terça-feira, 26 de novembro de 2013

“Deus da Vida, guia-nos à Justiça e à Paz” [10ª Assembleia do CMI]

            Assembleia do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), a principal organização ecumênica em nível internacional, que reúne 345 denominações religiosas cristãs - protestantes, evangélicas, anglicanas e ortodoxas - de mais de 110 países e territórios.
            O tema - refletido e debatido na Assembleia de Busan - foi: “Deus da Vida, guia-nos à Justiça e à Paz”. Fez alusão ao primeiro encontro do CMI em Amsterdã, em 1948, que enviou, na época, mensagem às Igrejas e ao mundo destacando o desejo: “nós pretendemos ficar juntos”.
A Mensagem final de Busan de 2013 - um documento que resume as conclusões da Assembleia - convida as Igrejas: "junte-se à Peregrinação da Justiça e da Paz". Demonstrando o sentimento de união e consenso existentes entre as muitas denominações presentes, proclama: “no amor de Jesus Cristo e pela misericórdia do Espírito Santos nós, como uma comunhão dos filhos de Deus, caminhamos juntos para o cumprimento do Reino” e “temos a intenção de caminhar juntos”.
Destaca a experiência da busca da unidade na Coréia, como um sinal de esperança no mundo. "Essa não é a única terra onde as pessoas vivem divididas, na pobreza e na riqueza, felicidade e violência, bem-estar e guerra. Nós não somos autorizados a fechar os olhos para as realidades duras ou para descansar as mãos da obra transformadora de Deus. Como uma irmandade, o CMI está em solidariedade com o povo e as Igrejas na península coreana, e com todos os que lutam pela Justiça e a Paz".
A Mensagem lembra-nos que “o CMI representa cerca de 500 milhões de membros, o maior corpo cristão fora da Igreja Católica, que são motivados nesta iniciativa ecumênica de junção, união e partilha de interesses comuns. Por aqui vemos que, ao mais alto nível oficial, todo o cristianismo está com uma disposição clara para remover o que (ainda) os separa e concentrar-se no que os pode unir”.
Mesmo reconhecendo que a Igreja Católica Romana não é membro do CMI, a Mensagem faz questão de destacar que a Igreja de Roma, em caráter oficial, “participa ativamente no movimento ecumênico” e acrescenta “que não apenas participa ativamente como é o seu principal interessado”.
Com palavras de muita esperança, afirma: “posto isto, e sendo este caminho aprofundado, qual a dificuldade em, finalmente, todos os cristãos se juntarem a Roma ao abrigo das mesmas premissas de justiça, paz, união…? Fica óbvio que nenhuma” (http://www.otempofinal.org/?p=1491;
O papa Francisco, no dia 30 de outubro, enviou uma Mensagem à Assembleia do CMI - intitulada “Periferias existenciais e família” - que foi lida pelo Card. Kurt Koch, presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos. A Mensagem reconhece que “a Assembleia é o órgão de gestão mais importante do CMI, que “é convocada a cada sete anos” e que dela “participam mais de três mil representantes de 345 Igrejas e comunidades eclesiais”.
Lembrando, pois, que “a Assembleia precedente foi realizada em 2006 em Porto Alegre (RS), Francisco reitera “o empenho da Igreja Católica a continuar a cooperação de longa data com o Conselho”, destaca que “o mundo globalizado requer dos cristãos o testemunho do valor da dignidade da pessoa que vem de Deus” e defende “a educação integral dos jovens e uma promoção da pessoa que permita aos indivíduos e às comunidades crescerem em liberdade”.
            O papa Francisco explica que, “em fidelidade ao Evangelho, somos chamados a alcançar todos os que se encontram nas periferias existenciais da sociedade e a levar solidariedade aos irmãos e às irmãs mais vulneráveis”. E cita nomeadamente “os pobres, os deficientes, os nascituros e os doentes, os migrantes e os refugiados, os idosos e os jovens sem emprego”.
Francisco garante, ainda, a sua oração para que “a Assembleia contribua a dar novo impulso vital e nova visão a todos os que estão empenhados na causa sagrada da unidade dos cristãos”.

Termina a Mensagem, dizendo que “o Secretário do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, Dom Brian Farrell, guia a delegação oficial católica, composta por 25 pessoas” e reafirma que “a Igreja Católica, mesmo não sendo membro do CMI, colabora ativamente com o organismo, através principalmente do “Grupo Misto de Trabalho”, instituído em 1965. Por fim, afirma que “a Rádio Vaticano acompanha os trabalhos da Assembleia com a enviada, Philippa Hitchen (BF)” (http://www.news.va/pt/news/periferias-existenciais-e-familia-a-mensagem-do-pa).
Retomando o tema da Semana de Oração para a Unidade dos Cristãos deste ano (12 a 19 de maio) do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC), perguntemo-nos: o que Deus exige de nós?

