quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Esclarecimentos à opinião pública

 A apelação do advogado João Francisco, em seu escrito “O Frei Marcos e os lanches do TJ-GO” (Diário da Manhã, OpiniãoPública, 26/12/11, p. 2) - a respeito dos meus três artigos “Os lanches do TJ-GO”, “Para além dos lanches do TJ-GO” e “Mais suspeitas de corrupção” - é maldosa e propositalmente desonesta. Para restabelecer a verdade, tornam-se necessários alguns esclarecimentos à opinião pública.
1.            Qualquer cidadão, independentemente de sua formação intelectual (faz parte de seu currículo de cidadão) tem o direito e até o dever de participar ativamente da vida pública e denunciar as suspeitas de corrupção. Graças a Deus, a época do coronelismo rural ou urbano já acabou.
2.                Eu, na qualidade de cidadão, nos artigos citados não denuncio, como diz o advogado, “desvio de verbas públicas e corrupção no TJ-GO”, mas levanto suspeitas de desvio de verbas públicas e corrupção no TJ-GO, o que é bem diferente. Eu não estou - como diz ainda o advogado - “exercendo o papel de representante do Ministério Público”, tanto é verdade que afirmo de maneira muito clara que o Ministério Público tem a obrigação de exigir uma investigação séria a respeito das suspeitas de corrupção levantadas.
3.        Eu recebi mensagens de apreço não só de funcionários, como continua dizendo o advogado (embora os funcionários mereçam todo nosso respeito e gratidão), mas também de advogados que, como os funcionários, por razões de trabalho conhecem a situação por dentro e vivem o problema na própria pele.
4.            Como o advogado João Francisco parece querer desqualificar - com uma certa ironia embutida nas suas palavras - a minha formação teológica deturpando a verdade, tenho a esclarecer o seguinte: Além da formação teológica em nível de doutorado, eu tenho também uma formação humanista (filosófica e sociológica), em nível de doutorado. Em outras palavras (embora isso não tenha nenhuma relevância, pelo menos no nosso caso), além de doutor em Teologia Moral (ou Ética teológica) pela Pontifícia Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção-SP, sou também doutor em Filosofia pela USP, uma das Universidades públicas mais bem conceituadas da América Latina e do mundo. E sou ainda professor aposentado de Filosofia da UFG, que também é uma Universidade pública.
5.              Por vocação e opção de vida (missão e não profissão), eu sou Religioso dominicano e Padre (não sou “vigário especial do Vaticano”, palavras que o advogado inventou e não existem nos meus dados biográficos - o advogado precisa estar mais atento na leitura), e exerço o meu ministério (serviço) na Arquidiocese de Goiânia.
6.            Os “graves problemas” que o advogado levanta, para tentar me desmoralizar, não me dizem respeito. Estou convencido que cada um de nós (religioso ou não) - seja na sociedade em geral, seja na Igreja ou em qualquer outra Instituição - é eticamente responsável pelas suas opções, pelas suas atitudes e pelos seus atos.
 A bem da verdade, é isso o que eu tinha a esclarecer. “A verdade vos libertará” (Jo 8, 32). De minha parte, dou o caso por encerrado. Fiz o que em consciência tinha a obrigação de fazer. Diante das suspeitas levantadas, cabe agora - como já disse - ao Ministério Público não ser omisso e exigir uma investigação séria, dando assim uma satisfação à sociedade.

Termino com as sábias palavras de André Garcia, um dos muitos funcionários do TJ-GO: “Numa democracia de verdade, que nosso país não tem, uma matéria de jornal dessas (o artigo “Os lanches do TJ-GO”) causaria uma investigação séria por parte dos órgãos competentes, e não uma retaliação sob a forma de ‘cala a boca’ do órgão acusado. É justa a pretensão do cidadão que desconfiou do preço que o TJ paga pelos seus lanches. É o TJ que tem que provar que fez a coisa certa, e não o cidadão. Nós, do povo, temos a obrigação de fazer como esse cidadão, fiscalizar e denunciar abusos desses órgãos” (avestruzgarcia.blogspot.com/2011/12/lanches-do-tjgo. html - 19/12/2011).
            Diário da Manhã, Opinião Pública, Goiânia, 28/12/11, p. 07


Fr. Marcos Sassatelli, Frade dominicano
Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP)
Prof. de Filosofia da UFG (aposentado)
Prof. na Pós-Graduação em Direitos Humanos
(Comissão Dominicana Justiça e Paz do Brasil / PUC-GO)
Vigário Episcopal do Vicariato Oeste da Arquidiocese de Goiânia
 Administrador Paroquial da Paróquia Nossa Senhora da Terra
                                                                                                                                                              E-mail: mpsassatelli@uol.com.br

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A palavra do Frei Marcos: uma palavra crítica que - a partir de fatos concretos e na escuta dos sinais dos tempos - aponta caminhos novos