No
1º de maio/26 celebramos, mais uma vez, o Dia Internacional da Trabalhadora
e Trabalhador. No Brasil (como em outros países) as Centrais Sindicais, os
Sindicatos de Trabalhadoras e Trabalhadores, os Movimentos Sociais Populares,
as Organizações de Mulheres, as Entidades de Jovens Estudantes, os Fóruns ou
Comitês de Direitos Humanos, as Comissões de Justiça e Paz e Outras Organizações
Populares - unidas e unidos (mesmo com suas diferenças) realizaram Manifestações,
que fortaleceram - e continuam fortalecendo - sua vontade de lutar com esperança,
que já é certeza de vitória.
Em
Goiânia - no 1º de maio/26 - as entidades acima citadas realizaram, no centro
da cidade - das 8 às 12 horas - com a participação de cerca mil pessoas (entre
as quais me incluo) uma Manifestação muito bonita e significativa.
Em
todas as Manifestações do país foram destacadas as questões: do emprego
(condenando a exploração estrutural do sistema capitalista e os casos de trabalho
escravo), do direito das trabalhadoras e trabalhadores, da democracia
popular, da soberania e da vida digna para todas e todos.
Foi reivindicada também a votação do fim da escala 6x1 no trabalho.
Como cristão, acredito que - nas Manifestações
do 1º de maio/26 - o Jesus da Trabalhadora e Trabalhador, que o Jesus
do Evangelho, estava presente e caminhava conosco.
Ora,
eu pergunto: quem é o Jesus do Evangelho? De forma muito
resumida, respondo: o Jesus do Evangelho é o Jesus que nasceu como Sem-Teto.
Maria
grávida e José seu esposo tinham ido a Belém para o recenseamento. Chegou a
hora de Maria dar à luz. Tudo indica que - ainda no seio de sua mãe Maria e junto com seu pai José - Jesus foi Morador de Rua, pousando debaixo das
marquises da cidade de Belém.
Alguém
que estava passando ficou com pena da situação e abriu um estábulo para Maria
dar à luz. Jesus nasceu numa manjedoura como Sem-Teto. “Não havia lugar para eles dentro de casa” (Lc 2,7). Os
que, em primeira mão, receberam a Boa Notícia do nascimento de Jesus
foram os Pastores, os Sem-Terra da época. “Eu anuncio a vocês a
Boa-Notícia, que será uma grande alegria para todo o povo: hoje, na cidade de
Davi, nasceu para vocês um Salvador” (Lc 2,10-11).
Jesus
manifestou-se aos Reis Magos, sábios e estudiosos que -
vindo do Oriente em busca de sinais da presença de Deus - representavam todos
os povos de todas as culturas.
Com
sua mãe Maria e seu pai José, Jesus foi migrante
no Egito para fugir de Herodes que - obcecado pelo poder - queria matá-lo.
Jesus
cresceu, em sabedoria e graça, numa família pobre e - vivendo uma vida
simples e anônima - trabalhou por muitos anos como carpinteiro com seu pai José. “Não é este o filho do carpinteiro?”
Sua mãe não se chama Maria? (Mt 13,55). “Não é este o carpinteiro?” (Mc
6,3).
Em
sua vida pública - anunciando a Boa Notícia do Reino de Deus a todas e
todos, mas a partir da manjedoura e
de tudo o que ela significa, Jesus - como o Profeta e o Enviado do Pai - sempre
foi próximo, compassivo e entranhadamente
solidário para com o Povo: os Pobres
- doentes, leprosos, sofredores, marginalizados, oprimidos, explorados,
descartados - e todos aqueles e aquelas que não tinham voz e não tinham vez na
sociedade. “As raposas têm tocas e as aves do céu têm ninhos, mas o Filho do
Homem não tem onde repousar a cabeça” (Mt 8,20).
Pela
sua proximidade, compaixão e entranhável solidariedade tornou-se defensor intransigente do Povo;
denunciou, com indignação e firmeza, a hipocrisia dos fariseus e doutores da
Lei. “Serpentes! Raça de cobras venenosas!” (Mt 23,33).
Dialogou
com o jovem rico, que - pelo seu apego aos bens - não teve a coragem (ao menos
naquele momento) de segui-lo e foi embora triste (cf. Mt 19,16-26; Mc.
10,17-27; Lc 18,18-30). Encontrou-se com Zaqueu - também homem rico - em
sua casa, que se converteu e mudou totalmente de vida, praticando a partilha
dos bens (cf. Lc 19,1-10).
A
presença de Jesus, anunciando a Boa Notícia do Reino de Deus - que é sua
Utopia, seu Projeto de Vida - não deixou e não deixa ninguém
indiferente ou em cima do muro. Todas e todos sentiram-se e sentem-se obrigadas
e obrigados a tomar uma posição: a favor ou contra. As exigências de Jesus
para com suas seguidoras e seguidores, são radicais. Todas e todos, mesmo
diferentes, são iguais em dignidade e valor, chamados a viver em Comunidades de
irmãs e irmãos de verdade (sem classes). Existe um projeto de vida mais
revolucionário do que esse? Não é esse o verdadeiro socialismo e comunismo
(ou comunitarismo)?
Jesus
celebrou a última Ceia com os
discípulos e - depois de lavar seus pés - disse: “Eu vos dei o exemplo para que
vocês façam o que eu fiz” (Jo 13,16).
Pelo
seu jeito de ser e agir, pela sua pregação, Jesus foi considerado subversivo.
“Achamos este homem fazendo subversão entre o nosso povo”. “Ele está provocando
revolta entre o povo, com seu ensinamento” (Lc 23,2.5). Diante de
Pilatos, Jesus foi acusado de ser um malfeitor. “Se ele não fosse
malfeitor, não o teríamos trazido até aqui” (Jo 18,30).
Foi
como subversivo e malfeitor que Jesus foi
preso e condenado. Morreu na Cruz por amor. “Ele, que
tinha amado os seus que estavam no mundo, amou-os
até o fim” (Jo 13,1).
Jesus
ressuscitou, está vivo e caminha conosco. “Onde dois ou três
estiverem reunidos em meu nome (por minha causa e do meu Projeto), eu estou aí
no meio deles” (Mt 18,20). “Eu estarei com vocês todos os dias, até o
fim dos tempos” (ib. 28,20).
É esse
o Jesus do Evangelho, ontem, hoje e sempre. É esse o Jesus que caminha
com as Trabalhadoras e Trabalhadores em suas lutas por um Mundo Novo.
Por
fim, faço minhas as palavras do Papa Francisco aos representantes dos
Movimentos Populares, por ocasião do 10º aniversário do 1º Encontro
mundial: "continuem a combater a economia
criminosa com a economia popular. Não
desistam...” (20 de setembro de 2024).
Trabalhadoras
e Trabalhadores unidos e organizados jamais serão vencidos!
Marcos Sassatelli, frade dominicanoDoutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral
(Assunção - SP)Professor aposentado de Filosofia da UFGE-mail: mpsassatelli@uol.com.br - Cel. e WA: (62) 9 9979 2282
Goiânia, 03 de maio de 2026

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