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

A volta do auxílio-moradia: uma sem-vergonhice parlamentar

Coitados dos deputados estaduais de Goiás! Estão sem moradia! Passam fome! Não têm dinheiro para colocar gasolina no carro! Trabalham exaustivamente em benefício do povo! Que pena! Vamos fazer uma vaquinha para ajudá-los! Eles merecem!

Ironias a parte, quando pensamos que, em matéria de sem-vergonhice, não pode ter mais nada de novo, é aí que nos surpreendemos e ficamos boquiabertos. Parece que, nessa matéria, a esperteza não tem limites. Bem que Jesus alertou: “os filhos deste mundo são mais espertos no trato uns com os outros do que os filhos da luz” (Lc 16,8).

Um exemplo paradigmático dessa sem-vergonhice é a volta do auxílio-moradia dos deputados estaduais de Goiás. Que descaramento! Após oito meses suspenso, o auxílio-moradia - por ato da mesa diretora, publicado no Diário Oficial da Casa em meados do mês passado - voltou a ser pago aos deputados estaduais de Goiás, retroativo a 1º de outubro. Além disso, o valor foi reajustado.e passa a ser de R$ 2.850, que corresponde a 75% do que é pago aos deputados federais. Até janeiro, o valor era de R$ 2.250.

O presidente da Assembleia, Helder Valin (PSDB), justifica a volta do auxílio-moradia, dizendo: “recebi o pedido assinado pelos deputados e enviei para análise da Procuradoria da Casa, que manifestou pela legalidade da concessão do benefício. Administro um colegiado e se o pedido foi feito pela maioria e não há impedimento legal, não posso me opor” (O Popular, 05/11/13, p. 10).

Senhor presidente, a mim e - tenho certeza - a todos os que têm um mínimo de senso ético, pouco importa saber se o auxílio-moradia é legal ou não. Se for legal, a lei é injusta e deve ser mudada. Digo mais: o auxílio-moradia é um deboche, uma afronta aos trabalhadores e um pontapé na cara do povo. É totalmente antiético não só para os deputados que moram na capital, mas também para os que moram no interior.

Os trabalhadores, mesmo os que trabalham na capital e moram no interior, não recebem o auxílio-moradia. Pergunto: os direitos não são iguais? Por que, então, os deputados - no lugar de pensar só nos seus interesses - não elaboram um projeto de lei que institui o auxílio-moradia para todos os trabalhadores que ganham menos de dois salários mínimos? E por que não usar o dinheiro do auxílio-moradia dos parlamentares para implementar políticas públicas em benefício dos Moradores de Rua?

É bom lembrar que, além do auxílio-moradia, os deputados - que recebem um salário aproximado de R$ 20.000 - podem gastar até R$ 23.000 mensais para a manutenção do mandato. É a chamada verba indenizatória. O dinheiro pode ser utilizado, por exemplo, com combustíveis, consultorias, diárias e na produção de materiais gráficos. O auxílio-moradia é realmente uma sem-vergonhice parlamentar! Não tem outro nome mais apropriado para tamanha falcatrua.

Não sei se por convicção ou por conveniência política, até o dia 6 deste mês, dez deputados abriram mão do valor do auxílio-moradia. Parece que, em breve, mais alguns deverão fazer o mesmo. Fiquemos de olho!
Em nome da Lei de Acesso à Informação (nº. 12.527/11), vamos exigir - como já fez a OAB-GO no dia 6 deste mês - a lista completa dos deputados estaduais de Goiás que voltaram a receber o auxílio-moradia, para que seus nomes sejam amplamente divulgados na mídia e para que esses deputados sejam definitivamente banidos da vida pública.

Tudo o que dissemos dos deputados estaduais de Goiás, vale também para os parlamentares de outros Estados e do Governo Federal, que recebem o auxílio-moradia. O pagamento do auxílio-moradia a parlamentares é uma verdadeira farra com dinheiro público.

Estava terminando este escrito, quando - tomado de profunda indignação, que revolveu as minhas entranhas - li a reportagem que relata: “além do salário, do auxílio moradia, da verba indenizatória, da verba de gabinete, dos veículos à disposição e das viagens internacionais (só em viagens internacionais, a Assembleia gastou, em um ano, cerca de R$ 900 mil), os deputados goianos também podem contar com a ajuda de custo para realizar viagens dentro do País. De julho do ano passado até o início de outubro deste ano, 18 parlamentares gastaram R$ 198,2 mil em viagens a diversos Estados brasileiros, com duração de um dia a uma semana. Até para ir a Brasília, com retorno no mesmo dia, deputados receberam ajuda de custo (R$ 500) - embora tenham carro oficial e verba indenizatória para custear despesas com alimentação e combustível” (O Popular, 11/11/13, p. 10).
  
O levantamento da reportagem não considera as viagens dentro do Estado, também pagas pela Casa. Pergunto: por que, então, a verba indenizatória de até R$ 23.000 mensais? Trata-se de um verdadeiro roubo do dinheiro público (Leia a íntegra da reportagem com a lista dos deputados que viajaram á custa do dinheiro público, em: http://www.opopular.com.br/editorias/politica/viagens-custam-quase-r-200-mil-1.425154).

