terça-feira, 10 de março de 2026

A guerra no Oriente Médio - Uma iniquidade diabolicamente planejada



O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu - com o apoio direto ou indireto de outros países - são os principais responsáveis pela guerra no Oriente Medio. Em nome do deus dinheiro, eles são - no mundo de hoje - verdadeiros demônios.

Não dá para entender como um ser humano - chamado Trump - possa ser tão mal e tão cruel de chegar a afirmar que a guerra foi um sucesso e que está muito satisfeito com o desenrolar da guerra no Irã.

Entre muitos, basta lembrar dois fatos recentes, que foram amplamente divulgados na imprensa e nas redes sociais.

Primeiro: o ataque dos Estados Unidos ao Irã do dia 28 de fevereiro passado em Minab, na Província de Hormozgan, no sul do país, contra uma escola para meninas que - segundo o embaixador do Irã da ONU, Amir-Saeid Iravani - deixou mais de 100 crianças mortas.

Segundo: o ataque com submarino do dia 4 deste mês de março pelos Estados Unidos, na costa do Sri Lanka, afunda um navio do Irã e mata ao menos 87 pessoas.

Quanta maldade e quanta crueldade! Trata-se de uma iniquidade diabólica sócio-estrutural e pessoal gravíssima, que na ètica filosófico-teológica chamamos pecado social ou estrural e pecado pessoal mortal. Não dá para entender!

A Rede Brasileira Justiça e Paz - organismo ligado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) - emitiu um posicionamento oficial em resposta aos ataques militares ocorridos no Irã na madrugada do dia 28 de fevereiro e outros.

“Nós da Rede Brasileira Justiça e Paz, reunidos em Brasília, conclamamos a todos os povos e governos a se manifestarem pela paz e pela solução negociada para os conflitos”.

Continua: “Trump e Netanyahu enfrentam acusações sérias tanto no plano interno quanto perante a comunidade internacional - investigações sobre corrupção, abusos de poder e violações de direitos humanos que corroem sua legitimidade. Para agradar os setores mais radicais de suas bases políticas, ambos recorrem à guerra não como estratégia de paz, mas como instrumento de reafirmação autoritária: um gesto de força que silencia críticas, mobiliza o nacionalismo extremista e projeta uma imagem de controle, características que marcam seus estilos de governo”.

E ainda: “Mais uma vez, como em Gaza, os senhores da guerra cometem crimes, violando a soberania das nações e as leis da ordem internacional expressas na Carta das Nações Unidas. Não podemos aceitar a linguagem das armas, que só causa destruição, como forma de solução dos conflitos. Portanto, pedimos pelo cessar-fogo imediato e que a ONU se encarregue de mediar o conflito na busca de uma solução justa e pacífica”.

(https://www.brasildefato.com.br/2026/03/02/em-comunicado-rede-brasileira-justica-e-paz-entidade-ligada-a-cnbb-pede-fim-dos-ataques-militares-ao-ira/)

Por fim, a nota afirma que tais ações desrespeitam a soberania das nações e as normas estabele- cidas na Carta das Nações Unidas.

Concordo integralmente com os pedidos da Rede Brasileira Justiça e Paz, mas acho que - antes de dizer o que deve ser feito - a Igreja Cristã Católica, as outras Igrejas Cristãs e todas as Religiões deveriam cumprir (como Jesus de Nazaré) sua missão profética, denunciando e condenando a perversidade diabólica dos que promovem a guerra, em nome do deus dinheiro. Por quê as Igrejas Cristãs (e não só alguns cristãos individualmente) não retomam - fazendo-as suas - as palavras proféticas de Jesus aos mestres da Lei e fariseus hipócritas:

“Raça de cobras venenosas! Se vocês são maus, como podem dizer coisas boas? Pois a boca fala aquilo de que o coração está cheio. O homem bom tira coisas boas do seu bom tesouro, e o homem mau tira coisas más do seu mau tesouro. Eu digo a vocês: no dia do julgamento, todos devem prestar contas de cada palavra inútil que tiverem falado. Porque você será justificado por suas próprias palavras e será condenado por suas próprias palavras” (Mt. 12,33-37; cf. 23,33).

Concluo o meu texto, fazendo dois pedidos:

1º. Que a Igreja Cristã Católica, as outras Igrejas Cristãs e todas as Religiões cumpram - pública e oficialmente - sua missão profética, condenando clara e firmemente toda guerra como desumana, antiética, injusta, iniqua, cruel e diabólica.

2º. Que o Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU), que é o órgão principal da ONU com a responsabilidade primordial de manter a paz e a segurança internacionais, se posicione de maneira firme contra todo tipo de guerra, promovendo a solução dos problemas através do diálogo entre os países, em clima de igualdade e corresponsabilidade.

Um Mundo Novo é possível! Que assim seja! 08 de março: Feliz Dia Internacional da Mulher!


Marcos Sassatelli, frade dominicano
Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP)
Professor aposentado de Filosofia da UFG
E-mail: mpsassatelli@uol.com.br - Cel. e WA: (62) 9 9979 2282

Goiânia, 08 de março de 2026




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