A
Arquidiocese de Goiânia foi criada por Pio XII em 26 de março de 1956, junto
con a Província Eclesiástica de Goiânia. Sua
instalação aconteceu no dia 16 de junho de 1957 (mais de um ano depois), com a presença
do Núncio Apostólico no Brasil Dom Armando Lombardi e de Dom Fernando Gomes dos
Santos que assumiu o serviço (ministério) de 1º arcebispo.
Em
26 de março deste ano de 2026 (e durante o ano todo) celebramos os 70 anos da
criação da Arquidiocese. Fazendo a memória desta data, sinto a necessidade de
partilhar com meus irmãos e minhas irmãs algumas reflexões a partir de minha longa
experiência eclesial e pastoral na Arquidiocese.
Em 11
de outubro de 1962 - convocado pelo Papa S. João XXIII - teve início o
Concílio Vaticano II, que foi encerrado em 8 de dezembro de 1965 pelo
Papa S. Paulo VI. Foi realizado na Basílica de São Pedro - no Vaticano - e teve
como objetivo a modernização (aggiornamento) da Igreja. No dizer do Papa
S. João XXIII - abriu as janelas da Igreja para o mundo.
A
Arquidiocese de Goiânia viveu profundamente o clima do Concílio Vaticano II.
Cresceu e se desenvolveu como uma Igreja renovada e libertadora (uma Igreja pós-conciliar).
Dom Fernando Gomes dos Santos participou do Concílio Vaticano II e gostava de dizer
que se converteu no Concílio.
Fazendo
a memória dos 70 anos da Arquidiocese de Goiânia, não podemos deixar de lembrar
a II Conferência de Medellín (24 de agosto - 6 de setembro de 1968). Seus documentos
encarnam os ensinamentos do Concílio Vaticano II na realidade da América Latina
e do Caribe.
A
Conferência nos ensina que a Comunidade Eclesial de Base (CEB) é “o
primeiro e fundamental núcleo eclesial” ou “a célula inicial da
estrutura eclesial”, e que a Paróquia é “um conjunto pastoral
unificador das Comunidades de Base” (Medellín, XV, 10 e 13). As palavras
são claras. Não precisam de explicação. Só não entende quem não quer entender.
No
meu trabalho pastoral nas Comunidades da periferia de Goiânia e na Coordenação da
Pastoral Arquidiocesana sempre procurei viver o “novo e - ao mesmo tempo -
antigo jeito de ser Igreja” das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), que -
como ideal a ser perseguido - é o “jeito de toda a Igreja ser” (que é, hoje,
o jeito de ser de Jesus de Nazaré e das primeiras Comunidades Cristãs).
Em uma de nossas Assembleias
Eclesiais Arquidiocesanas chegamos a elaborar - em forma de documento e de cartilha
- um Plano de Pastoral no qual as CEBs eram a prioridade das prioridades.
Numa Comunidade
Eclesial de Base (CEB), todos e todas - na diversidade dos dons e serviços
(ministérios) - são iguais em dignidade e valor. Não existem
classes. Entre as diferenças, a única que realmente nos distingue (sem nos
tornar mais importantes) é a profundidade do amor - que só Deus conhece
- com o qual colocamos os nossos dons a serviço dos irmãos e irmãs.
As CEBs são Igreja
Pobre, a partir dos Pobres, com os Pobres, dos Pobres e para os Pobres. Sendo
para os Pobres, é Igreja para todos e todas.
Mesmo profundamente
convencido que tudo é graça de Deus, sinto-me honrado com o depoimento
de Dom Fernando Gomes dos Santos - do qual fui irmão, amigo e colaborador por
15 anos - a respeito do trabalho pastoral - meu e de outros irmãos e irmãs - na
Arquidiocese de Goiânia.
"O Secretariado
da Pastoral Arquidiocesana (SPAR) - escreve Dom Fernando - tem sido o grande
centro de convergência e de irradiação de tudo o que se passa na Arquidiocese
no campo pastoral. Dotado de sede própria, que integra o conjunto Catedral-Cúria
Metropolitana-SPAR, no centro da cidade, constitui o ponto mais dinâmico da
Arquidiocese. Hoje o SPAR conta com o Coordenador da Pastoral, Frei Marcos
Sassatelli, que é também Vigário Geral, e com uma extraordinária equipe de
sacerdotes, religiosas/os e leigas/os competentes, de rara dedicação e
eficiência. No SPAR, funcionam oito Comissões que dinamizam as atividades
fundamentais, referentes às prioridades do Plano Pastoral, elaborado em
Assembleia Arquidiocesana e constantemente estudado nas reuniões e encontros. O
SPAR produz, também, grande número de boletins e impressos, que são divulgados
nas Paróquias da Arquidiocese, principalmente nas Comunidades da periferia, e
que são encomendados por outras Igrejas Particulares do Brasil afora. Grande é
também o número de cursos ministrados nas Comunidades da capital e do
interior" (Veja o depoimento completo na Revista Eclesiástica Brasileira -
REB, março de 1985). Parabéns à Arquidiocese de Goiânia pelos 70 anos.
(Veja também o meu
artigo: Jubileu de diamante da Arquidiocese de Goiânia, em: https://freimarcos.blogspot.com/2017/06/jubileu-de-diamante-da-arquidiocese-de.html ou em: https://ihu.unisinos.br/publicacoes/78-noticias/568755-jubileu-de-diamante-da-arquidiocese-de-goiania)
Marcos Sassatelli, frade
dominicanoDoutor em Filosofia (USP) e em
Teologia Moral (Assunção - SP)Professor aposentado de
Filosofia da UFG
Goiânia, 08 de abril de 2026