Enfim, veja o absurdo. Estudo da organização Transparência Brasil “concluiu que os parlamentares brasileiros são os mais caros do mundo. Um minuto trabalhado aqui custa R$ 11.545,00 ao contribuinte. Por ano cada senador não sai por menos de R$ 33 milhões. O custo anual de um deputado é de R$ 6 milhões e 600 mil. Os valores gastos com o Congresso causam ainda mais espanto quando comparados a países mais ricos que o Brasil. Se fizermos a média dos custos de deputados e senadores, cada parlamentar no Brasil sai por R$ 10 milhões e 200 mil por ano, quando na Itália é de R$ 3 milhões e 900 mil, França: R$ 2 milhões e 800 mil, Argentina: R$ 1 milhão e 300 mil e Espanha: R$ 850 mil. Esse custo se repete nas Assembleias Legislativas e, o pior exemplo, está em Brasília. Cada um dos deputados distritais custa por ano quase R$ 10 milhões. E os vereadores do Rio e São Paulo cada um sai por pelo menos R$ 5 milhões” (http://cliquepiripiri.com.br/noticias/estudo-parlamentares-brasileiros-sao-os-mais-caros-do-mundo - 13/07/13).

Apesar de tudo o que foi dito, não podemos perder a esperança e, como afirma o papa Francisco, "o desprestígio do trabalho político precisa ser revertido, porque a política é uma forma mais elevada de caridade social. O amor social se expressa no trabalho político para o bem comum" (http://saberepoder57.blogspot.com.br/2013/07/para-meditardez-pensamentos-politicos.html - 27/07/13).

E ainda: “O futuro exige hoje a capacidade de reabilitar a política. Reabilitar a política que é uma das formas mais altas da caridade. O futuro nos exige também uma visão humanista da economia e uma política que leve cada vez mais e melhor a participação das pessoas. Evite o elitismo e erradique a pobreza” (http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2013/07/ou-se-aposta-no-dialogo-ou-todos-perdemos-diz-papa-em-discurso.html - 27/07/13)...

Lutemos para que este ideal - do qual estamos ainda tão longe - se torne realidade.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Comissão Dominicana de Justiça e Paz do Brasil Comentando a Carta Final do 24º Encontro

Nos dias 5 e 6 de outubro aconteceu em Goiânia o 24º Encontro da Comissão Dominicana de Justiça e Paz do Brasil.

A Carta Final - dirigida aos irmãos e irmãs da Família Dominicana do Brasil - começa dizendo: “como irmãos e irmãs de caminhada pela construção da Justiça e Paz, nós, as 66 pessoas participantes deste Encontro, vindos dos Estados do Maranhão, Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte, Tocantins, Pará, Minas Gerais, São Paulo, Paraná e Goiás, nos reunimos (...) para refletirmos sobre nosso trabalho de base e a articulação das ações de Justiça e Paz”.

O Encontro foi assessorado pela Irmã Pompea Bernasconi, religiosa das Irmãs de Nossa Senhora Cônegas de Santo Agostinho.

A Carta, logo no início, afirma: “fomos convidados/as a abrir nossos ouvidos, nossos corações e todo nosso sentimento aos anseios e sofrimentos do povo”. Depois pergunta: “mas, qual a melhor maneira de se ouvir com nitidez? E a resposta é: “a melhor forma de ouvir é estar bem próximo das pessoas, olho no olho, ‘sentindo o cheiro das ovelhas’, tocá-las”. 

A Carta nos lembra que “este foi o método de Jesus. Este deve ser o nosso”. Citando o Documento de Aparecida, afirma: é necessário “que dediquemos tempo aos pobres, prestar a eles amável atenção, escutá-los com interesse, acompanhá-los nos momentos difíceis, escolhê-los para compartilhar horas, semanas ou anos de nossas vidas, e, procurando, a partir deles, a transformação de sua situação” (397). 

Por isso - continua a Carta - “fizemos, em forma de mutirão, uma análise da conjuntura atual para sentir o que o mundo, o país, a cidade, a comunidade estão dizendo. ‘Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!’”.

Nesta análise “foi dada ênfase às manifestações que tomaram as ruas, neste ano”. Perguntamos: “em tempos de crise de trabalho de base e dificuldades mil em mobilizar o povo, como explicar essa ‘explosão de manifestações’”? 

Constatamos que “as explicações foram inúmeras e diversas. Mas, o fato delas terem partido de necessidades concretas (o transporte coletivo, e outras), sem iniciativa específica nem de Partidos Políticos, nem de Igrejas (diferente do que acontecia nos anos 70 e 80), elas têm muito a nos dizer. É necessário ouvi-las com atenção”! 

Do lado eclesial, constatou-se: “surpreendentemente, há esperanças que vêm de Roma, mas com muitos retrocessos nas Igrejas Locais”. 

