quinta-feira, 5 de maio de 2011

1º de Maio: Dia do Trabalhador/a Caminhada na Região Noroeste de Goiânia

“Hoje - como escreve Waldemar Rossi (metalúrgico aposentado e coordenador da Pastoral Operária da Arquidiocese de São Paulo) - estamos assistindo à mais vergonhosa capitulação das centrais sindicais tradicionais aos interesses do capital nacional e internacional. Sobretudo a CUT e a Força Sindical - verdadeiras inimigas entre si nos anos 90 - tornaram-se cúmplices da entrega dos nossos direitos ao capital e se unem para abafar a consciência e memória histórica dos trabalhadores”.
Celebrar, pois, o 1º de Maio hoje “é retomar a organização autônoma dos trabalhadores, a começar pelos locais de trabalho (fábricas, comércio, hospitais, escolas, unidades públicas e também nas comunidades), para reforçar os sindicatos que continuam comprometidos com os trabalhadores; é fazer novas experiências de organização e de lutas visando a construção de um outro instrumento de lutas, que não repita os desvios ideológicos como vem acontecendo nos últimos 20 anos; é entrar nas lutas em defesa dos nossos direitos, pelas 40 horas semanais, contra as reformas que visam eliminar direitos conquistados e que estão circulando no Congresso Nacional, entre tantas outras importantes” (www.correiocidadania.com.br – 27/04/11).
Em nossa realidade atual existem diversos sinais da “retomada da organização autônoma dos trabalhadores”. Um desses sinais foi a caminhada que aconteceu no dia 1º  de Maio, de manhã, na Região Noroeste de Goiânia. Durante a caminhada foi distribuída, nas feiras livres e para todas as pessoas que se encontravam nas ruas, a Carta aberta “Prioridades da Região Noroeste”, elaborada na Assembleia Popular, que aconteceu no dia 9 de abril, na Escola Municipal Nossa Senhora Aparecida do bairro S. Domingos. A Carta apresenta as seguintes reivindicações, como direitos da população.
Saúde: Implantar o CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), aprovado desde 1999. Aumentar o número de Agentes Comunitários da Saúde para cobrir as áreas em déficit - atualmente 60% da região. Construir a unidade PSF (Programa Saúde da Família) no bairro S. Domingos. Aumentar o número de médicos nos CAIS (Centros de Assistência Integral à Saúde). Implantar o Hospital de Urgências na região;
Educação: Melhorar a estrutura física e pedagógica dos espaços educativos. Cobrir o déficit de professores nas escolas. Implantar Colégio integral. Ampliar o atendimento dos CEMEIS (Centros Municipais de Educação Infantil) - Construir novas salas.
Assistência Social: Melhorar a rede de atendimento à criança e ao adolescente: Escolas, Conselho tutelar, Creas (Centros de Referência Especializados de Assistência Social), Cras (Centros de Referência de Assistência Social), PSF (Programas Saúde da Família), etc.. Implementar políticas públicas para adolescentes e jovens com dependência de drogas. Implantar programa de abrigo para adultos que estão em situação de rua.
Transporte: Aumentar o número de ônibus e diminuir os intervalos entre os carros de todas as linhas que servem os bairros da região, especialmente das linhas que vão à Estação Recanto do Bosque. Implantar novas linhas: da região ao Campus da Universidade Federal e uma linha circular entre os bairros da região. Ampliar os horários das linhas Expressos (Vitória e Floresta) - Circular o dia todo.
Segurança Pública: Divulgar a finalidade da Polícia Comunitária e interagir com a população. Fazer campanha de prevenção, fiscalização, e conscientização contra a violência policial na periferia. Construir uma comissão mista entre sociedade civil, governo e judiciário para apurar as denúncias de violência.
Trabalho: Criar centro de qualificação profissional na região. Inserir os jovens no mercado de trabalho (Programa Primeiro Emprego). Fiscalizar o trabalho infantil.
Cultura/Lazer/Esporte: Implantar um centro cultural na região. Ampliar as atividades artísticas e esportivas nos CRAS (Centros de Referência de Assistência Social). Ampliar praças, parques, pistas de caminhada, ciclovia, ginásios ou quadras de esporte e gramar os campos de futebol. Descentralizar os programas culturais e valorizar os artistas populares da região.
Moradia/Infraestrutura: Regulamentar os lotes da região (escritura). Erradicar o déficit de habitação popular na região. Implantar rede de esgoto.
Meio Ambiente: Implantar parque de proteção ambiental e preservar o cerrado na região. Implantar a coleta seletiva do lixo em todas as áreas.
Participação Popular: Discutir os projetos, o orçamento, as políticas públicas e as prioridades com a comunidade local.
São estas as reivindicações que a população da Região Noroeste de Goiânia apresenta ao Poder Público em sua Carta aberta, para que sejam atendidas o mais rápido possível. A população não quer migalhas (concedidas muitas vezes como se fossem favores dos governantes), mas exige seus direitos.
É urgente lutar contra a cooptação dos trabalhadores/as por parte do governo (mesmo que se diga - de fato não é - governo “popular” e “dos trabalhadores”) e o consequente atrelamento de suas organizações sindicais e movimentos populares ao Poder Público e aos interesses do capital. “É urgente - como afirma Waldemar Rossi - somar forças com os setores do movimento sindical e popular que ainda resistem aos ataques do capital e renovar o compromisso de lutar em defesa dos nossos direitos” (Ib.).
Quando necessário e quando possível, diálogo e negociação, sim, mas com liberdade, independência e autonomia, de igual para igual e defendendo sempre os direitos dos trabalhadores/as (sem covardias e sem traições).

Como diz o ditado: “O Povo que ousa lutar, constrói o Poder Popular”!
Diário da Manhã, Opinião Pública, Goiânia, 04/05/11, p. 2

Fr. Marcos Sassatelli, Frade Dominicano
Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP)
Prof. de Filosofia da UFG (aposentado)
Prof. na Pós-Graduação em Direitos Humanos
(Comissão Dominicana Justiça e Paz do Brasil / PUC-GO)
Vigário Episcopal do Vicariato Oeste da Arquidiocese de Goiânia
Administrador Paroquial da Paróquia Nossa Senhora da Terra

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A palavra do Frei Marcos: uma palavra crítica que - a partir de fatos concretos e na escuta dos sinais dos tempos - aponta caminhos novos