quarta-feira, 8 de abril de 2026

Arquidiocese de Goiânia: 70 anos

 


A Arquidiocese de Goiânia foi criada por Pio XII em 26 de março de 1956, junto con a Província Eclesiástica de Goiânia. Sua instalação aconteceu no dia 16 de junho de 1957 (mais de um ano depois), com a presença do Núncio Apostólico no Brasil Dom Armando Lombardi e de Dom Fernando Gomes dos Santos que assumiu o serviço (ministério) de 1º arcebispo.

Em 26 de março deste ano de 2026 (e durante o ano todo) celebramos os 70 anos da criação da Arquidiocese. Fazendo a memória desta data, sinto a necessidade de partilhar com meus irmãos e minhas irmãs algumas reflexões a partir de minha longa experiência eclesial e pastoral na Arquidiocese.

Em 11 de outubro de 1962 - convocado pelo Papa S. João XXIII - teve início o Concílio Vaticano II, que foi encerrado em 8 de dezembro de 1965 pelo Papa S. Paulo VI. Foi realizado na Basílica de São Pedro - no Vaticano - e teve como objetivo a modernização (aggiornamento) da Igreja. No dizer do Papa S. João XXIII - abriu as janelas da Igreja para o mundo.

A Arquidiocese de Goiânia viveu profundamente o clima do Concílio Vaticano II. Cresceu e se desenvolveu como uma Igreja renovada e libertadora (uma Igreja pós-conciliar). Dom Fernando Gomes dos Santos participou do Concílio Vaticano II e gostava de dizer que se converteu no Concílio.

Fazendo a memória dos 70 anos da Arquidiocese de Goiânia, não podemos deixar de lembrar a II Conferência de Medellín (24 de agosto - 6 de setembro de 1968). Seus documentos encarnam os ensinamentos do Concílio Vaticano II na realidade da América Latina e do Caribe.

A Conferência nos ensina que a Comunidade Eclesial de Base (CEB) é “o primeiro e fundamental núcleo eclesial” ou “a célula inicial da estrutura eclesial”, e que a Paróquia é “um conjunto pastoral unificador das Comunidades de Base” (Medellín, XV, 10 e 13). As palavras são claras. Não precisam de explicação. Só não entende quem não quer entender.

No meu trabalho pastoral nas Comunidades da periferia de Goiânia e na Coordenação da Pastoral Arquidiocesana sempre procurei viver o “novo e - ao mesmo tempo - antigo jeito de ser Igreja” das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), que - como ideal a ser perseguido - é o “jeito de toda a Igreja ser” (que é, hoje, o jeito de ser de Jesus de Nazaré e das primeiras Comunidades Cristãs).

Em uma de nossas Assembleias Eclesiais Arquidiocesanas chegamos a elaborar - em forma de documento e de cartilha - um Plano de Pastoral no qual as CEBs eram a prioridade das prioridades.

Numa Comunidade Eclesial de Base (CEB), todos e todas - na diversidade dos dons e serviços (ministérios) - são iguais em dignidade e valor. Não existem classes. Entre as diferenças, a única que realmente nos distingue (sem nos tornar mais importantes) é a profundidade do amor - que só Deus conhece - com o qual colocamos os nossos dons a serviço dos irmãos e irmãs.

As CEBs são Igreja Pobre, a partir dos Pobres, com os Pobres, dos Pobres e para os Pobres. Sendo para os Pobres, é Igreja para todos e todas.

Mesmo profundamente convencido que tudo é graça de Deus, sinto-me honrado com o depoimento de Dom Fernando Gomes dos Santos - do qual fui irmão, amigo e colaborador por 15 anos - a respeito do trabalho pastoral - meu e de outros irmãos e irmãs - na Arquidiocese de Goiânia.

"O Secretariado da Pastoral Arquidiocesana (SPAR) - escreve Dom Fernando - tem sido o grande centro de convergência e de irradiação de tudo o que se passa na Arquidiocese no campo pastoral. Dotado de sede própria, que integra o conjunto Catedral-Cúria Metropolitana-SPAR, no centro da cidade, constitui o ponto mais dinâmico da Arquidiocese. Hoje o SPAR conta com o Coordenador da Pastoral, Frei Marcos Sassatelli, que é também Vigário Geral, e com uma extraordinária equipe de sacerdotes, religiosas/os e leigas/os competentes, de rara dedicação e eficiência. No SPAR, funcionam oito Comissões que dinamizam as atividades fundamentais, referentes às prioridades do Plano Pastoral, elaborado em Assembleia Arquidiocesana e constantemente estudado nas reuniões e encontros. O SPAR produz, também, grande número de boletins e impressos, que são divulgados nas Paróquias da Arquidiocese, principalmente nas Comunidades da periferia, e que são encomendados por outras Igrejas Particulares do Brasil afora. Grande é também o número de cursos ministrados nas Comunidades da capital e do interior" (Veja o depoimento completo na Revista Eclesiástica Brasileira - REB, março de 1985). Parabéns à Arquidiocese de Goiânia pelos 70 anos.

(Veja também o meu artigo: Jubileu de diamante da Arquidiocese de Goiânia, em: https://freimarcos.blogspot.com/2017/06/jubileu-de-diamante-da-arquidiocese-de.html ou em: https://ihu.unisinos.br/publicacoes/78-noticias/568755-jubileu-de-diamante-da-arquidiocese-de-goiania)



Reunião da CEB



Marcos Sassatelli, frade dominicano
Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP)
Professor aposentado de Filosofia da UFG
E-mail: mpsassatelli@uol.com.br - Cel. e WA: (62) 9 9979 2282

Goiânia, 08 de abril de 2026




Nenhum comentário:

Postar um comentário

A palavra do Frei Marcos: uma palavra crítica que - a partir de fatos concretos e na escuta dos sinais dos tempos aponta caminhos novos