Enfim, tivemos a fraterna e sábia visita do Frei Humberto, que, vindo em cadeira de rodas, fez questão de nos lembrar: “Vocês são profetas de Deus, profetas da vida”. Perguntamos, pois: “como fazer que nossas instituições eclesiais recuperem a profecia, carregando a bandeira dos anseios que vem dos gritos das ruas”? 

A Carta reconhece que do Encontro “brotaram desafios e orientações significativas”. Foram assim sintetizados:
1. “Precisamos encontrar a porta de entrada para nosso trabalho, diminuir a distância física da base. Conhecer as necessidades sentidas pelo povo. Nem sempre o que eu/nós penso/pensamos é o que povo quer; ouvir seus sonhos, desejos, esperanças, lutas, conquistas. A partir daí, conhecer suas potencialidades, despertar para a defesa e a promoção de sua dignidade e anunciar outro mundo possível, viver a solidariedade; 
2. Fomos provocados/as a nos deter na questão da mulher, que é a verdadeira protagonista no trabalho de base, mas ao mesmo tempo discriminada na sociedade e na nossa Igreja. Se na sociedade, ela vai encontrando seu espaço, mesmo que isso não atinja todas as classes, alcançando o cargo máximo na República, por que em nossa Igreja continua tão fora das instâncias de decisão (as mulheres fortes na base e fracas na hierarquia)?; 
3. Não existe trabalho de base à distância, nem por telefone ou internet, nem só nos finais de semana; 
4. Fazer com o povo, e não para o povo ou pelo povo; 
5. Formar lideranças (que pensem na comunidade) e não líderes individuais (que querem se projetar);
6. Lutar para conseguir um objetivo de cada vez e ir celebrando as pequenas vitórias; 
7. Descobrir novas praças, novas bases, para construir, a partir das ações de Justiça e Paz na ótica dos Direitos Humanos, o outro mundo que sonhamos, e que é possível e urgente. 
8. Recuperar o Jesus histórico, como condição fundamental para o trabalho de base. 
9. Celebrar o Jubileu dos 25 anos de nossa caminhada, garantindo a memória crítico-propositiva”.

A Carta termina dizendo: “agradecidos pela riqueza do Encontro, iniciamos o processo de preparação para o próximo” e estamos “cientes de que o próximo ano (2014) será marcado por comemorações importantes para toda nossa Família Dominicana: 25 anos desta Comissão de Justiça e Paz, 40 anos do martírio de Frei Tito e 500 anos da conversão de Frei Bartolomeu de Las Casas”.

Conclui, fazendo um convite: “a caminho da celebração de 800 anos de caminhada dominicana, convidamos toda a Família Dominicana do Brasil, as pessoas, Comunidades, Movimentos Sociais Populares e outras entidades parceiras a participarem de nosso 25° Encontro (Jubileu de Prata da Comissão Dominicana de Justiça e Paz do Brasil) nos dias 21 e 22 de novembro de 2014, com a participação especial de Frei Timothy Radcliffe, ex Mestre da Ordem Dominicana”.

Desejando que a Família Dominicana do Brasil seja, em sua missão apostólica, sempre mais “profética”, os participantes saudámo-nos com “abraços fraternos e sororais”.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Real Conquista, palco de mentira e demagogia

Em 2012, nesta mesma época, escrevi o artigo Real Conquista, palco de covardia e arrogância. (Leia o artigo em: http://www.dmdigital.com.br/novo/#!/view?e=20121113&p=20 ou http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=71983).

