamente a pessoa doente na UTI de qualquer hospital, mesmo que
seja às custas do Poder Público?
O
Governador e o Prefeito deveriam dar essa orientação aos seus
auxiliares diretos na área da Saúde. Como não o fizeram e não o fazem, eles
são - no caso de Grazielly e de muitos outros - os vedadeiros
assassinos. Devem ser processados, julgados e condenados.
Como
irmão e companheiro de luta, faço agora três pedidos:
Primeiro: à “Rede de advogados populares”, que estão
do lado dos Pobres e lutam por seus Direitos.
Diante
de casos como o de Grazielly, abram - em nome dos familiares - um processo
público de assassinato contra o Governador Ronaldo Caiado e o
Prefeito Sandro Mabel. Peçam o apoio das Organizações Socioambientais
Populares: Movimentos Populares, Sindicatos de Trabalhadores e Trabalhadoras,
Coletivos de Mulheres, Movimentos de Estudantes, Pastorais Socioambientais,
Foruns ou Comitês de Direitos Humanos, Comissões de Justiça e Paz e outras.
Todos
e todas que estão do lado do Povo, ou seja, da Justiça e da Verdade
devem - unidos e organizados - lutar juntos e juntas.
Segundo: aos
Políticos - Vereadores, Deputados Estaduais, Deputados Federais e Senadores dos
Partidos Políticos Populares - que, ao lado dos Pobres e com os Pobres, lutam por uma nova sociedade, justa e
igualitária.
Promovam
publicamente sessões especiais, denunciando todos esses assassinatos do
Poder Público, na Saúde dos Municípios e dos Estados.
Terceiro: à
minha Igreja Cristã Católica (renovada e libertadora), às outras Igrejas
Cristãs e às outras Religiões.
Cumpram
- sem medo e com coragem - sua missão profética, anunciando a verdade e
denunciando as injustiças.
“Senhor
Deus todo poderoso! Teus caminhos são justos e verdadeiros!” (Ap 15,3).
Diante
de tantas mortes de pessoas pobres e gravemente doentes por falta de atendimento,
não podemos ficar calados e caladas. Seria um grave “pecado de omissão”.
Precisamos denunciar publicamente esses casos e dizer com todas as
letras o nome dos verdadeiros assassinos desses nossos irmãos e irmãs pobres.
“Se
vocês permanecem na minha palavra, são de fato meus discípulos; conhecerão a
verdade e a verdade libertará vocês” (Jo 8,31-32).
8
de março: Dia Internacional da Mulher. Parabéns a todas as Mulheres e, de
maneira especial, às muitas Organizações Socioambientais Populares de Mulheres,
que - para nós homens - são um testemunho vivo de garra e determinação na luta
e no compromisso com a verdade e a justiça.
Campanha
da Fraternidade 2025: “Fraternidade e Ecologia Integral” - “Deus viu que tudo
era muito bom” (Gn 1,31).
Goiânia, 09 de março de 2025
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