quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Discurso de Francisco aos Movimentos Populares - Em defesa da Paz e da Ecologia –

Neste 6º artigo sobre o Encontro Mundial de Movimentos Populares, destaco o 5º ponto marcante do Discurso do Papa Francisco aos Movimentos Populares: em defesa da Paz e da Ecologia.
            Depois de falar da terra, da moradia e do trabalho como direitos sagrados, o Papa diz: “neste encontro, também falaram da Paz e da Ecologia”. Com muita objetividade, ele afirma: “é lógico: não pode haver terra, não pode haver teto, não pode haver trabalho se não temos paz e se destruímos o planeta”.
            Mostra, pois, a necessidade que todos e todas temos hoje de debater esses assuntos. “São temas tão importantes que os povos e suas organizações de base não podem deixar de debater. Não podem deixar só nas mãos dos dirigentes políticos. Todos os povos da terra, todos os homens e mulheres de boa vontade têm que levantar a voz em defesa desses dois dons preciosos: a paz e a natureza. A irmã mãe Terra, como chamava São Francisco de Assis”.
            Com realismo e ao mesmo tempo com preocupação, que mostra sua profunda solidariedade, Francisco declara: “há pouco tempo, eu disse, e repito, que estamos vivendo a terceira guerra mundial, mas em cotas. Há sistemas econômicos que, para sobreviver, devem fazer a guerra. Então, fabricam e vendem armas e, com isso, os balanços da economia que sacrificam o homem aos pés do ídolo do dinheiro, obviamente, ficam saneados. E não se pensa nas crianças famintas nos campos de refugiados, não se pensa nos deslocamentos forçados, não se pensa nas moradias destruídas, não se pensa, desde já, em tantas vidas ceifadas. Quanto sofrimento, quanta destruição, quanta dor!”.
            Fraternalmente e com muita ternura, o Papa diz: “hoje, queridos irmãos e irmãs, levanta-se em todas as partes da terra, em todos os povos, em cada coração e nos Movimentos Populares, o grito da paz: nunca mais a guerra!”.
            Falando da necessidade urgente de cuidar da natureza, o Papa denuncia: “um sistema econômico centrado no deus dinheiro também precisa saquear a natureza, saquear a natureza para sustentar o ritmo frenético de consumo que lhe é inerente. As mudanças climáticas, a perda da biodiversidade, o desmatamento já estão mostrando seus efeitos devastadores nos grandes cataclismos que vemos, e os que mais sofrem são vocês, os humildes, os que vivem perto das costas em moradias precárias, ou que são tão vulneráveis economicamente que, diante de um desastre natural, perdem tudo”.
            Enfim, lembra com confiança o plano de Deus sobre a Terra e o papel do ser humano em relação a ela. “Irmãos e irmãs, a criação não é uma propriedade da qual podemos dispor ao nosso gosto; muito menos é uma propriedade só de alguns, de poucos: a criação é um dom, é um presente, um dom maravilhoso que Deus nos deu para que cuidemos dele e o utilizemos em benefício de todos, sempre com respeito e gratidão”.
            Numa atitude de sincera humildade e sem nenhuma demagogia, Francisco agradece as preocupações e contribuições dos Movimentos Populares e assegura que elas estarão presentes na Encíclica sobre a Ecologia que está preparando. “Tenham a certeza de que as suas preocupações estarão presentes nela. Agradeço-lhes, aproveito para agradecer-lhes pela Carta que os integrantes da Via Campesina, da Federação dos Coletores de Materiais Recicláveis (Papeleiros) e tantos outros irmãos me fizeram chegar sobre o assunto”.
Ouçamos as palavras do nosso irmão, o Papa Francisco! Elas renovam a nossa esperança e fortalecem o nosso compromisso - que é o amor acontecendo na história humana e cósmica - com a causa da Paz e da Ecologia, fruto da Justiça.
“Como são numerosas tuas obras, Senhor! A todas fizeste com sabedoria. A Terra está repleta das tuas criaturas” (Salmo 104, 24).

            “Vou escutar o que diz o Senhor: Deus anuncia a Paz ao seu povo e seus fiéis, e aos que se convertem de coração. A salvação está próxima dos que o respeitam, e a glória habitará em nossa Terra. Amor e Fidelidade se encontram, Justiça e Paz se abraçam. A Fidelidade brotará da Terra, e a Justiça se inclinará do Céu. O Senhor nos dará a chuva, e nossa Terra dará seu fruto. A Justiça caminhará à frente dele, a salvação seguirá os seus passos” (ib. 85, 9-14).


Marcos Sassatelli, Frade dominicano
Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP),
Professor aposentado de Filosofia da UFG
Goiânia, 08 de janeiro de 2015

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