Hoje, reafirmo tudo o que escrevi nesse artigo e acrescento que o Real Conquista tornou-se também palco de mentira e demagogia.
No dia 24 deste mês, em que Goiânia completou 80 anos, o governador Marconi Perillo, logo cedo - como primeiro compromisso de sua agenda - fez uma visita ao Residencial Real Conquista, na Capital, para entregar dois mil cheques Mais Moradia Melhoria, no valor total de R$ 6 milhões. Ele atendeu a todas as pessoas cadastradas pela Agência Goiana de Habitação (AGEHAB), faltando somente, para serem contempladas, cerca de 400 famílias, que ainda não concluíram seus cadastros.
Estiveram também presentes no evento o secretário chefe da Casa Civil, Vilmar Rocha; o coordenador geral da OVG, Afrêni Gonçalves, entre outras lideranças políticas e do bairro.
Marconi declarou: “estou aqui para reafirmar que todos nesse Residencial serão atendidos”. Que governador bonzinho! Será que é uma dor de consciência de efeito retardado? Tenho minhas dúvidas, mas - se fosse - seria melhor tarde do que nunca.
Em todo caso, é bom refrescar a memória do governador, que foi (e ainda é) o principal responsável da pior barbárie praticada em toda a história (80 anos) de Goiânia e uma das piores do Brasil. A respeito do caso do Parque Oeste Industrial, as operações de despejo “Inquietação” e “Triunfo” de fevereiro de 2005 - verdadeiras operações de guerra - foram realizadas por ordem do governador Marconi, que, mentindo, se submeteu covardemente aos interesses financeiros dos “coronéis” de Goiânia (leia: os donos das grandes imobiliárias).
À epoca, existiam todas as condições legais e constitucionais para que aquela área, ocupada por cerca de quatorze mil pessoas, fosse desapropriada. Só não foi feita a desapropriação, porque o governador, aliado dos “coronéis” de Goânia, não quis. A ganância e a iniquidade prevaleceram. O requinte de maldade das operações acima foi tão gritante, que até hoje clama por justiça diante de Deus.
Pedro e Wagner foram assassinados à queima-roupa (suspeita-se, com razão, de outras mortes), diversas pessoas ficaram feridas e muitas outras - sobretudo crianças e idosos - morreram depois, em consequência das condições de vida subumans a que foram relegadas por mais de três anos.
O governador, recordando o seu envolvimento com a comunidade, há mais de oito anos, declarou: “eu venho a essa região antes mesmo de ela se transformar nessa cidade dentro de Goiânia. Me recordo de pedir ao então secretário Ademir Menezes que encontrasse uma área vasta, com excelente vista e propícia para acolher famílias que sofriam com aquela situação. Retornei aqui diversas vezes desde então, e hoje tenho a satisfação de trazer mais um benefício que contribuirá para dar mais dignidade às famílias que conquistaram o seu lar”. E finalizou, dizendo: “tenho satisfação de viver em Goiânia e de ajudar esse bravo povo que a elegeu para contribuir com a sua evolução” (http://www.dm.com.br/texto/148987-marconi-entrega-cheques-moradia-no-residencial-real-conquista).
Marconi, junto com os moradores presentes, cantou os "parabéns" em comemoração ao aniversário de Goiânia. "Não quis ir ao desfile hoje. Preferi estar aqui com vocês, entregando este presente, sentindo a vibração de todos e, juntos, comemorando os 80 anos da nossa Capital" (http://www.aredacao.com.br/noticias/35466/marconi-repassa-r-6-milhoes-em-cheque-mais-moradia-a-2-mil-familias). Que descaramento!
 Governador, o senhor não entregou nenhum presente. O senhor foi eleito para servir ao povo. Com os cheques Mais Moradia Melhoria, o senhor só devolveu uma pequena parte do dinheiro, que já é do povo. É mera obrigação sua e nada mais do que isso.
Na ocasião, Marconi afirmou ainda: “para mim, palavra dita é palavra cumprida. Estamos resgatando todos os nossos compromissos de campanha e entregando para o povo importantes obras e benefícios que acreditamos serem fundamentais para a melhoria da qualidade de vida dos goianos. Governo bom é aquele que investe em obras. Mas melhor ainda é o governo que investe no ser humano”. Que palavras bonitas, senhor governador!
Veja o que, à época, o governador Marconi falou a respeito da Ocupação “Sonho Real” do Parque Oeste Industrial. “O que eu vim dizer aqui agora é que eu não vou mandar a policia. Se tiver algum policial lá, algum comandante lá, vai ser demitido e eu não aceito - essa decisão está tomada. (...) Em relação a vocês, eu já tomei uma decisão: eu não vou cumprir a ordem de reintegração (...)” (http://www.midiaindependente.org/pt/red/2005/02/307719.shtml).
Sempre à época, numa reunião da qual participei, o governador declarou, em entrevista coletiva, que já estava decidida a despropriação da área. Lembro que os moradores da Ocupação “Sonho Real” fizeram festa.
Governador, o senhor não diz: “para mim, palavra dita é palavra cumprida”. Julgue o leitor!
Afinal, por que tanta mentira e tanta demagogia? Mesmo que, por interesses pessoais escusos, algumas falsas lideranças do povo, tenham traido seus companheiros/as (um comportamento mesquinho e repugnante), passando a bajular o seu algoz (e o senhor se aproveita disso), o nosso povo, governador, sabe o que quer. Pode, às vezes, por necessidade de sobrevivência, se fazer de bobo, mas não é bobo.

Chega de enganação! Lembre-se, senhor governador, a justiça humana pode falhar, mas a justiça divina nunca falha!

