quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Uma vitória da Educação Pública

“A greve foi suspensa, mas a luta continua”

           
Após 26 dias de paralisação, as trabalhadoras e trabalhadores da Educação da Rede Municipal de Goiânia, em assembleia, com o Plenário da Câmara superlotado de professoras, professores e auxiliares administrativos, decidiram, na manhã de segunda-feira (21), suspender a greve por 30 dias.
            Eis o comunicado do comando de greve: “Nossa greve está suspensa até dia 21 de novembro, quando realizaremos nova assembleia (com paralização) da categoria, no CEPAL do Setor Sul, às 8h. Mais informações sobre os encaminhamentos serão postados em breve. Por enquanto, retornemos às atividades, a partir de amanhã (22 de outubro). Uma greve vitoriosa em que a categoria mostrou sua força e continuará mostrando! A luta continua!”.
As educadoras e educadores - depois de feitas as devidas alterações - aceitaram o documento enviado pela Secretaria Municipal da Educação, Neyde Aparecida, que tinha sido acordado na negociação. Posteriormente, o documento foi assinado, na presença da imprensa, pelo Prefeito Paulo Garcia, pela Secretária da Educação e pelos membros da comissão de negociação.  
Reparem: trata-se de suspensão e não de fim da greve. Depois do prazo estabelecido, uma nova assembleia será realizada, definindo os rumos do Movimento. "Vamos passar um mês vigilantes. Se o acordo não for cumprido, na próxima assembleia poderemos retomar a paralisação" (professor Renato Regis, membro do comando de greve).
As trabalhadoras e trabalhadores da Educação da Rede Municipal em greve fizeram a votação na Câmara dos Vereadores, que tinham ocupado e onde estavam acampados desde o último dia 8. Com a suspensão da greve, os manifestantes deixaram também o Plenário da Casa.
Leia o documento assinado pelo Prefeito Paulo Garcia, em: http://comandodegrevegoiania.blogspot.com.br/.
Parabenizo as Trabalhadoras e Trabalhadores da Rede Municipal de Educação de Goiânia (professoras, professores e auxiliares administrativos) pela união e pela garra que tiveram e - tenho certeza - continuarão tendo na luta por seus direitos e por uma Eucação Pública de qualidade. O Movimento alcançou uma significativa vitória e - se continuar unido - alcançará muitas outras.
Pela sua seriedade e responsabilidade, o Movimento mereceu e ainda merece a solidariedade de muitas Instituições (como a UFG e outras), de Entidades de estudantes e professores e de Movimentos Sociais Populares. O Movimento das educadoras e educadores da Rede Municipal é um exemplo de organização popular promissor, que alimenta a nossa esperança num Brasil e num mundo novo.
Parabenizo também o Movimento por estar construindo um novo Sindicato: o Sindicato Municipal dos Servidores da Educação de Goiânia (SIMSED).
Lamento e repudio o comportamento do SINTEGO, que se tornou um sindicato pelego e que, para a categoria das trabalhadoras e trabalhadores da Educação do Município de Goiâna, já morreu e foi enterrado.
Lamento e repudio o comportamento intransigente e autoritário do Governo Municipal, em relação às trabalhadoras e trabalhadores da Educação Pública. Infelizmente, só depois de muitos dias de greve (que, ao menos em parte, podiam ter sido evitados), o Prefeito, acuado pelo Movimento, resolveu ceder, abrir as negociações, dialogar  e - por razões de conveniência política (como o aniversário de Goiânia, 80 anos no dia 24 deste mês, viagens ao exterior e outras) - voltar atrás, assinando o documento. Não dá para entender como um Governo do PT trate as trabalhadoras e trabalhadores da Educação Pública de maneira tão desrespeitosa e ditatorial, ameaçando criminilizar o Movimento.
Lamento e repudio o comportamento oportunista de políticos, que - depois de terem sido sindicalistas e defensores dos trabalhadores - ocuparam cargos públicos, se deixaram corromper pelo poder e trairam seus companheiros, fazendo tudo aquilo que os outros faziam (e que eles sempre denunciaram) e até pior. É realmente um comportamento repugnante e nojento!
Lamento e repudio as manobras interesseiras e antiéticas da grande maioria dos vereadores, que se comportaram e ainda se comportam como verdadeiros inimigos da Educação Pública, criminalizando as trabalhadoras e trabalhadores da Rede Municipal de Educação.
Lamento e repudio o comportamento de políticos, que se dizem cristãos católicos (ou de outras denominações cristãs) e que, hipocritamente, usam de sua condição de pessoas ligadas à Igreja, para criminalizar as trabalhadoras e trabalhadores da Educação Pública..
Lamento e repudio o comportamento de políticos, que, por ocasião do dia do professor (15 deste mês), escreveram artigos, fazendo a apologia da educação e esquecendo, proposital e oportunisticamente, de um “detalhe”, que é a situação real da Educação Pública. Talvez, por um falso conceito de fidelidade partidária, descomprometido com a verdade e totalmente antiético, não falaram uma só palavra sobre a greve da Educação Pública Municipal.
Lamento e repudio o silêncio de políticos, que se dizem defensores dos Direitos Humanos e que, pelas mesmas razões acima expostas, esqueceram que as trabalhadoras e trabalhadores da Educação Pública são também sujeitos de Direitos Humanos.
Por fim, me dói reconhecer a omissão - que é pecado - da minha Igreja e das Instituições que levam o nome de católicas. Sempre com muita esperança, faço minhas as palavras de dom Pedro Casaldáliga, um homem de fé e um dos grandes profetas do nosso tempo. “Não devemos nos amargurar; devemos dar uma contribuição de paz e esperança; uma esperança contra toda esperança, que é a nossa, uma Esperança Pascal, que passa pela cruz, mas é uma esperança invencível. (...) Somos o povo da esperança, o povo da Páscoa; a nossa fé cristã é esperança, é confiança. Esperança confiada no Deus da vida, do amor, da liberdade, da paz, em seu Reino” (Avelino Seco. Entrevista com Dom Pedro Casaldáliga, em: Religión Digital, 07 de outubro de 2013).
Educadoras e educadores, heroínas e heróis, continuem a luta para que um dia a Educação Pública de qualidade, seja realmente um direito de todas e de todos e a prioridade das prioridades do Governo Municipal, Estadual e Federal.
A melhor maneira de comemorar o aniversário de Goiânia, seus 80 anos, no dia 24 deste mês, é comemorar uma vitória da Educação Pública Municipal. “Virá o dia em que todos, ao levantar a vista, veremos nesta terra reinar a liberdade”.


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