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Uma vitória da Educação Pública

“A greve foi suspensa, mas a luta continua”

           
Após 26 dias de paralisação, as trabalhadoras e trabalhadores da Educação da Rede Municipal de Goiânia, em assembleia, com o Plenário da Câmara superlotado de professoras, professores e auxiliares administrativos, decidiram, na manhã de segunda-feira (21), suspender a greve por 30 dias.
            Eis o comunicado do comando de greve: “Nossa greve está suspensa até dia 21 de novembro, quando realizaremos nova assembleia (com paralização) da categoria, no CEPAL do Setor Sul, às 8h. Mais informações sobre os encaminhamentos serão postados em breve. Por enquanto, retornemos às atividades, a partir de amanhã (22 de outubro). Uma greve vitoriosa em que a categoria mostrou sua força e continuará mostrando! A luta continua!”.
As educadoras e educadores - depois de feitas as devidas alterações - aceitaram o documento enviado pela Secretaria Municipal da Educação, Neyde Aparecida, que tinha sido acordado na negociação. Posteriormente, o documento foi assinado, na presença da imprensa, pelo Prefeito Paulo Garcia, pela Secretária da Educação e pelos membros da comissão de negociação.  
Reparem: trata-se de suspensão e não de fim da greve. Depois do prazo estabelecido, uma nova assembleia será realizada, definindo os rumos do Movimento. "Vamos passar um mês vigilantes. Se o acordo não for cumprido, na próxima assembleia poderemos retomar a paralisação" (professor Renato Regis, membro do comando de greve).
As trabalhadoras e trabalhadores da Educação da Rede Municipal em greve fizeram a votação na Câmara dos Vereadores, que tinham ocupado e onde estavam acampados desde o último dia 8. Com a suspensão da greve, os manifestantes deixaram também o Plenário da Casa.
Leia o documento assinado pelo Prefeito Paulo Garcia, em: http://comandodegrevegoiania.blogspot.com.br/.
Parabenizo as Trabalhadoras e Trabalhadores da Rede Municipal de Educação de Goiânia (professoras, professores e auxiliares administrativos) pela união e pela garra que tiveram e - tenho certeza - continuarão tendo na luta por seus direitos e por uma Eucação Pública de qualidade. O Movimento alcançou uma significativa vitória e - se continuar unido - alcançará muitas outras.
Pela sua seriedade e responsabilidade, o Movimento mereceu e ainda merece a solidariedade de muitas Instituições (como a UFG e outras), de Entidades de estudantes e professores e de Movimentos Sociais Populares. O Movimento das educadoras e educadores da Rede Municipal é um exemplo de organização popular promissor, que alimenta a nossa esperança num Brasil e num mundo novo.
Parabenizo também o Movimento por estar construindo um novo Sindicato: o Sindicato Municipal dos Servidores da Educação de Goiânia (SIMSED).
Lamento e repudio o comportamento do SINTEGO, que se tornou um sindicato pelego e que, para a categoria das trabalhadoras e trabalhadores da Educação do Município de Goiâna, já morreu e foi enterrado.
Lamento e repudio o comportamento intransigente e autoritário do Governo Municipal, em relação às trabalhadoras e trabalhadores da Educação Pública. Infelizmente, só depois de muitos dias de greve (que, ao menos em parte, podiam ter sido evitados), o Prefeito, acuado pelo Movimento, resolveu ceder, abrir as negociações, dialogar  e - por razões de conveniência política (como o aniversário de Goiânia, 80 anos no dia 24 deste mês, viagens ao exterior e outras) - voltar atrás, assinando o documento. Não dá para entender como um Governo do PT trate as trabalhadoras e trabalhadores da Educação Pública de maneira tão desrespeitosa e ditatorial, ameaçando criminilizar o Movimento.
Lamento e repudio o comportamento oportunista de políticos, que - depois de terem sido sindicalistas e defensores dos trabalhadores - ocuparam cargos públicos, se deixaram corromper pelo poder e trairam seus companheiros, fazendo tudo aquilo que os outros faziam (e que eles sempre denunciaram) e até pior. É realmente um comportamento repugnante e nojento!
Lamento e repudio as manobras interesseiras e antiéticas da grande maioria dos vereadores, que se comportaram e ainda se comportam como verdadeiros inimigos da Educação Pública, criminalizando as trabalhadoras e trabalhadores da Rede Municipal de Educação.
Lamento e repudio o comportamento de políticos, que se dizem cristãos católicos (ou de outras denominações cristãs) e que, hipocritamente, usam de sua condição de pessoas ligadas à Igreja, para criminalizar as trabalhadoras e trabalhadores da Educação Pública..
Lamento e repudio o comportamento de políticos, que, por ocasião do dia do professor (15 deste mês), escreveram artigos, fazendo a apologia da educação e esquecendo, proposital e oportunisticamente, de um “detalhe”, que é a situação real da Educação Pública. Talvez, por um falso conceito de fidelidade partidária, descomprometido com a verdade e totalmente antiético, não falaram uma só palavra sobre a greve da Educação Pública Municipal.
Lamento e repudio o silêncio de políticos, que se dizem defensores dos Direitos Humanos e que, pelas mesmas razões acima expostas, esqueceram que as trabalhadoras e trabalhadores da Educação Pública são também sujeitos de Direitos Humanos.
Por fim, me dói reconhecer a omissão - que é pecado - da minha Igreja e das Instituições que levam o nome de católicas. Sempre com muita esperança, faço minhas as palavras de dom Pedro Casaldáliga, um homem de fé e um dos grandes profetas do nosso tempo. “Não devemos nos amargurar; devemos dar uma contribuição de paz e esperança; uma esperança contra toda esperança, que é a nossa, uma Esperança Pascal, que passa pela cruz, mas é uma esperança invencível. (...) Somos o povo da esperança, o povo da Páscoa; a nossa fé cristã é esperança, é confiança. Esperança confiada no Deus da vida, do amor, da liberdade, da paz, em seu Reino” (Avelino Seco. Entrevista com Dom Pedro Casaldáliga, em: Religión Digital, 07 de outubro de 2013).
Educadoras e educadores, heroínas e heróis, continuem a luta para que um dia a Educação Pública de qualidade, seja realmente um direito de todas e de todos e a prioridade das prioridades do Governo Municipal, Estadual e Federal.
A melhor maneira de comemorar o aniversário de Goiânia, seus 80 anos, no dia 24 deste mês, é comemorar uma vitória da Educação Pública Municipal. “Virá o dia em que todos, ao levantar a vista, veremos nesta terra reinar a liberdade”.


Plebiscito Popular

   
Ante a recusa do Congresso Nacional em aceitar um Plebiscito legal, conforme estabelece a Constituição Federal, para decidir sobre sua convocação, os Movimentos Sociais Populares e outras Organizações, reunidos nas Plenárias Nacionais dos dias 5 de agosto e 14 - 15 de setembro, deliberaram realizar um Plebiscito Popular por uma Assembleia Nacional Constituinte, Exclusiva e Soberana, do Sistema Político Brasileiro.
Estavam presentes na última Plenária, representantes de 19 Estados e 68 Entidades, entre as quais diversas Pastorais Sociais e a CNBB. O Plebiscito Popular tem, portanto, o apoio da Igreja Católica e também - acredito eu - de outras Igrejas Cristãs ou Religiões.
A pergunta única para o Plebiscito, aprovada consensualmente por todos os Movimentos Sociais Populares e outras Organizações, é: "Você é a favor de uma Constituinte Exclusiva e Soberana sobre o Sistema Político Brasileiro?"
A organização da Campanha tem: Coordenação Nacional, composta pelos Movimentos Sociais Populares e outras Organizações, que participam das Plenárias Nacionais e aberta a todas as Organizações, que concordam com a linha central da Campanha; Plenárias Nacionais, que são realizadas periodicamente, para tomar as decisões centrais da Campanha; Secretaria Operativa, com um Coletivo responsável por operacionalizar as decisões das Plenárias Nacionais, uma pessoa liberada exclusivamente para os trabalhos e uma estrutura física e financeira que dê um suporte mínimo para o andamento da Secretaria. 
Atualmente, e de forma provisória, a Secretaria Operativa da Campanha está localizada no mesmo local e com a mesma Secretaria da Articulação dos Movimentos Sociais da Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América (ALBA). Até a próxima Plenária Nacional - que será no dia 16 de novembro, depois do Lançamento Nacional da Campanha, em Brasília-DF - todos os Movimentos Sociais Populares e as outras Organizações deverão levar propostas e contribuições para definir como viabilizar uma Secretaria Operativa permanente da Campanha.
Será elaborada uma primeira Cartilha da Campanha, para ser entregue no Lançamento Nacional, que terá os seguintes capítulos: história da formação do Estado Brasileiro; como funciona o atual Sistema Político Brasileiro; o que é e como se faz uma Constituinte; porque propomos a realização de uma Constituinte Exclusiva e Soberana; como participar da Campanha Nacional.
Será realizado também um Curso Nacional de Formação de Formadores, com os mesmos temas da Cartilha.
Foi formado um Grupo de Trabalho, composto pelas Organizações, que se comprometeram com a elaboração da Cartilha e de uma proposta para o Curso Nacional: Plataforma pela Reforma Política, CUT, MST, UNE, Movimento Negro e Pastorais Sociais. Todas as Organizações que desejarem podem se somar a este Grupo.
O Grupo de Trabalho teve a primeira reunião no dia 27 de setembro, no Sindicato dos Advogados de São Paulo (SASP) e estabeleceu os seguintes prazos para o encaminhamento das propostas: até 05/10/13, enviará por e-mail o primeiro esboço da Cartilha para contribuições; até 25/10/13, receberá as contribuições e iniciará o processo de fechamento da Cartilha; até 08/11/13, a Cartilha será finalizada para impressão.
O Grupo de Trabalho estabeleceu também o cronograma de atividades da Campanha Nacional: no dia 15 de Novembro de 2013, em Brasília - DF, haverá o lançamento da Campanha Nacional; do dia 06 a 08 de dezembro de 2013, em São Paulo - SP, será realizado o Curso Nacional de Formação de Formadores; até março de 2014, serão formados os Comitês Populares da Campanha, nos locais, bairros, municípios e estados brasileiros; até abril de 2014, serão realizados Cursos Estaduais de Formação de Formadores da Campanha; em maio de 2014, serão realizados também Cursos Massivos de Formação de Ativistas da Campanha (Cursos dos “Mil”); em setembro, de 01 a 07, haverá a Coleta de Votos do Plebiscito Popular (Fonte: Relato da Plenária Nacional dos Movimentos Sociais Populares e outras Organizações, São Paulo-SP,  14 e 15 de setembro deste ano).
Todos e todas somos convocados a participar ativamente dessa mobilização nacional, em favor do Plebiscito Popular por uma Assembleia Nacional Constituinte, Exclusiva e Soberana, do Sistema Político Brasileiro, para que um novo Brasil aconteça. Lembre-se, sua participação faz a diferença!

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Heroínas e heróis da Educação Pública

Os professores e técnicos administrativos da Educação Pública de Goiânia (e, podemos dizer, de Goiás e do Brasil) são, em sua grande maioria, verdadeiras heroínas e verdadeiros heróis. Merecem o nosso respeito, a nossa admiração e a nossa gratidão.
Na greve dos trabalhadores em educação do Município de Goiânia, repudio o comportamento autoritário e intransigente do Prefeito Paulo Garcia, do Secretário do Governo Osmar Magalhães e da Secretária da Educação Neyde Aparecida. Lamento as manobras oportunistas de vereadores e a perda de credibilidade do SINTEGO, que se deixou cooptar pelo Poder Público, traiu os trabalhadores em educação e se tornou um Sindicato pelego. 
Fico, pois, feliz em saber que a greve das educadoras e educadores, por sua seriedade e responsabilidade, está ganhando, cada vez mais, a simpatia, o apoio e a solidariedade - inclusuve material - dos Movimentos Sociais Populares, de alguns Partidos, do Movimento Estudantil e de outras Instituições da sociedade civil organizada.
Como professor de filosofia aposentado da UFG, fico orgulhoso e parabenizo a Universidade pela posição tomada e faço minha a Nota de Apoio à greve dos professores municipais dos três Conselhos: “O Conselho Universitário (CONSUNI), o Conselho de Ensino, Pesquisa, Extensão e Cultura (CEPEC) e o Conselho de Curadores da Universidade Federal de Goiás, reunidos em sessão conjunta realizada no dia 11/10/2013, vêm a público manifestar apoio à greve dos docentes e dos técnicos administrativos da Secretaria Municipal de Educação de Goiânia e solicitar ao Governo Municipal abertura de diálogo com as categorias em prol da valorização dos trabalhadores em educação e da qualidade da educação básica”.
Ao mesmo tempo que parabenizo a UFG, me dói - como costuma dizer o papa Francisco - o silêncio e a omissão (pelo menos até o momento) da PUC-GO, dos Colégios Católicos e da Arquidiocese de Goiânia. Não é certamente uma atitude evangélica!
Diz Francisco: "eu quero agito nas dioceses, que vocês saiam às ruas. Eu quero que a Igreja vá para as ruas, eu quero que nós nos defendamos de toda acomodação, imobilidade, clericalismo. Se a Igreja não sai às ruas, se converte em uma ONG. A Igreja não pode ser uma ONG" (Rio de Janeiro, 25/07/13).
Enfim, apareceu uma luz. O vereador Djalma Araujo, em uma série de posts no Twitter, relata: “vereadores e membros do movimento de greve dos professores se reuniram hoje (dia 11) à tarde com a promotora Simone de Sá. A promotora conseguiu abrir negociação e vai intermediar o diálogo dos professores com o Paço Municipal, a partir de segunda-feira. Serão formadas duas comissões: uma, com três vereadores da oposição e cinco membros do comando de greve. E outra, com três vereadores da base e cinco membros da Secretaria de Educação. Mais uma medida importante do MP que dá sinal verde para resolver este impasse. Coloco o meu nome à disposição para compor a comissão junto com o comando de greve e lutar pelo atendimento de suas reivindicações”.
Embora, vereador, a notícia seja motivo de alegria e de esperança, eu pergunto: por que só a partir de segunda-feira e não a partir de hoje? Não é, mais uma vez, uma atitude de descaso para com as professoras e professores, que estão acampados, desde terça-feira, no plenário da Câmara, em condições precárias? Será que querem dar um castigo às educadoras e educadores? Por que não dialogar logo? Vai prejudicar o feriado prolongado dos vereadores, da promotora e dos menbros da Secretaria da Educação? Quanta insensibilidade! Se pensam que, com essa atitude de descaso, irão cansar as professoras e professores, podem tirar o cavalo da chuva, porque elas e eles terão força suficiente para resistir. E ainda: por que o prefeito não está incluido na negociação e resiste a se encontrar com os grevistas? Dialogar com as educadoras e educadores, não seria um gesto de grandeza de sua parte?  
Senhor, “vossos caminhos são verdade, são justiça” (Ap 15,3).

A palavra do Frei Marcos: uma palavra crítica que - a partir de fatos concretos e na escuta dos sinais dos tempos aponta caminhos novos